NESTA EDIÇÃO. Relatório mensal da IEA mantém projeção de sobreoferta de petróleo, mas barril tem alta com tensões entre EUA e Europa.
EUA precisam dobrar produção de energia para abastecer data centers e fábricas ligadas à IA, diz Trump.
Ibama nega pedido de licenciamento da UTE São Paulo e encerra processo.
Iconic adota corredor a biometano entre Rio e São Paulo para descarbonizar a logística rodoviária.
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Oferta global de petróleo vai crescer 2,5 milhões de barris/dia em 2026, quase o triplo da demanda, indica IEA
Com um crescimento da oferta global de petróleo previsto para 2,5 milhões de barris/dia em 2026 e uma expectativa de expansão da demanda em 930 mil barris/dia, a Agência Internacional de Energia (IEA) manteve a expectativa de uma sobreoferta no mercado este ano.
A desaceleração do consumo de gasolina é um dos motivos que ajuda a manter a demanda pressionada, segundo o Oil Market Report da agência, divulgado na terça (21).
- A demanda da indústria petroquímica tem previsão de crescimento, mas essa expansão não será suficiente para compensar a queda da gasolina.
Do lado da oferta, a IEA destaca que o excedente global é sustentado pelo forte crescimento da produção desde o início de 2025, sobretudo em países de fora da Opep, que responderam por 60% da expansão no ano passado.
- Em 2025, Brasil, Canadá, Estados Unidos, Guiana e Argentina dominaram o aumento da extração.
- No Brasil, a Petrobras divulgou na semana passada que superou a meta estabelecida para 2025, com uma produção média de 2,4 milhões de barris/dia no ano.
Para ficar de olho: a agência destaca uma forte recuperação da produção na Rússia em dezembro, apesar de o país ainda estar negociando petróleo e derivados com descontos no mercado internacional devido às sanções pela invasão à Ucrânia.
As recentes turbulências geopolíticas na Venezuela e no Irã acrescentam incertezas quanto à capacidade desses países de manterem exportações no futuro.
- Entretanto, a IEA destaca que os dois países já vinham tendo dificuldades em manter os níveis das exportações nos últimos meses.
- As vendas do petróleo iraniano no mercado internacional caíram 350 mil barris/dia de outubro para dezembro, finalizando o ano em 1,6 milhão de barris/dia. O país também está sujeito a sanções internacionais.
- Já a exportação da Venezuela caiu de 800 mil barris/dia em dezembro para 300 mil barris/dia em janeiro, devido ao bloqueio da costa pelos Estados Unidos.
Mesmo com as projeções de sobreoferta, o preço do barril subiu na quarta (21/1), em meio à elevada tensão entre EUA e Europa a respeito da Groenlândia.
Divisão das receitas. O presidente dos EUA, Donald Trump, disse, em discurso no Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça, na quarta-feira (21), que a Venezuela aceitou o acordo proposto e que o novo governo em Caracas dividirá a receita do petróleo com os EUA.
Produção da União. A produção de petróleo da União atingiu 174 mil barris/dia em novembro, considerando nove contratos de partilha de produção e os acordos de individualização da produção de Tupi, Atapu, Mero e Jubarte, resultado 3,8% inferior ao de outubro.
- A queda está ligada ao menor excedente de óleo no campo de Búzios, decorrente de paradas programadas na P-74 e no FPSO Almirante Barroso, além de serviços de manutenção na P-71, do campo de Itapu.
Fundo da Marinha Mercante. O BNDES aprovou o financiamento de R$ 1,981 bilhão para a Bram Offshore construir seis embarcações híbridas de apoio marítimo à produção offshore de petróleo e gás. As unidades serão afretadas pela Petrobras
- A Bram utilizará recursos do Fundo da Marinha Mercante (FMM) para adquirir, até julho de 2028, seis embarcações a serem construídas.
Cisão do refino. A petrolífera portuguesa Galp focará na ampliação de seu negócio de exploração e produção a partir de campos de petróleo no Brasil e na Namíbia e poderá listar partes de sua recém-formada unidade de refino em alguns anos, disse seu co-diretor-presidente, João Diogo Marques da Silva (Reuters/Valor Econômico)
Acordo Mercosul-UE. O Parlamento Europeu decidiu solicitar ao Tribunal de Justiça da União Europeia (UE) um parecer jurídico sobre a conformidade do acordo Mercosul-UE com os tratados do bloco, medida que, na prática, freia o avanço do processo de ratificação, segundo comunicados e documentos oficiais divulgados na quarta (21).
Sem licença. O Ibama negou o pedido de licença prévia da Usina Termelétrica São Paulo, em Caçapava (SP), encerrando o processo de licenciamento ambiental. Os documentos apresentados pela empresa foram considerados insuficientes, como a certidão de uso e ocupação do solo vencida
- O empreendimento da Termelétrica São Paulo Geração de Energia, tinha capacidade de geração prevista em 1,74 megawatts (MW), a partir de gás natural. Seria a maior térmica em funcionamento na América Latina.
Aquisição. A Superintendência-Geral do Cade aprovou, sem restrições, a aquisição pela Eneva da Rio Doce Geração de Energia. O principal ativo da Rio Doce é a titularidade de área e da licença ambiental prévia do projeto da termelétrica TermoLinhares, em Linhares (ES).
Eleição na CCEE. A homologação do novo estatuto social da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), aprovado pela Aneel na terça-feira (20/1) e publicada no Diário Oficial da União de quarta (21) garante a continuidade do processo de indicação para selecionar os conselheiros de administração. Veja como ficou o estatuto.
Agronegócio. A eletrificação total do agronegócio brasileiro é uma tendência para 2026, com a maior chegada das baterias ao país, além de intensificação da adoção da eletromobilidade.
- As soluções para o setor incluem utilização de sistemas híbridos com baterias, automação inteligente e eletromobilidade.
Descarbonização da logística rodoviária. Joint-venture entre Ipiranga e Chevron no segmento de lubrificantes, graxas e fluídos, a Iconic deu início a um projeto-piloto para adotar um corredor azul, a biometano, entre Rio de Janeiro e São Paulo.
- Atualmente, 28% das viagens realizadas entre a região metropolitana de São Paulo e Duque de Caxias (RJ) já são feitas com carretas movidas ao combustível renovável.
Opinião: Tratar o carbono como variável estratégica pode reduzir custos e gerar vantagem competitiva. Quem reagir apenas quando o sistema estiver plenamente ativo tende a pagar mais caro, escreve o sócio e CEO do Tahech Advogados, André Almeida Gonçalves.
