Nova greve no transporte expõe incapacidade de gestão de Braide e penaliza população de São Luís
Nova greve no transporte expõe falhas na gestão de Braide e prejudica moradores de São Luís
A nova paralisação dos rodoviários em São Luís evidencia, mais uma vez, as deficiências na administração do prefeito Eduardo Braide em resolver de forma definitiva a crise no transporte público da cidade. Desde a noite de sexta-feira (23), os funcionários da empresa 1001 pararam suas atividades devido a atrasos nos pagamentos de salários e benefícios, deixando milhares de passageiros sem transporte neste sábado (24).
Os ônibus não voltaram a circular, impactando diretamente os moradores de diversos bairros e agravando uma situação que se tornou recorrente na gestão municipal atual. Esta é a terceira paralisação da empresa em apenas dois meses, sempre motivada pelos mesmos problemas: salários atrasados, direitos trabalhistas desrespeitados e falta de controle por parte da Prefeitura.
Enquanto a população enfrenta filas, longas caminhadas e prejuízos, a Prefeitura de São Luís permanece presa a um sistema falho, sem fiscalização eficaz e sem um plano claro para reestruturar o transporte coletivo.
Moradores de bairros como Ribeira, Cohatrac, Tibiri, Forquilha, Parque Vitória, Alto do Turu, Vila Esperança, entre outros, estão sendo afetados pela paralisação. Essas regiões abrigam grande parte da população, onde o transporte público é essencial para o deslocamento ao trabalho, à escola e aos serviços de saúde.
Segundo o Sindicato dos Rodoviários do Maranhão, a paralisação ocorreu devido ao não pagamento do décimo terceiro salário, do tíquete alimentação de dezembro e do adiantamento salarial de janeiro, que deveria ter sido feito até o dia 20. Até o momento, não há previsão para a normalização do serviço.
A empresa 1001 permanece em silêncio, enquanto a Prefeitura, que deveria mediar e fiscalizar o contrato, observa passivamente a crise, como tem feito desde o início da gestão Braide.
Risco iminente de colapso no sistema
O cenário se agrava ainda mais. O Sindicato dos Rodoviários alertou para a possibilidade de uma paralisação total no transporte público na Grande São Luís, diante do impasse nas negociações da Convenção Coletiva de Trabalho de 2026.
De acordo com a entidade, a proposta foi enviada ao Sindicato das Empresas de Transporte (SET) em novembro de 2025. Desde então, as reuniões não têm avançado. Para o presidente do sindicato, Marcelo Brito, as negociações estão estagnadas e demonstram descaso com os trabalhadores e com os usuários do sistema de transporte.
A única proposta apresentada pelas empresas, que consistia em dividir a categoria em convenções separadas, foi rejeitada. Brito afirmou: “Se não houver definição nas cláusulas econômicas, especialmente em relação aos reajustes salariais e ao tíquete alimentação, cruzaremos os braços”.
Uma crise prevista e mal administrada
O colapso atual não é surpresa. Durante 2025, São Luís enfrentou várias paralisações, ameaças de greves e conflitos entre rodoviários, empresas e Prefeitura. A gestão Braide chegou a anunciar o rompimento do contrato com a empresa 1001, em uma decisão que pareceu mais uma estratégia política do que uma solução administrativa, resultando em questões judiciais.
Na prática, nada mudou. O sistema continua precário, os trabalhadores continuam sem garantias e a população segue dependente de um transporte caro, ineficiente e instável.
A cada nova paralisação, torna-se evidente a falta de liderança, planejamento e coragem política por parte da Prefeitura de São Luís para lidar de forma eficaz com o problema.
Enquanto isso, quem sofre são os cidadãos, abandonados em pontos de ônibus e obrigados a recorrer a soluções improvisadas.


