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Advogados venezuelanos rechaçam legitimidade de Trump para ‘fechar espaço aéreo’ da Venezuela

Advogados venezuelanos rechaçam legitimidade de Trump para ‘fechar espaço aéreo’ da Venezuela

Advogados venezuelanos rechaçam legitimidade de Trump para ‘fechar espaço aéreo’ da Venezuela

Advogados venezuelanos rechaçaram a legitimidade do presidente dos EUA, Donald Trump, para fechar o espaço aéreo da Venezuela, como anunciou o republicano no último sábado (29).

Especialistas no tema consultados pelo Brasil de Fato afirmaram que a pretensão de Trump não tem base legal para se sustentar e que a desconhece a soberania da Venezuela.

“Sob a perspectiva jurídica, Trump não tem autoridade para fechar o espaço aéreo de um Estado que não sejam os Estados Unidos”, disse Rodolfo Ruiz, especialista em direito aeronáutico.

O advogado, no entanto, aponta que as intenções da Casa Branca são políticas e “não deixam de ter o efeito desejado, uma vez que quem está tomando a atitude é o presidente da maior potência do mundo”.

Há meses, Trump vem ampliando a pressão contra o governo de Nicolás Maduro realizando uma série de ataques contra lanches e embarcações no mar Caribe, sob o pretexto de combate ao narcotráfico.

Após ameaças de proibições e ataques, companhias aéreas interromperam operações na Venezuela e, em seguida, foram penalizadas por Caracas por descumprirem acordos de maneira unilateral.

“O que Trump está fazendo não tem legitimidade no direito internacional e em nenhum direito imaginável”, disse Juan Carlos Valdez, advogado e membro do partido Pátria Para Todos (PPT).

“Estamos presenciando a destruição do direito internacional, já que países como os EUA e Israel fazem o que bem entendem e ninguém os interrompe, nem a ONU”, afirmou.

Valdez também evidenciou o caráter político da declaração de Trump, que estaria tentando iniciar, segundo o advogado, um bloqueio aéreo, depois de ter iniciado um naval com os ataques no Caribe.

“Eles estão buscando uma ruptura psicológica. Essas pressões estão direcionadas para quebrar o ânimo dos apoiadores do projeto bolivariano: dos militares e dos que apoiamos o legado de Hugo Chávez”, disse Valdez.

Entenda a pressão dos EUA contra a Venezuela

Desde que assumiu seu segundo mandato à frente da Casa Branca, Trump retomou sua estratégia de pressão contra o governo Maduro.

Em 2018 e 2019, a tática passou por ampliar ao máximo as sanções econômicas para asfixiar a indústria petroleira – principal produto da Venezuela – e causar uma queda de 95% da receita venezuelana, agravando a pior crise econômica da história do país sul-americano.

Atualmente o republicano parte para posições militares e amplia a presença de tropas no mar Caribe e em países centro e sul-americanos aliados. Porta-aviões nas costas de Porto Rico, tropas na República Dominicana e na Guiana e visitas regulares ao Equador e ao Panamá fazem parte da nova onda de pressão.

Enquanto isso, a Casa Branca utiliza a justifica de combate ao narcotráfico como pretexto para as ações hostis na região e, inclusive, para processar criminalmente Maduro.

A propagação da existência de um suposto grupo internacional narcotraficante chamado “Cartel de los Soles”, do qual Maduro e outras lideranças venezuelanas fariam parte, alimenta a narrativa de pressão e busca dar bases legais para os ataques que já são classificados por especialistas e presidentes como o colombiano Gustavo Petro como “execuções sumárias”, já que resultam na morte de tripulantes que posteriormente não têm identidades reveladas.

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