WO, o agente secreto – Os Analistas
WO não é apenas uma sigla. É um papel político. Um personagem frequente na cena maranhense cuja função histórica tem sido atuar contra o PT enquanto se apresenta em seu nome. Existem personalidades que entram para a história impulsionando-a; outras, como mencionava Georgi Plekhánov, especializam-se em fazer a história girar em falso. WO pertence a essa segunda categoria. Seu método é simples e eficaz: paralisar o PT para garantir, de maneira indireta, o sucesso contínuo dos herdeiros das oligarquias.
Estamos falando de Washington Oliveira, conhecido por seus aliados como “O Comandante”. O título sugere liderança, porém os resultados apontam para outra direção: não se trata de liderar vitórias, mas de administrar derrotas; repetidamente as mesmas, sempre favorecendo os mesmos grupos.
Não é surpreendente que seu pedido de filiação ao PT, em 1988, tenha sido inicialmente rejeitado. A maioria dos petistas era contra, por motivos objetivos. WO criticou consistentemente a formação do PT e da CUT, agindo contra as oposições sindicais emergentes e a favor do antigo sindicalismo pelego. Antes disso, ainda no PCdoB, ele se engajou entusiasticamente na campanha Força Total, claramente oposta aos movimentos políticos progressistas da Ilha. A solução encontrada foi pragmática: apoiar Lula primeiro, solicitar filiação depois. Funcionou. Apesar de forma.
Com o passar do tempo, no entanto, tornou-se evidente que WO não representava um desvio temporário, mas sim um padrão político. Ele se estabeleceu como um agente constante de bloqueio a qualquer chance real do PT governar São Luís ou o Maranhão. Não se trata de mera interpretação; trata-se de uma sucessão lógica de eventos.
Quando Flávio Dino abandonou a magistratura e buscou o PT, confrontou diretamente os interesses de WO e acabou no PCdoB. Em 2010, o Encontro Estadual do PT aprovou, por maioria, a chapa Flávio Dino (PCdoB) e Terezinha Fernandes (PT). Mesmo assim, WO e seu grupo atuaram deliberadamente em favor de uma intervenção nacional que resultou no constrangedor apoio do PT à chapa Roseana Sarney–Washington Oliveira. O resultado político foi evidente: o PT abriu mão de liderar um movimento progressista para se tornar mero coadjuvante do conservadorismo.
Em São Luís, a história se repetiu sem grande esforço criativo. O PT tinha reais condições de governar a capital com Bira. No entanto, WO e seus seguidores, em harmonia com a família Sarney, optaram por lançar a candidatura de WO para prefeito. O desfecho era previsível: mais uma derrota estratégica, celebrada como se fosse pragmatismo político.
Nem mesmo a vice-governadoria escapou dessa lógica. Trocou-se a oportunidade real de governar o Estado por um cargo vitalício no Tribunal de Contas, mediante o apoio do PT ao filho de Lobão em detrimento do campo democrático liderado por Flávio Dino. Nesse episódio, felizmente, as forças progressistas superaram tanto a oligarquia tradicional quanto seus colaboradores temporários vestidos de vermelho.
Agora, WO retorna liderando um consórcio diversificado de facções do PT em torno da candidatura de Orleans, filho de Marcus e sobrinho de Carlos Brandão. A estratégia é clara: reconstruir, de forma caricata, um novo ciclo oligárquico familiar, justamente quando o PT dispõe da pré-candidatura de Felipe Camarão, a única capaz de unir povo, propostas e vitória. Mais uma vez, trabalha-se contra o povo em nome de uma suposta estabilidade governamental sem a participação popular.
Frente a essa sequência impressionantemente coerente de eventos, a pergunta deixa de ser meramente retórica e se torna analítica:
WO atua a favor ou contra o PT?
Que benefício esse grupo obtém ao conspirar repetidamente contra as oportunidades históricas do partido? Não estaremos diante de um grupo que se aproveita do PT para perpetuar o filhotismo, o conservadorismo e a lógica oligárquica no Estado?
Se for esse o caso, não se trata de discordância tática ou pragmatismo político — desculpas comuns para escolhas indefensáveis. O que se revela é algo mais fundamental e sério: a traição política como estratégia. WO não age por engano; age sabendo exatamente qual destino evitar. Seu percurso sugere menos um líder fracassado e mais um operador eficaz do coronelismo, infiltrado nas estruturas da esquerda para neutralizá-la por dentro.
A pergunta final, portanto, é incômoda, porém inevitável: até quando o PT continuará servindo de instrumento para aqueles que, de forma consistente e metódica, trabalham para manter o partido longe do poder?
Prof. Xico


