×

Artistas de peso do teatro baiano participam de peça na Casa Rosa

Artistas de peso do teatro baiano participam de peça na Casa Rosa

Artistas de peso do teatro baiano participam de peça na Casa Rosa

‘Teatro Terceira Margem – 10 Anos’, este é o slogan do grupo teatral que comemora uma década de atividades ininterruptas e promove, entre novembro e dezembro, intensa programação na cidade.

Tem leituras dramáticas, encenação de espetáculos do repertório, oficinas de dramaturgia, interpretação, cenografia e iluminação, e a reapresentação da peça [ensaio] para uma Redenção, que segue em cartaz no teatro Cambará, da Casa Rosa (Rio Vermelho), até o dia 30 de novembro, com sessões amanhã, sábado e domingo.

Tudo sobre Cultura em primeira mão!

Escrita por Caio Rodrigo, também diretor do espetáculo, e Daniel Farias a partir do romance Cartografia para Caminhos Incertos – do escritor soteropolitano Ian Fraser –, a montagem é uma travessia poética sobre memória, aprendizagem e o desejo de pertencimento.

Caio diz que o público vai ver, em cena, a adaptação de um romance de aprendizagem, que tem a desconstrução e o meta-drama agenciados como dispositivos de criação cênica.

“A peça só havia sido levada ao público no formato virtual, durante a pandemia. É um trabalho que tem o público jovem como alvo, fomentando a relação entre teatro e literatura como aporte para construção de conhecimento”, detalha o diretor.

Por meio de uma narrativa que mescla real e imaginário, o espetáculo conta a história de Mané (João D’Souza), jovem que, movido pelo desejo de se tornar poeta, atravessa paisagens de solidão, fome, desilusão e descoberta, até encontrar um grupo de teatro.

“Meu personagem é poeta. Ele mergulha em uma andança complexa e reflexiva sobre achar Redenção e encontrar a si mesmo. Redenção é a cidade que Mané tanto anda a procurar, uma cidade que ele perdeu por juras de amor e o faz atravessar uma longa estrada com descobertas, desafios e desilusões no caminho”, adianta João.

Leia Também:

Com 12 anos de carreira, esta é a quarta peça de D’Souza. “Fiz Caderno de rimas do João e sem rimas de Maria, com direção de Débora Landim, e Quem me ensinou a nadar, de Evaldo Macarrão. Porém, estou há alguns anos fazendo apenas cinema. Essa é minha volta ao teatro depois de seis anos”, informa o ator.

Imaginário cultural

Principal ação do projeto de aniversário do Terceira Margem, [ensaio] para uma Redenção conta com um elenco formado por artistas bem (re)conhecidos na cena baiana. São eles: Lúcio Tranchesi, Igor Epifânio, Evelin Buchegger, Caio Rodrigo, Diana Ramos e Gordo Neto, além do jovem João D’Souza.

Na pele de um ator em busca de seu personagem, Tranchesi (O trem que nos leva) conta que o resto do elenco interpreta os atores que ensaiam uma peça, que eles são os narradores do caminho que conduz e desafia o poeta Mané.

“Estamos entre o viver esse ensaio e interpretar os personagens com vista em olhar para nós mesmos enquanto artistas. Que caminho temos construído e qual teremos pela frente”, explana Lúcio.

Como artista convidado do Terceira Margem, ele diz ainda que Redenção é esse lugar dentro de nós que almeja sempre seguir em frente.

“Esse é um espetáculo poético. A obra de Ian Fraser é rica em imagens do nosso imaginário cultural. O público terá um encontro com questões primordiais do humano. Se conseguirmos inspirar essa busca em cada um, mesmo que só por um instante, a poesia poderá fazer parte da nossa vida com mais frequência”, diz.

Já para o diretor, Redenção assume dois sentidos através da busca do personagem central. “Um jogo entre o nome de sua cidade natal e um estado que se anseia alcançar. Nas palavras do autor do texto original, ‘redenção não se mede, porque para cada um, a régua é diferente’”.

Caio conta ainda que o cenário, composto de caixas de papelão, parte de um elemento que favorece a construção e a desconstrução do tempo, mantendo a cena em constante trânsito.

“A aposta é que esse jogo dialético seja capaz de estimular variadas leituras. O objetivo é criar zonas de indiscernibilidade entre ficção e aquilo que convencionamos chamar de realidade”, finaliza o dramaturgo.

Encenada pela primeira vez em 2021, de forma virtual, a peça venceu o Prêmio Braskem de Teatro de Melhor Texto, e ainda recebeu indicações de Melhor Espetáculo Adulto, e Melhor Ator para Lúcio Tranchesi.

Completando a equipe, [ensaio] para uma Redenção tem cenografia de Erick Saboya e Caio Rodrigo, trilha sonora de Luciano Salvador Bahia, iluminação de Pedro Benevides, figurinos de Guilherme Hunder e produção de Raquel Bosi e Hyago Mattos.

Minibio

Em dez anos de trajetória, o soteropolitano Teatro Terceira Margem construiu um repertório que reflete a diversidade e a consistência de sua pesquisa, com obras como Cartografia do Abismo (2014), A Máquina que Dobra o Nada (2015), O Bobo (2016), Woyzeck – Zé Ninguém (2017).

E ainda As Cidades (2019), [ensaio] para uma Redenção (2021), [sem]DRAMA (2022), Quatro por Liberdade (2023), além de parcerias com outros grupos e artistas, como Pólvora e Poesia (2010), Namíbia, não! (2011) e Homem é Homem (2024).

Com mais de 500 apresentações e 22 indicações a premiações baianas de teatro, o Terceira Margem acumula também circulações em festivais locais, nacionais e internacionais de artes cênicas.

O projeto ‘Teatro Terceira Margem – 10 Anos’ foi contemplado pelo Edital Gregórios – Ano IV, com recursos da Fundação Gregório de Mattos, Secretaria Municipal de Cultura e Turismo, Prefeitura de Salvador, Ministério da Cultura e Governo Federal.

Informações completas sobre o circuito comemorativo do Terceira Margem podem ser obtidas através do site teatroterceiramargem.com.br e do Instagram @teatrotearceiramargem.

[ensaio] para uma Redenção / teatro cambará, Casa Rosa – Rio Vermelho / até 30 de novembro / sexta e sábado, 20h, domingo, 17h e 20h / R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia), bilheteria do teatro ou Sympla / Classificação: 14 anos



Créditos