Participante do BBB 26 revela condição silenciosa diagnosticada na filha; médico explica risco
Participante do Big Brother Brasil 26 revela condição silenciosa diagnosticada em sua filha; médico esclarece riscos
A participação de Chaiany na Casa de Vidro do Big Brother Brasil 26 trouxe à tona uma história íntima e sensível que rapidamente sensibilizou o público. Ao compartilhar que sua filha, hoje com 10 anos, enfrentou desde o nascimento um quadro de hidronefrose renal, a participante abriu espaço para uma discussão crucial sobre diagnóstico precoce, acompanhamento médico e os impactos emocionais de uma condição que, apesar de pouco conhecida, pode prejudicar gravemente a saúde se não identificada a tempo.
A revelação tocou milhares de espectadores não apenas pelo vínculo materno exposto em rede nacional, mas também por demonstrar que, mesmo diante de um diagnóstico delicado na infância, é possível ter qualidade de vida com a devida orientação. Para esclarecer o tema em profundidade, a revista CARAS entrevistou o urologista Dr. Nelson Batezini, que detalha o que é a hidronefrose renal e por que a atenção médica precoce faz toda a diferença ao longo da vida.
O que é a hidronefrose renal e como ela afeta o organismo
“A hidronefrose é basicamente o inchaço de um ou ambos os rins causado pelo acúmulo de urina, que não está conseguindo escoar normalmente por algum bloqueio ou dificuldade no trato urinário”, explica o médico.
Dr. Nelson Batezini esclarece que o rim tem a função de filtrar o sangue e produzir a urina, que segue por estruturas chamadas ureteres até a bexiga. Quando esse caminho encontra qualquer tipo de obstáculo, o funcionamento natural do sistema é comprometido.
“Quando existe uma obstrução nesses caminhos, seja por um cálculo renal, uma malformação, estreitamento ou refluxo, a urina começa a se acumular no interior do rim. Isso faz com que o órgão aumente de tamanho, condição que chamamos de hidronefrose”, explica o especialista.
De acordo com o urologista, esse acúmulo contínuo gera pressão dentro do rim, o que pode afetar progressivamente o tecido renal. Em crianças, especialmente, a condição exige vigilância constante, já que o organismo ainda está em desenvolvimento e pode sofrer danos silenciosos se o problema não for monitorado.
Diagnóstico precoce muda o curso da doença
Embora em alguns casos a hidronefrose não apresente sintomas evidentes logo no início, existem sinais que merecem atenção, tanto em adultos quanto em crianças. O médico alerta que ignorar esses indícios pode atrasar um diagnóstico fundamental.
“Dor na lombar ou no abdômen, necessidade frequente de urinar, sensação de que não esvaziou completamente a bexiga, ou até sangue na urina podem aparecer. Em bebês, o diagnóstico geralmente é feito por meio de ultrassom de rotina, que revela a condição mesmo antes que os sintomas surjam”, afirma o urologista.
O Dr. Nelson Batezini ressalta que identificar a hidronefrose ainda na infância pode prevenir consequências irreversíveis ao longo da vida. O acompanhamento médico regular permite avaliar se a condição é transitória ou se requer uma intervenção mais direta.
“Quando a urina fica acumulada por muito tempo, a pressão dentro do rim pode comprometer sua função. Por isso, o diagnóstico precoce e o acompanhamento com um urologista são fundamentais, especialmente em casos em que há risco de infecções ou dano permanente ao tecido renal”, enfatiza Dr. Batezini.
Tratamento, acompanhamento e qualidade de vida
O tratamento da hidronefrose varia de acordo com a causa e a gravidade do quadro. Em alguns casos, o acompanhamento clínico é suficiente; em outros, intervenções mais específicas se tornam necessárias.
“Em alguns casos, quando há infecção, usamos antibióticos. Se um cálculo ou obstrução está bloqueando o fluxo, podemos precisar de procedimentos para remover o obstáculo ou utilizar um stent para permitir que a urina flua normalmente. Em situações mais complexas, a cirurgia pode ser necessária para corrigir a causa do problema”, explica o especialista.
No relato de Chaiany, a filha convive atualmente com apenas um rim funcional, uma realidade que, segundo o urologista, não impede uma vida plena quando há cuidados constantes.
“Muitas pessoas com hidronefrose tratada e até com apenas um rim levam uma vida completamente normal, desde que sigam as orientações médicas, façam exames de controle e mantenham um estilo de vida saudável”, conclui o urologista.
A história compartilhada no Big Brother Brasil 26, além de emocionar, reforça a importância da informação e do diagnóstico precoce, mostrando que conhecimento e acompanhamento médico podem transformar trajetórias que começam com medo em histórias de superação e equilíbrio.
Dr. Nelson Batezini (CREMERS 26.958/RQE 23814) é médico urologista com ampla formação e atuação reconhecida na área de disfunções miccionais e urologia feminina. Graduado em Medicina pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), realizou residência em Cirurgia Geral no Hospital Nossa Senhora da Conceição e em Urologia no Hospital de Clínicas de Porto Alegre. Aperfeiçoou-se por meio de um fellowship em Disfunções Miccionais, Urologia Feminina e Urodinâmica na Universidade Federal de São Paulo – Escola Paulista de Medicina (UNIFESP), onde também obteve seu doutorado em Urologia. Foi médico assistente do setor de Urologia Feminina e Urodinâmica da UNIFESP entre 2008 e 2011 e atualmente é preceptor da Residência Médica em Urologia do Hospital de Clínicas de Porto Alegre.


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