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Brasileiro aceita prender inocente para evitar impunidade, revela pesquisa – Cubo

Brasileiro aceita prender inocente para evitar impunidade, revela pesquisa – Cubo

Brasileiro aceita prender inocente para evitar impunidade, revela pesquisa – Cubo

Brasileiros Preferem Prender Inocentes a Deixar Crimes Impunes, Mostra Pesquisa

Pesquisa inédita revela que a impunidade é considerada um mal maior do que condenar inocentes, porém a sociedade impõe limites quando a punição envolve a morte.

Um levantamento nacional de opinião pública, conduzido pela Ágora Consultores a pedido do ICL, revela um retrato complexo e, por vezes, contraditório do pensamento do brasileiro em relação à justiça, punição e direitos. A pesquisa, que entrevistou 9.497 pessoas em todas as unidades federativas entre 17 e 23 de novembro, indica uma sociedade essencialmente punitiva, mas que estabelece barreiras éticas quando as consequências se tornam irreversíveis.

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O estudo, divulgado em primeira mão pela Revista Liberta, apresentou aos participantes um dilema hipotético: em um grupo de dez pessoas acusadas de crimes graves, nove são culpadas e uma é inocente, sem identificação. Diante desse cenário, 42% dos brasileiros optaram por punir todas as dez, assegurando que os nove culpados não escapassem, mesmo que isso resultasse em injustiça contra um inocente. Apenas 15% escolheram não punir ninguém para preservar o princípio da presunção de inocência.

A análise qualitativa das respostas revela que para muitos, a impunidade é vista como o mal maior. Expressões como “todo crime deve ser punido”, “sem punição não há ordem” e “é melhor ter 90% de acerto do que impunidade” foram frequentes para justificar erros judiciais. Muitos transferiram a responsabilidade da prova para o inocente, argumentando que caberia a ele “buscar a Justiça” para provar sua inocência.

O Valor da Vida

Quando a punição coletiva envolve a morte, a situação muda drasticamente. Questionados se concordariam com a pena de morte para o mesmo grupo de dez, no qual uma pessoa é inocente, o apoio à punição cai para 17%. Esse percentual se manteve estável mesmo quando especificaram que o inocente a ser executado seria o próprio filho do entrevistado. Nesse caso, a maioria (51%) optou por não executar ninguém para evitar um erro irreversível.

Curiosamente, o comprometimento com a vida foi mais expressivo entre aqueles que não acreditam em Deus: 62% dos ateus se recusaram à execução, em comparação com 52% dos católicos, 60% dos evangélicos, 41% dos espíritas e 59% de outras religiões. Para esse grupo, a defesa se baseia em um princípio absoluto de que nunca é aceitável condenar um inocente, citando frases como “é melhor absolver mil culpados do que punir um inocente”.

Jovens, Violência e as Origens do Crime

O punitivismo também se manifesta na percepção sobre crimes cometidos por jovens. Quando questionados sobre assaltos a celulares praticados por adolescentes armados, 85% dos entrevistados demonstraram apoio a punições severas. Dentre eles, 32% defendem que tais atos devem ser reprimidos com violência e, se necessário, com a morte. Outros 53% reconhecem os assaltos como reflexo de um problema social, mas ainda assim exigem punição rigorosa.

A visão de que a solução está principalmente em políticas sociais para combater as causas do crime, como pobreza extrema e negligência estatal, é minoritária, reunindo apenas 12% das respostas. Para a maioria que reconhece o contexto social, as condições explicam, mas não justificam o crime, que é considerado um “desvio de conduta” a ser combatido com penas severas.

Reflexões sobre a Criminalidade

A pesquisa também avaliou a concordância com frases icônicas do debate sobre segurança. A expressão “bandido bom é bandido morto”, associada a posicionamentos de extrema direita, teve o apoio de 31% dos entrevistados. Por outro lado, 28% concordaram que “bandido bom é bandido atendido pelo Estado, com estrutura para garantir seus direitos e ser ressocializado”. A opção mais votada, com 38%, foi “bandido bom é bandido preso”.

O cientista político Diego Villanueva, diretor da Ágora Consultores, destacou a racionalidade predominante nas respostas. Ele ressaltou que a soma das opções pela prisão ou pela ressocialização representa 66% do total, indicando um desgaste em relação a métodos progressistas, porém sem abandonar totalmente a ideia de que é necessário “fazer diferente”.

Uma vez mais, diferenças significativas foram observadas de acordo com o perfil religioso. Os ateus lideram a adesão à ideia de ressocialização (52%), enquanto apenas 21% dos católicos e 22% dos evangélicos compartilham dessa visão. A frase “bandido bom é bandido morto” teve menor apoio entre ateus (30%), em comparação com 38% dos católicos e 32% dos evangélicos.

Os dados revelam um país dividido entre o desejo por ordem e a adesão a princípios éticos, onde a aversão à impunidade muitas vezes prevalece sobre a defesa de garantias individuais, mas onde o valor da vida estabelece um limite claro à busca por punição.

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