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O VAZIO EXISTENCIAL NA SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA – PARTE II

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Por *Itamargarethe Corrêa Lima* – Jornalista, radialista e advogada. Pós-graduada em Direito Tributário, Direito Penal e Processo Penal. Pós-graduanda em Direito Civil, Processo Civil e Docência do Ensino Superior.

Ao debate iniciado na semana passada, soma-se agora uma análise mais aprofundada sobre como os conflitos morais, a ausência de transcendência e a ruptura entre ciência e consciência impactam diretamente a saúde mental e emocional do indivíduo contemporâneo.

Nesse percurso, observa-se que conflitos morais recorrentes tendem a converter-se em disfunções psíquicas. A culpa prolongada transforma-se em ruminação mental; a inveja, em comparação constante; o orgulho ferido, em frustração crônica. A mente eticamente desajustada, submetida a esses estados, passa a adoecer também no plano neuroquímico.

A depressão, portanto, não se limita a um diagnóstico clínico. Em muitos casos, manifesta-se como sintoma ético e espiritual do tempo presente, refletindo a perda de propósito, o enfraquecimento da transcendência e o afastamento de valores humanos essenciais, como solidariedade, amor e sentido existencial.

Na ausência de ideais elevados, o cérebro busca compensações imediatas, como consumo excessivo, status social e estímulos digitais. Essas recompensas, entretanto, são breves e instauram um ciclo de gratificação e frustração semelhante ao observado nas dependências químicas, aprofundando o vazio interior e a sensação de insuficiência permanente.

A convergência entre ciência, filosofia e espiritualidade conduz a uma constatação comum: as doenças da alma, muitas vezes, antecedem as enfermidades do corpo. A ciência contemporânea confirma que estados mentais e morais exercem influência direta sobre a fisiologia cerebral. A recuperação integral, portanto, exige não apenas intervenção clínica, mas também reorganização interior, ética e existencial.

Uma sociedade verdadeiramente orientada pelo conhecimento deveria ser, igualmente, uma sociedade da consciência. O saber técnico dissociado da sabedoria moral conduz à alienação. A tecnologia, quando desprovida de ética e limites, não emancipa; ao contrário, aprofunda o sofrimento humano e amplia a sensação de vazio.

Integrar neurociência, ética e espiritualidade revela-se, assim, um caminho necessário. É preciso compreender o cérebro para libertar a mente; e compreender a mente para purificar o ser. Práticas como autoconhecimento, empatia, meditação e vivência do bem demonstram efeitos positivos comprovados, fortalecendo a resiliência emocional, reduzindo o estresse e promovendo maior equilíbrio psíquico.

A saúde mental, nesse contexto, não se configura apenas como objetivo terapêutico, mas como conquista moral urgente. A ciência oferece diagnósticos e dados precisos; contudo, apenas a consciência ética e o exercício dos deveres morais são capazes de oferecer sentido e promover cura duradoura.

Os males da alma funcionam, portanto, como sinais de alerta da própria condição humana, indicando o desequilíbrio entre saber e ser, inteligência e amor, individualismo e coletividade. O futuro da humanidade — e da saúde mental — depende da integração cooperativa entre ciência, ética e espiritualidade, para que o conhecimento ilumine não apenas o intelecto, mas também o coração.

Por hoje, ficamos por aqui. Na próxima semana, nos encontraremos novamente. Até breve.

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