O Maranhão encerrou 2025 com 50 mulheres vítimas de feminicídio, segundo dados da Casa da Mulher Brasileira e da Secretaria de Estado da Segurança Pública. O número representa uma redução de 27,5% em relação a 2024, quando foram registrados 69 casos, mas mantém o estado em patamar elevado de violência letal de gênero.
O total de vítimas em 2025 repete o mesmo número observado em 2023, o que indica que a queda registrada em um ano não se consolidou como tendência contínua. Para especialistas, a oscilação revela fragilidade nas políticas de prevenção e proteção às mulheres em situação de risco.
O feminicídio é caracterizado quando o assassinato ocorre por razões de gênero, geralmente ligado à violência doméstica ou familiar. Desde outubro de 2024, a legislação prevê penas mais duras, que variam de 12 a 30 anos de prisão, com agravantes quando o crime ocorre na presença de filhos ou contra mulheres grávidas.
Ao longo do ano, os casos registrados no estado seguiram um padrão recorrente: crimes cometidos por companheiros ou ex-companheiros, muitos deles após histórico de ameaças e agressões. Em várias situações, a violência já era conhecida por familiares ou vizinhos, mas não havia resultado em medidas eficazes de proteção.
Autoridades alertam que os números oficiais não refletem toda a realidade. Dados nacionais indicam forte subnotificação, especialmente no Nordeste, onde a maioria das mulheres vítimas de violência não procura a polícia, seja por medo, dependência financeira ou descrença na resposta do Estado.
A Secretaria de Segurança Pública do Maranhão reforça que denúncias podem ser feitas a qualquer momento pelo WhatsApp (98) 99209-2383, além do 190 do Ciops, do Disque-Denúncia 181, do aplicativo Salve Maria Maranhão e da Delegacia On-line. A orientação é buscar ajuda aos primeiros sinais de violência, antes que o ciclo termine em morte.
