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Anvisa aprova injeção semestral que previne infecção por HIV em quase 100%

by admin

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou, nesta segunda-feira, o lenacapavir, primeiro medicamento injetável com aplicação semestral capaz de prevenir a infecção pelo HIV com eficácia próxima de 100%. O produto será comercializado com o nome Sunlenca, é desenvolvido pela farmacêutica Gilead Sciences e já havia sido autorizado nos Estados Unidos e na Europa.

A liberação no Brasil contempla duas indicações. A primeira é o uso como profilaxia pré-exposição (PrEP), destinada à prevenção do HIV em pessoas que não vivem com o vírus, tenham mais de 12 anos, peso superior a 35 quilos e resultado negativo no teste para HIV.

A segunda indicação é para o tratamento de pacientes que vivem com HIV, já passaram por outras terapias e apresentam resistência a diferentes classes de antivirais.

De acordo com a Gilead, os pedidos de aprovação para uso como PrEP e como tratamento foram protocolados em março de 2025 e novembro de 2024, respectivamente. Ambos receberam análise prioritária da Anvisa, em razão da importância epidemiológica e do impacto potencial para a saúde pública.

“É uma inovação de longo prazo que amplia as opções de prevenção e traz esperança para pessoas com resistência extensa e poucas alternativas terapêuticas. A Gilead segue comprometida em colaborar com autoridades, especialistas e a comunidade para ampliar o impacto positivo dessas duas novas indicações”, afirmou André Abrahão, diretor médico da Gilead Sciences Brasil, em nota.

O lenacapavir se destaca por exigir apenas duas aplicações por ano para garantir alta proteção contra o HIV. Atualmente, a PrEP já é ofertada no Sistema Único de Saúde (SUS) desde 2017, por meio de comprimidos de uso diário.

Embora eficaz, a necessidade de ingestão diária é considerada um desafio para a adesão de parte da população.

Em julho do ano passado, a Organização Mundial da Saúde (OMS) passou a recomendar o lenacapavir como parte da estratégia de prevenção combinada, que reúne diferentes ferramentas, como preservativos, testagem regular e PrEP. Na ocasião, a entidade classificou a decisão como “uma ação política histórica capaz de remodelar a resposta global ao HIV”.

“Enquanto uma vacina contra o HIV ainda não está disponível, o lenacapavir representa a melhor alternativa: um antirretroviral de longa duração que, em estudos, preveniu quase todas as infecções entre pessoas em risco”, afirmou Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS, durante o lançamento das diretrizes.

Até então, a PrEP de maior duração disponível era o cabotegravir, da farmacêutica GSK, também injetável, mas com aplicação bimestral. Aprovado pela Anvisa em junho de 2024, o medicamento tem custo elevado.

Com isso, o lenacapavir surge como uma alternativa promissora ao aliar alta eficácia a apenas uma aplicação a cada seis meses.

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