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Inflação desacelera para os mais pobres em 2025

by admin

Os dados do Indicador Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) de Inflação por Faixa de Renda mostram que todas as classes de renda registraram aceleração inflacionária em dezembro, em relação ao mês anterior. O movimento foi impulsionado pelo fim das deflações dos alimentos no domicílio e por reajustes mais intensos nos grupos transportes e saúde e cuidados pessoais, apesar do alívio proporcionado pela queda nas tarifas de energia elétrica. Ainda assim, os efeitos da inflação não foram homogêneos entre as faixas de renda.

Enquanto a inflação das famílias de renda muito baixa avançou de 0,01% em novembro para 0,14% em dezembro, entre as famílias de renda alta o índice passou de 0,45% para 0,51%. A diferença de intensidade revela padrões de consumo distintos e ajuda a explicar por que, ao longo de 2025, o peso da inflação foi maior para os estratos mais elevados.

Com a incorporação do resultado de dezembro, a inflação acumulada em 2025 ficou da seguinte forma:

  • 4,7% para as famílias de renda alta — a maior entre todas as faixas analisadas;
  • Em contraste, a renda baixa apresentou a menor variação inflacionária do período, de 3,8%; e
  • O dado chama atenção porque, à exceção da renda alta, todas as demais classes registraram desaceleração da inflação em relação a 2024.

Esse comportamento indica que, apesar da inflação ainda presente, houve uma descompressão inflacionária mais intensa para as famílias de menor renda, ao passo que os domicílios de maior poder aquisitivo enfrentaram pressão adicional sobre o custo de vida.

Alimentos aliviam pobres

A análise por grupos de consumo ajuda a entender essa diferença. Para as famílias de renda mais baixa, os alimentos no domicílio continuaram sendo o principal fator de pressão mensal, especialmente devido à alta de carnes, tubérculos e aves e ovos. Ainda assim, a desaceleração expressiva desse grupo ao longo de 2025 — cuja variação acumulada recuou de 8,2% em 2024 para 1,4% — foi determinante para o alívio inflacionário observado nesse segmento.

Já entre as famílias de renda mais alta, a inflação foi puxada sobretudo por serviços e transportes.

Reajustes expressivos em passagens aéreas, transporte por aplicativo, serviços de recreação e mensalidades escolares tiveram impacto relevante, refletindo itens com maior peso no orçamento desse grupo. Em especial, o transporte por aplicativo acumulou alta de 56,1% em 2025, revertendo a dinâmica observada no ano anterior.

Apesar da desaceleração geral, o processo de desinflação em 2025 foi parcialmente contido pelo aumento dos custos de habitação e saúde. As tarifas de energia elétrica subiram 12,3% no ano, após terem registrado deflação em 2024, enquanto os gastos com planos de saúde, serviços médicos e produtos farmacêuticos continuaram pressionando os índices, especialmente entre as faixas de renda baixa e média.

Resultado de 2025

O resultado consolidado de 2025 revela um quadro inflacionário desigual:

  • Para as famílias de renda muito baixa, a inflação recuou 1,1 ponto percentual em relação a 2024, encerrando o ano em 3,81%;
  • Já entre os mais ricos, o índice avançou de 4,43% para 4,72%, evidenciando que a inflação recente tem sido mais sensível à alta de serviços e despesas discricionárias do que aos preços de itens essenciais.

Em síntese, embora a inflação tenha atingido todas as faixas de renda, ela pesou mais sobre as famílias de maior poder aquisitivo, refletindo mudanças na composição das pressões inflacionárias ao longo do ano e reforçando o papel central dos padrões de consumo na percepção do custo de vida.

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