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Putin se reúne com líder palestino e promete US$ 1 bi em ativos congelados pelos EUA para reconstrução de Gaza

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O presidente russo, Vladimir Putin, recebeu em Moscou o líder da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, para anunciar a disposição da Rússia em destinar US$ 1 bilhão para a reconstrução da Faixa de Gaza. 

Putin detalhou que os recursos seriam provenientes de ativos russos congelados nos Estados Unidos e enfatizou que a criação de um Estado palestino é fundamental para a estabilidade no Oriente Médio. 

Durante o encontro, o líder russo ressaltou que as relações bilaterais possuem raízes históricas profundas e informou que o uso desses fundos será discutido com representantes do governo Trump, uma vez que o mecanismo legal para a transferência ainda depende de negociações com Washington.

O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, esclareceu que, embora a proposta vise o direcionamento de recursos por meio do “Conselho da Paz”, ainda existem aspectos técnicos e jurídicos que precisam ser analisados. 

Peskov reiterou a posição de Moscou de que o congelamento dos ativos foi uma medida ilegal, afirmando que o governo “continuará a usar todos os meios possíveis para descongelar esses ativos” e que o eventual uso de parte dos valores para fins humanitários não implica o abandono das reivindicações legais para sua restituição integral. 

Abbas, por sua vez, aproveitou a visita oficial para denunciar os crimes da ocupação israelense e a destruição generalizada de infraestruturas essenciais, em um contexto onde a violência na região já vitimou dezenas de milhares de palestinos. Desde outubro de 2023, Israel matou 71.562 palestinos e feriu 171.379. As constantes violações do cessar-fogo pelos ocupantes desde outubro de 2025 resultaram na morte ou ferimentos de mais de 1.820 civis em Gaza.

A estrutura e objetivos do Conselho de Paz

Paralelamente, em Davos, o presidente Donald Trump formalizou a criação do Conselho de Paz nesta quinta-feira (22), estrutura que pretende atuar na manutenção de cessar-fogos e na reconstrução de territórios. 

Em discurso, Trump não poupou críticas à eficácia dos organismos internacionais tradicionais, afirmando que “a ONU tem um potencial, eles poderiam ter acabado com essas guerras, mas não conseguiram”. 

O republicano defendeu que o novo grupo utilizará sua influência para consolidar um estado pacífico global. “Vamos acabar com décadas de sofrimento e banhos de sangue. Quando usamos nossa genialidade para paz é incrível. Quero colocar o Conselho de Paz em força total”.

O Conselho de Paz havia sido criado para supervisionar a questão da Faixa de Gaza, mas foi formalizado nesta quinta para uma atuação estendida. Ainda que tenha anunciado a participação de 59 países, menos de 20 governos assinaram a formalização do grupo.

Governança e soberania

A despeito da retórica pacifista, o Conselho de Paz enfrenta críticas por sua estrutura institucional e pelos termos de adesão. 

O estatuto da organização, ao qual agências internacionais como a Reuters tiveram acesso, estabelece que Donald Trump terá um mandato vitalício como presidente, além de deter poderes discricionários para convidar ou excluir membros conforme seus próprios interesses. 

Outro ponto central do desgaste é a exigência financeira: cada nação interessada em ingressar no grupo deve desembolsar a quantia de US$ 1 bilhão, recursos que ficarão sob a administração direta da Casa Branca, o que gera ceticismo sobre a imparcialidade do fundo.

A composição do conselho de fundadores também reforça as críticas de que o órgão funciona como uma extensão do poder pessoal e político de Trump, incluindo figuras como seu genro, Jared Kushner, e empresários do setor financeiro. 

A Casa Branca divulgou os 7 integrantes fundadores do Conselho: Marco Rubio, secretário de Estado dos EUA, Tony Blair, ex-primeiro-ministro do Reino Unido, Steve Witkoff, enviado especial dos EUA para a paz na Faixa de Gaza, Jared Kushner, genro de Trump, Ajay Banga, o presidente do Banco Mundial, Marc Rowan, empresário estadunidense, e Robert Gabriel, integrante do Conselho de Segurança Nacional.

A recusa da China em participar, sob a justificativa de defender uma “ordem mundial baseada na ONU”, e da Noruega, que apontou a falta de um “diálogo mais profundo” sobre a criação do grupo, evidenciam uma fragmentação diplomática. 

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