A participação do deputado federal Rubens Jr (PT) no Podcast Café Quente*, do ex-deputado Rogério Cafeteira, na noite desta quinta-feira (15) trouxe uma afirmação quase definitiva sobre a sucessão do governo estadual, de que “A pré-candidatura do Felipe Camarão é intocável. Ninguém mexe com ela porque isso é um ativo para o Partido dos Trabalhadores”. Essa afirmação é absolutamente contundente, mas o petista fornece mais algumas trilhas para a interpretação do momento atual do cenário político maranhense.
Uma das primeiras afirmações é de que “Flávio foi um personagem que mudou a política maranhense”, que depois traz diversas explicações de o porquê das coisas estarem como estão: uma indefinição, um atraso de calendário, um impasse com nó górdio, entre outros, que impossibilitam uma companha de sucessão do atual governo capitaneada pelo grupo que lá o colocou.
Apesar do “morde e assopra” tradicional, Rubens Jr atribui algumas culpas e responsabilidades. “O calendário está absolutamente atrasado e é responsabilidade do governador Carlos Brandão. Há 4 anos no dia 11 de novembro de 2021, o governador Flávio Dino já tinha dito quem seria o candidato dele [ao governo] e o senador”.
Segundo o deputado petista, a reponsabilidade de conduzir a sucessão e o dever de manter o grupo unido, era do governador Brandão. “Acredito que o governador Carlos Brandão erra quando não lidera a sua própria sucessão; ele tem que liderar! Ele está hesitando e na política não pode ter hesitação, tem que ter definição e marchar”.
Um projeto familiar e não de grupo
Sobre o movimento pessoal de sucessão da família Brandão, que inclui um sobrinho do governador caído de paraquedas no ambiente político, Rubens diz que “… é um projeto familiar. A escolha parte do Marcus Brandão, irmão do governador; e eu defendo que o Carlos Brandão ouça mais o Zé Henrique [outro irmão do governador], que sempre foi o mais político da família Brandão. Acredito que se o Zé Henrique fosse mais ouvido, essa situação não estaria acontecendo”.
Na ausência dessa postura mais republicana dos Brandão, o deputado explica que o PT tem um rito e um calendário próprio, sem deixar de enaltecer, em vários momentos, que o desejo maior do grupo consolidado na liderança do presidente Lula, ao qual ele e Camarão pertencem, quer “em primeiro lugar, no Maranhão, é a unidade. Esse é o propósito do presidente Lula e ele dirige o PT”.
Afinal, quem é o candidato?
A primeira possibilidade em qualquer cenário é a candidatura própria do partido, com o nome de Felipe Camarão, independente de fenômenos ou obstáculos. Porém, pressionado pelas pergunta sobre preferências, o já experiente parlamentar apresenta algumas narrativas, que ele chama de teses.
Na verdade, Rubens Jr mostra a fragilidade das duas outras opções que não incluem a cabeça da majoritária. Quando se parte para as possibilidades, por exemplo, do apoio ao sobrinho do governador, o que aparece na defesa dessa opção é a ocupação de cargos no governo por alguns nomes do PT, todos sem mandato.
Na opção de apoio a Braide, a defesa é meramente teórica, ou seja, uma parceria entre o PSD (partido do prefeito) e o PT. Mas isso em nível nacional e em outros estados. Além do que, o PSD conta, ainda, com o nome da senadora Eliziane, que navega de forma confortável no grupo de apoio ao presidente Lula.
Fica muito claro que a opção de candidatura própria do PT é o que carrega o maior número de motivações positivas para ser o caminho escolhido para sucessão.
Apresentando maturidade política, aliada à clareza de cenário Rubens Jr reconhece o merecimento de Felipe Camarão ao pleitear o posto de candidato. O parlamentar lembra que desde que se filiou ao PT, Felipe Camarão já trabalhava no sentido de uma candidatura. “Ele tinha sido Secretário de Educação (muito longevo), com muitas obras (em todo o Maranhão), muita visibilidade; e a Educação foi uma pasta prioritária do governo Flávio Dino; então reconheço em retrospectiva, que o Felipe tava na minha frente no PT e que fazia sentido a escolha dele”.
Além disso, Rubens Jr traz a informação de que a candidatura do Felipe Camarão tem a simpatia da maioria da base, dos militantes lá da ponta. E enumera, a partir de uma significância curricular, que Felipe é o melhor nome. “Reparem: o Felipe Camarão é o único vice que o PT tem no Brasil inteiro: é legítimo que ele queira ser governador. Ele tem currículo para isso, tanto como vice, como Secretário de Educação, como Procurador Federal: ele tá preparado. A pré-candidatura do Felipe Camarão é intocável. Ninguém mexe com ela porque isso é um ativo para o Partido dos Trabalhadores”.
Uma afirmação bastante significativa da fala de Rubens Jr, quando avalia e avaliza a candidatura própria do partido é a de que “Essa diretriz eu recebi do próprio Edinho, que é o presidente Nacional do PT. O primeiro caminho é o apoio à candidatura do Felipe Camarão”.
Geraldo Iensen
- A íntegra da entrevista pode ser vista aqui.
