5 mitos e verdades sobre a doença
A hanseníase, originada pela bactéria Mycobacterium leprae, ainda gera incertezas, receios e concepções equivocadas, apesar de ser uma condição reconhecida pela comunidade médica há muitos anos. No contexto atual, a falta de informação continua sendo um dos principais obstáculos que retardam o diagnóstico e complicam o enfrentamento da doença no dia a dia da população.
O Brasil figura como o segundo país no mundo com maior número de novos casos dessa condição, de acordo com dados do Ministério da Saúde. Essa estatística realça a importância de ampliar o debate público, elucidar os sinais de alerta e desbancar narrativas equivocadas que ainda cercam o assunto.
“Alguns equívocos comuns incluem a crença de que a doença é altamente contagiosa e facilmente transmitida, a ideia de que é incurável, a convicção de que os indivíduos com hanseníase devem ser isolados e a confusão com falta de higiene. Todas essas informações são falsas e reforçam o preconceito”, afirma Cláudia Cisneros, dermatologista da rede de clínicas AmorSaúde, parceira do Cartão de TODOS.
Como a hanseníase se manifesta
De acordo com Cláudia Cisneros, a carência de informação ainda se destaca como um dos principais desafios para o controle da doença. A profissional explica que “a transmissão da doença ocorre por meio das vias aéreas, a partir do contato próximo e prolongado com secreções nasais, gotículas da fala, tosse ou espirro de pacientes sem tratamento”.
A médica enfatiza que, além de erradicar a bactéria, o início imediato do tratamento evita a progressão da doença e reduz significativamente o risco de complicações. “O diagnóstico precoce previne sequelas, deformidades e lesões nos nervos, além de interromper a transmissão”, esclarece.
Entre os principais sinais de alerta para hanseníase, Cláudia Cisneros destaca:
- Manchas na pele que não coçam e não doem e geralmente são acompanhadas de perda de sensibilidade ao toque, ao calor e frio, à dor ou a pequenos ferimentos;
- Formigamento ou dormência persistente, especialmente em mãos, pés ou outras regiões do corpo;
- Diminuição da força muscular, principalmente nas mãos ou nos pés, o que pode impactar atividades do dia a dia;
- Feridas que demoram a cicatrizar, muitas vezes associadas à falta de sensibilidade na pele.
A conscientização é crucial para dissipar dúvidas, reduzir o preconceito e alterar a percepção da sociedade sobre a doença (Imagem: Fabian Montano Hernandez | Shutterstock)
Mitos e verdades sobre a hanseníase
Ainda rodeada por numerosos estigmas, a médica ressalta que a informação é uma poderosa aliada na luta contra a hanseníase. Veja mitos e verdades sobre a doença:
1. Hanseníase é uma doença altamente contagiosa e de fácil transmissão
Mito. A transmissão ocorre somente por contato próximo e prolongado com uma pessoa sem tratamento. O convívio casual não propaga a doença.
2. O tratamento impede a transmissão da doença
Verdade. Após iniciar o tratamento, a pessoa deixa de transmitir a doença e pode manter sua rotina normalmente, sem necessidade de isolamento social.
3. É possível pegar hanseníase por abraço, aperto de mão ou beijo
Mito. O contato físico comum, como abraçar, cumprimentar, compartilhar talheres ou roupas, não transmite a hanseníase, mas, sim, o contato prolongado com secreções e gotículas de saliva de pacientes sem tratamento.
4. Hanseníase tem cura
Verdade. A hanseníase tem cura e o tratamento é feito com antibióticos.
5. A doença está relacionada à falta de higiene
Mito. A hanseníase não está associada à sujeira ou falta de cuidados pessoais, trata-se de uma infecção bacteriana.
Como prevenir a hanseníase
A prevenção da hanseníase está diretamente ligada ao diagnóstico precoce, ao início imediato do tratamento e ao acompanhamento das pessoas que convivem com o paciente. Identificar a doença nos estágios iniciais é a principal estratégia para interromper a cadeia de contágio e evitar sequelas físicas, já que a transmissão ocorre principalmente em contatos próximos e prolongados com indivíduos sem tratamento.
Cláudia Cisneros destaca que “a vigilância de contatos, a atenção aos primeiros sinais na pele e a busca por atendimento médico são medidas essenciais para o controle da doença”. Além disso, hábitos saudáveis e informação de qualidade ajudam a reduzir o risco de infecção e a combater o preconceito ainda associado à hanseníase.
Entre as principais medidas de prevenção, estão:
- Investigação de contatos próximos: pessoas que convivem na mesma casa ou têm contato frequente com alguém diagnosticado devem procurar avaliação médica, mesmo que não apresentem sintomas;
- Diagnóstico precoce: identificar a doença nos estágios iniciais é fundamental para interromper a transmissão, evitar danos nos nervos e prevenir deformidades permanentes;
- Busca imediata por atendimento médico: ao notar manchas na pele com perda de sensibilidade, formigamento ou dormência persistente, é essencial procurar um profissional de saúde o quanto antes;
- Manutenção da higiene e fortalecimento da imunidade: hábitos como boa alimentação, cuidados básicos de higiene e rotina saudável contribuem para o bom funcionamento do sistema imunológico;
- Conscientização e combate ao preconceito: informar-se sobre a hanseníase, compreender que ela tem cura e que o tratamento interrompe a transmissão ajuda a reduzir o estigma e incentiva mais pessoas a buscar diagnóstico e tratamento.
Por Nayara Campos


