Sob tensão, Fed deve manter juros inalterados e liderar pares globais | Finanças
O Banco Central dos Estados Unidos e três dos bancos centrais que recentemente expressaram apoio ao presidente do Federal Reserve, Jerome Powell — enfrentando forte pressão — devem manter as taxas de juros inalteradas em um momento delicado para os formuladores de políticas monetárias globais.
Autoridades em Washington são amplamente esperadas a resistir aos apelos do presidente dos EUA, Donald Trump, por custos de financiamento mais baixos, na quarta-feira, ao término da reunião de dois dias. Bancos centrais no Brasil, Canadá e Suécia também podem manter as atuais condições monetárias.
Estes três países estiveram entre mais de uma dúzia, incluindo o Banco da Inglaterra e o Banco Central Europeu, cujos presidentes expressaram “plena solidariedade” a Powell, defendendo a independência das autoridades monetárias em um momento em que a administração em Washington intensifica a pressão sobre ele e seus colegas.
Além das frequentes críticas de Trump à relutância do Fed em reduzir juros, o banco central agora enfrenta intimações de um grande júri que podem resultar em acusações criminais, enquanto a Suprema Corte analisa se o presidente pode demitir a diretora Lisa Cook.
Além desse cenário tumultuado, todos os bancos centrais atuam em meio a um ambiente global tenso, evidenciado pela recente queda dos mercados no Japão, pela constante preocupação dos investidores com os planos de Trump em relação à Groenlândia e por suas reiteradas ameaças de novas rupturas no comércio internacional.
“Estamos lidando com um mundo mais suscetível a choques”, afirmou Kristalina Georgieva, diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional, na sexta-feira, durante a sessão de encerramento do Fórum Econômico Mundial em Davos. “Não estamos mais em Kansas.”
O que diz a Bloomberg Economics
“Acreditamos que a maioria dos membros do FOMC pode utilizar os dados para justificar a manutenção das taxas nesta reunião. Esse nível de consenso seria interpretado como um voto de apoio a Powell, que tem sido alvo de intensos ataques da Casa Branca”, afirmam os economistas Anna Wong, Stuart Paul, Eliza Winger, Chris G. Collins, Alex Tanzi e Troy Durie.
“Os votos mais relevantes a observar são os dos diretores Christopher Waller e Michelle Bowman: se optarem por manter as taxas juntamente com a maioria, estarão indicando a Trump que estão alinhados a Powell — inclusive na defesa da independência do Fed. Esperamos que Waller vote com a maioria, enquanto Bowman possivelmente dissente”, complementam.
Enquanto os formuladores de políticas se concentram nos riscos ao crescimento decorrentes das tarifas, também permanecem atentos a possíveis pressões inflacionárias no atual ambiente.
Cerca de 18 bancos centrais ao redor do mundo têm decisões agendadas para a próxima semana. Em contraste com o Fed, autoridades da África, enfrentando uma fase distinta do ciclo econômico, podem anunciar uma nova rodada de flexibilização monetária.
Entre outros destaques, dados de inflação da Austrália ao Brasil e ao Japão, lucros industriais da China e o Produto Interno Bruto da zona do euro estarão no foco.


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