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Importação de biodiesel na mira do mercado

Importação de biodiesel na mira do mercado

Importação de biodiesel na mira do mercado

NESTA EDIÇÃO. Consulta sobre proibição de biodiesel importado para cumprimento da mistura é concluída. 
 
Brava compra participação da Petronas em campos no pós-sal da Bacia de Campos.
 
Europa e Brasil avançam rumo a acordo para lítio, níquel e terras raras.
 
Desconto para baixa tensão no mercado livre de energia deve ser de até 18%, prevê comercializadora. 

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EDIÇÃO APRESENTADA POR:

O tema da importação de biodiesel voltou à pauta do mercado de combustíveis esta semana, com a conclusão no dia 12 de janeiro da consulta pública sobre a proibição do uso do combustível importado para o atendimento ao percentual obrigatório da mistura de diesel.

  • A norma prevê que todo o biodiesel comercializado para cumprir com o mandato de 15% no diesel seja oriundo de unidades produtoras autorizadas pela ANP
  • A discussão se refere a 20% da demanda, já que 80% do total precisa ter origem de produtores que detém o Selo Biocombustível Social.

O debate ocorre num momento de aumento da demanda pelo produto

  • A StoneX projeta que a demanda por biodiesel pode alcançar a marca de 10,5 milhões de toneladas em 2026, caso a mistura de 15% seja mantida durante todo o ano. 
  • Na hipótese do aumento da mistura para 16% a partir de março, a demanda pode superar 11 milhões de m³, exigindo cerca de 8,9 milhões de toneladas de óleo de soja.

Na sexta (16/1), seis entidades do setor divulgaram uma nota conjunta em que pedem o fim da restrição e afirmam que a vedação do acesso aos fornecedores internacionais impede que as distribuidoras exerçam a liberdade de negociação.

  • O documento afirma que ampliar as opções de suprimento reduziria a volatilidade do custo de cumprimento do mandato.
  • “Não há fundamento técnico ou econômico para restringir, por via infralegal, o acesso a fontes adicionais de suprimento que aumentem a contestabilidade do mercado e contribuam para disciplina competitiva na formação de preços do diesel B”, afirma a nota. Veja a íntegra. 
  • O posicionamento é assinado por: Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP); Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom); Federação Nacional das Distribuidoras de Combustíveis, Gás Natural e Bicombustíveis (Brasilcom); Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e de Lubrificantes (Fecombustiveis); Sindicato Nacional dos Transportadores Revendedores Retalhistas (SindTRR); Federação das Empresas de Mobilidade do Estado do Rio de Janeiro (Semove). 

A proibição da importação é defendida pelo setor produtivo nacional

  • A Análise de Impacto Regulatório (AIR) elaborada por um grupo de trabalho sobre o tema, coordenado pelo MME, concluiu que a abertura do mercado a produtores internacionais pode “comprometer a segurança energética nacional e tem potencial de enfraquecer a capacidade de resposta diante de choques externos”. Veja a íntegra.
  • A conclusão foi de que, devido à existência de práticas desleais de comércio — como subsídios e dumping —, a proteção ao setor produtivo nacional é “essencial para garantir sua integridade, competitividade e continuidade”. 

O tema rachou o governo: a ala mais voltada para o agronegócio e energia defende a vedação da importação, enquanto o Ministério da Fazenda e a ANP são a favor da abertura total do mercado.

  • Os ministérios ligados ao agronegócio e agricultura familiar (Mapa e MDA), assim como o MDIC e a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) acompanharam o Ministério de Minas e Energia (MME) na proibição da importação. 
  • O assunto estava previsto na pauta da reunião do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) esperada para novembro, que acabou cancelada e levou à abertura da consulta. Agora, a expectativa é que o tema retorne ao conselho. 

A compra de biodiesel no exterior para atender ao mercado interno está suspensa desde 2023, quando o CNPE criou o grupo de trabalho sobre o tema.

