O crescimento da zona do euro desacelerou em dezembro, mas o PMI registrou o trimestre mais forte desde 2023.
A economia da zona do euro expandiu-se a um ritmo mais lento no mês passado, mas encerrou 2025 com o seu crescimento trimestral mais forte em mais de dois anos, com o sólido desempenho do setor de serviços compensando a contração da indústria, segundo uma pesquisa divulgada nesta terça-feira (6).
Embora a atividade industrial tenha encolhido, o crescimento persistente do setor de serviços manteve o bloco da moeda comum em constante expansão no ano passado, mesmo diante das tarifas americanas sobre as importações europeias.
O Índice de Gerentes de Compras (PMI) composto final do Hamburg Commercial Bank (HCOB) para o bloco, compilado pela S&P Global e considerado um bom indicador da saúde econômica geral, recuou para 51,5 em dezembro, ante a máxima de 30 meses de 52,8 em novembro, ficando abaixo da estimativa preliminar de 51,9.
O fato de o índice ter terminado acima da marca de 50, que separa o crescimento da contração, significou que a economia se expandiu todos os meses de 2025, uma sequência não vista desde 2019. A média do PMI do quarto trimestre, de 52,3, foi a mais alta desde o segundo trimestre de 2023.
“Nesse contexto, é provável que o crescimento do PIB tenha acelerado”, disse Cyrus de la Rubia, economista-chefe do HCOB.
“Em 2026, o setor de serviços deve manter uma trajetória de crescimento moderado. O setor manufatureiro provavelmente se beneficiará da maior demanda por equipamentos de defesa e máquinas de construção… Como resultado, um crescimento econômico bem acima de 1% deve ser possível novamente, mas certamente não será expressivo.”
Os novos pedidos expandiram pelo quinto mês consecutivo, mas no ritmo mais fraco desde setembro, com o setor manufatureiro apresentando uma queda mais acentuada nos novos pedidos de fábrica, enquanto as empresas de serviços registraram um crescimento de vendas mais fraco.
O índice de atividade empresarial do setor de serviços recuou para 52,4, após atingir a máxima de 53,6 em 2 anos e meio em novembro.
A Espanha foi o país com o melhor desempenho, com seu índice composto atingindo o maior nível em dois meses, enquanto a expansão da Alemanha moderou para o menor patamar em quatro meses. A economia italiana praticamente não cresceu e a atividade do setor privado francês estagnou.
Enquanto isso, a inflação dos custos de insumos acelerou para o maior nível em nove meses, com o aumento da pressão sobre os preços em ambos os setores, embora a inflação dos preços de produção tenha permanecido inalterada em relação a novembro.
“O Banco Central Europeu continua monitorando a inflação de serviços de perto… e com razão, porque a inflação de custos nesse setor voltou a subir em dezembro”, acrescentou de la Rubia.
“Esse desenvolvimento, que também foi acompanhado por uma inflação ligeiramente maior nos preços de venda, é, em nossa opinião, o principal motivo pelo qual o BCE não implementou novos cortes nas taxas de juros e não parece estar planejando fazê-lo.”
O crescimento do emprego em geral apresentou um leve aumento em relação a novembro, embora tenha permanecido marginal devido aos contínuos cortes de empregos na indústria.
O setor de serviços da Alemanha encerrou o ano de 2025 com crescimento sólido, embora tenha apresentado uma perda de fôlego pelo segundo mês consecutivo.
De acordo com o relatório da S&P Global e do HCOB, a atividade de negócios continuou a subir em uma taxa saudável, mas o ritmo de expansão moderou devido a um aumento mais lento na entrada de novos pedidos.
Apesar da desaceleração, o nível de emprego no setor aumentou pelo terceiro mês seguido, com o ritmo de criação de vagas acelerando ligeiramente em relação a novembro.
No entanto, as expectativas das empresas para os próximos doze meses caíram para o nível mais baixo desde abril de 2024, refletindo preocupações com a competitividade da indústria alemã e o ambiente geopolítico instável.
Em termos de índices, o PMI de Serviços da Alemanha registrou 52,7 em dezembro de 2025, o que representa uma queda em comparação aos 53,1 registrados em novembro, atingindo o menor nível em três meses.
