As construções sociais da intolerância religiosa no Brasil
Em solo brasileiro, as construções sociais da intolerância religiosa se destacam. Embora não seja um fenômeno exclusivo do país, é evidente a estreita ligação, permeada por preconceitos, entre intolerância religiosa e racismo.
No contexto histórico brasileiro, observamos que os religiosos praticantes e seguidores de religiões de matrizes africanas são frequentemente alvos de perseguição por motivos religiosos.
A intolerância religiosa no Brasil está intrinsecamente ligada ao cenário de dominação social, política e religiosa, onde as religiões de matriz africana são estigmatizadas como representantes do mal a ser combatido pelos não adeptos.
Já nos primórdios do século 17, os cultos africanos despertaram atenção e preocupação das autoridades eclesiásticas coloniais.
No Brasil Império, a Constituição Imperial de 1824, estabelecida por D. Pedro I, declarava a religião católica como oficial, limitando a liberdade religiosa dos cultos não católicos.
Embora a Constituição de 1824 tenha apresentado avanços em relação à liberdade religiosa para os cultos não católicos, a concessão de direitos para os adeptos das religiões afro-brasileiras foi negligenciada.
A liberdade religiosa no Brasil, naquela época, visava principalmente atender aos interesses comerciais entre o Estado brasileiro e a Europa, especialmente a Inglaterra, em detrimento das práticas religiosas afro-brasileiras.
Os processos de negação de direitos aos adeptos das religiões afro-brasileiras estavam enraizados em construções negativas sobre as culturas africanas, que foram estigmatizadas desde os tempos coloniais.
No Brasil, assim como em outros países que exploraram a escravidão negra, as culturas e práticas religiosas afro-brasileiras foram reinterpretadas como formas de resistência e sobrevivência.


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