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governo Lula monitora cerco dos EUA; diplomatas veem Havana em beco sem saída após colapso do apoio venezuelano

by admin

O governo brasileiro acompanha com atenção e monitora a escalada de pressões dos Estados Unidos sobre Cuba, em meio ao endurecimento da política de Washington após a intervenção militar americana na Venezuela. Para interlocutores de Brasília, Cuba entrou em um beco sem saída diante do aumento da pressão econômica e política, agravada pelo colapso do apoio venezuelano que sustentou a ilha por décadas.

A avaliação no governo Lula é que a combinação entre o corte do fluxo de petróleo de Caracas, as ameaças explícitas do presidente Donald Trump e o precedente aberto pela ação militar americana na Venezuela colocou Havana em uma posição de vulnerabilidade inédita no atual contexto regional. Nesse cenário, o Brasil considera que Cuba se tornou o país com maior risco de sofrer uma nova intervenção por parte de Washington, diante da preocupação compartilhada por diversos governos da região com a possibilidade de expansão de ações unilaterais no continente.

Esse diagnóstico está diretamente ligado à cooperação entre Havana e Caracas ao longo de mais de duas décadas, iniciada ainda nos primeiros anos do governo de Hugo Chávez, com programas voltados às áreas de saúde e educação, e posteriormente ampliada para setores estratégicos, como a guarda presidencial de Nicolás Maduro, além de inteligência e contrainteligência venezuelanas. Para Brasília, essa relação tornou Cuba particularmente exposta no atual redesenho do equilíbrio regional.

A pressão americana se intensificou neste domingo, quando Trump afirmou que Cuba deveria “fazer um acordo” ou enfrentar consequências. O presidente americano declarou que o envio de petróleo e recursos financeiros da Venezuela à ilha será interrompido, encerrando um fluxo estimado em cerca de 35 mil barris de petróleo por dia, fundamental para a economia cubana.

Em publicação na rede Truth Social, o presidente afirmou que Cuba viveu por anos de “grandes quantidades de petróleo e dinheiro” venezuelanos em troca de serviços de segurança aos governos de Caracas. Advertiu que esse arranjo chegou ao fim.

A retórica se intensificou após Trump voltar sua atenção para Cuba na esteira da operação militar e de inteligência que resultou na prisão do então presidente venezuelano Nicolás Maduro, em 3 de janeiro, em Caracas. Para integrantes do governo brasileiro, a ofensiva contra Havana deve ser entendida como parte de uma estratégia mais ampla de pressão regional, cujo objetivo declarado é enfraquecer regimes aliados ao chavismo.

Nesse contexto, pesa ainda o papel do secretário de Estado Marco Rubio, filho de imigrantes cubanos e crítico histórico do regime de Havana. Em Brasília, a leitura é que Rubio exerce influência central na formulação da política americana para Cuba e Venezuela, contribuindo para o endurecimento do discurso e das medidas adotadas por Washington.

Para o governo brasileiro, o cerco a Cuba reforça a percepção de que a crise venezuelana não é um episódio isolado, mas um sinal de inflexão mais ampla na política dos EUA para a América Latina, em um ambiente regional marcado por fragmentação política, enfraquecimento dos mecanismos de coordenação e crescente normalização do uso da força como instrumento de política externa.

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