Já o Índice PMI Composto, que combina os setores de manufatura e serviços, caiu de 52,4 em novembro para 51,3 em dezembro, marcando a leitura mais baixa em quatro meses.
Essa perda de ímpeto no índice composto foi impulsionada principalmente por uma redução acelerada nas novas encomendas no setor manufatureiro e por uma queda contínua nas exportações.
No campo dos preços, o relatório destacou que os custos operacionais subiram no ritmo mais rápido em dez meses, pressionados majoritariamente por aumentos salariais persistentes decorrentes da escassez de mão de obra.
O setor de serviços do Reino Unido encerrou o ano de 2025 apresentando um crescimento contínuo, porém marginal, pelo oitavo mês consecutivo.
De acordo com os dados da S&P Global, o ritmo de expansão da atividade de negócios permaneceu contido devido a condições comerciais desafiadoras e à incerteza política doméstica, que limitaram os gastos dos clientes.
Apesar disso, houve uma recuperação modesta no volume de novos pedidos e uma melhora nas exportações, impulsionada por uma demanda mais forte vinda dos Estados Unidos e da Europa.
Em contrapartida, as pressões inflacionárias se intensificaram, com os custos operacionais subindo ao ritmo mais rápido em sete meses, refletindo aumentos nos gastos com pessoal e logística.
Em termos numéricos, o PMI de Serviços da S&P Global e do Chartered Institute of Procurement & Supply (CIPS) registrou 51,4 em dezembro de 2025, o que representa uma estabilidade em relação aos 51,3 registrados em novembro, embora o índice permaneça bem abaixo de sua média histórica de 54,2.
Já o PMI Composto, que sintetiza a atividade tanto do setor de serviços quanto do industrial, fechou em 51,1 em dezembro, indicando uma ligeira aceleração frente aos 50,8 anotados no mês anterior.
Essa melhora no índice composto foi favorecida por uma contração mais suave na produção industrial, contrastando com a resiliência marginal do setor de serviços.
No campo do emprego, as empresas de serviços mantiveram uma postura cautelosa, com os níveis de contratação praticamente inalterados no final do ano.
De acordo com o relatório da S&P Global e do HCOB, a economia do setor privado na França encerrou o ano de 2025 em estado de estagnação.
Após uma leve expansão registrada em novembro, o setor de serviços perdeu ímpeto no fechamento do quarto trimestre, refletindo um ambiente de incertezas políticas domésticas e desafios econômicos externos, como a desaceleração na Alemanha e políticas dos EUA.
No setor de serviços, o Índice de Atividade de Negócios (PMI de Serviços) caiu de 51,4 em novembro para 50,1 em dezembro, indicando que os níveis de produção ficaram praticamente inalterados após o primeiro crescimento em 15 meses.
Essa desaceleração foi acompanhada por uma demanda estável, com novos pedidos estagnados e uma queda acentuada nas exportações, que atingiram o ritmo de retração mais forte desde novembro de 2024.
No mercado de trabalho, o emprego no setor permaneceu virtualmente inalterado pelo segundo mês consecutivo, enquanto as empresas continuaram a reduzir o volume de pedidos pendentes.
Já o Índice PMI Composto, que engloba tanto a indústria quanto os serviços, registrou 50,0 em dezembro, vindo de uma leitura de 50,4 em novembro. Este valor de 50,0 representa o limiar exato da estagnação, indicando que a produção total do setor privado francês não cresceu nem encolheu no último mês do ano.
Embora tenha havido uma melhora relativa no setor manufatureiro, o desempenho geral foi prejudicado pela perda de fôlego dos serviços e pela fraqueza na demanda externa.
Em relação aos preços, o setor de serviços enfrentou uma inflação de custos historicamente baixa e abaixo da média de longo prazo, permitindo que as empresas mantivessem seus preços de venda praticamente estáveis.
No entanto, a falta de poder de precificação e a concorrência acirrada têm pressionado as margens de lucro, especialmente diante de pressões salariais persistentes.
Para 2026, as expectativas de crescimento permanecem cautelosas e historicamente fracas, com o otimismo das empresas atingindo o nível mais baixo em cinco meses devido às incertezas do cenário econômico e político.
Aeroporto na Alemanha — Foto: Michael Ukas/dpa via AP
