O governo do Irã reconheceu oficialmente, pela primeira vez, que ao menos 3.117 pessoas morreram durante as intensas manifestações antigoverno que varreram o país nas últimas semanas, segundo dados divulgados pela televisão estatal e órgãos oficiais iranianos.
De acordo com o Ministério do Interior iraniano e com a Fundação dos Mártires e Veteranos, os números divulgados nesta quarta-feira (21) foram compilados com base em informações da organização médico-legal do país. Entre os mortos estão civis e membros das forças de segurança, com 2.427 descritos como “inocentes” na contagem oficial.
As manifestações começaram no final de dezembro de 2025, inicialmente motivadas por insatisfação com a crise econômica, desvalorização da moeda e aumento do custo de vida, e rapidamente se transformaram em um movimento mais amplo de contestação ao regime teocrático. As autoridades responderam com uma forte repressão, incluindo o uso de força letal contra os protestos que se espalharam por várias cidades do país.
Organizações de direitos humanos internacionais, no entanto, contestam os números oficiais e afirmam que o total de mortos pode ser significativamente maior, com estimativas de mais de 4.500 mortos, incluindo civis não envolvidos diretamente nas manifestações, como menores de idade e pessoas que apenas se encontravam nas proximidades dos protestos.
O anúncio do governo iraniano ocorre em meio a um cenário marcado por restrições de comunicação e bloqueios de internet, o que dificulta a verificação independente dos fatos e amplia as preocupações sobre a transparência das informações.
Autoridades iranianas têm atribuído a violência a “elementos terroristas e agitadores”, responsabilizando influências externas pelos confrontos, ao passo que grupos de direitos humanos e familiares das vítimas exigem maior responsabilização pelas ações das forças de segurança durante a repressão.
O episódio representa um dos mais sangrentos confrontos entre Estado e civis no Irã em décadas, com repercussão internacional e preocupações renovadas sobre direitos humanos no país.