Preço do barril. O petróleo fechou a sexta-feira (16/1) em alta, impulsionado pelo aumento das tensões geopolíticas no Oriente Médio e por um movimento de recuperação após perdas recentes. 

  • O mercado reagiu a notícias envolvendo EUA e Irã, além de avaliar riscos de oferta no curto prazo, em um ambiente ainda marcado por cautela diante da perspectiva de excesso de produção global.
  • O Brent subiu 0,58% (US$ 0,37), a US$ 64,13 o barril. Na semana, avançou 1,25%.

Brava em Tartaruga Verde. A Brava anunciou a aquisição de 50% da participação da Petronas no campo de Tartaruga Verde e no Módulo III do campo de Espadarte, na Bacia de Campos. A transação é avaliada em US$ 450 milhões

  • Segundo a empresa, a compra reforça o compromisso com a diversificação do portfólio e a busca por retorno aos acionistas. Trata-se da primeira operação comercial anunciada após a renúncia de Décio Oddone e nomeação de Richard Kovacs para a presidência da companhia.

Opinião: O pré-sal, com produtividade e custo imbatíveis, continua atraindo majors e viabilizando decisões finais de investimento. Ainda assim, a margem competitiva pode ser corroída, não por falta de recurso, mas por ruído institucional, escrevem Julia Borges da Mota e Thiago Bandeira, advogados do escritório Murayama, Affonso Ferreira e Mota Advogados,.

Leilões para hidrogênio. A Associação Brasileira da Indústria do Hidrogênio Verde (Abihv) defende que o Brasil adote um modelo de leilões para o hidrogênio que evite o foco no “menor preço”, acompanhado de programas de compras públicas de hidrogênio verde e derivados.

  • Em entrevista à agência eixos, a presidente da Abihv, Fernanda Delgado, afirmou que o setor aguarda com expectativa a regulamentação do marco legal. O decreto regulamentando as leis deve ser publicado em quinze dias.

Acordo sobre minerais críticos. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, enfatizou na sexta-feira (16/1), que a parceria estratégica entre a Europa e o Brasil, firmada há 20 anos, está sendo fortalecida com a assinatura do acordo Mercosul-União Europeia.

  • A líder europeia ainda celebrou o fato de que Europa e Brasil estejam avançando rumo a um acordo político muito importante em lítio, níquel e terras raras

Créditos de carbono. A Petrobras e o BNDES receberam 16 propostas para o primeiro edital do ProFloresta+

  • Segundo as organizações, o resultado é bem superior à expectativa de contratação prevista e evidencia o interesse do mercado em projetos de restauração florestal com geração de créditos de carbono de alta integridade.
  • As propostas agora seguem para a fase de avaliação de efetividade técnica, seguindo os critérios estabelecidos no edital, que incluem dentre outros, requisitos rigorosos de integridade ambiental e salvaguardas socioambientais. 

Abertura do mercado livre. Com a sanção em novembro da lei que prevê a abertura do mercado livre para todos os consumidores em até três anos, o desconto na conta de luz estimado para os consumidores de baixa tensão que optarem por migrar para essa modalidade deve ficar entre 13% e 18%, prevê a comercializadora Ecom.

  • O desconto será menor do que o praticado nos últimos anos para os consumidores de alta tensão. 

Apagões em SP. A Advocacia-Geral da União (AGU) criou um grupo de trabalho para analisar as falhas da Enel SP na distribuição de energia na região metropolitana de São Paulo.

  • O grupo foi montado após o presidente Lula (PT) determinar que a AGU elabore um relatório sobre as providências adotadas pela Enel a partir da primeira interrupção relevante, utilizando para isso todas as medidas judiciais e extrajudiciais necessárias.

Opinião: A regulação do setor elétrico precisa ser firme, mas também moderna o suficiente para estimular inovação e permitir que as concessionárias adotem tecnologias mais resilientes, escreve Marília Brilhante, a diretora da Energo Soluções em Energias.

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