Dia da Visibilidade Trans. Existir é um direito. Viver com dignidade é urgente
O Dia da Visibilidade Trans assinala uma história de resistência, luta e afirmação. Além de ser um símbolo, a data convoca a sociedade e as autoridades a assumirem compromissos concretos com a vida, segurança e cidadania da comunidade trans.
Camila Rodrigues, defensora dos direitos da população LGBT, mulher trans, praticante de religião de matriz afro e secretária do Cidadania Diversidade do Rio Grande do Sul, destaca que a visibilidade envolve conquistas, mas também enfrenta dores. É o reconhecimento das marcas deixadas por uma sociedade que ainda perpetua violência e exclusão. Para ela, ocupar espaços na política, cultura e fé é fundamental na luta por respeito e plena existência.
Dados recentes do Anuário sobre Violência contra Pessoas Trans apontam uma redução nos casos de assassinatos motivados por transfobia. Em 2020, 175 pessoas trans e travestis foram vítimas fatais. Em 2025, esse número diminuiu para cerca de 80. Não há motivo de celebração diante de vidas perdidas, mas a queda representa um alívio e evidencia que a visibilidade, o engajamento político e as políticas públicas salvam vidas.
Mariana Valentim, membro do Diretório Nacional do Cidadania, destaca avanços mesmo em um contexto social ainda reacionário e moralista. Pessoas trans estão conquistando espaços institucionais anteriormente negados. Pela primeira vez, o Congresso Nacional conta com mulheres trans eleitas, e a perspectiva para as eleições de 2026 é de uma ampliação dessa representatividade. Mariana enfatiza que a cidadania não pode ser limitada a grupos específicos. Pessoas trans devem estar presentes em todos os setores da sociedade.
Ela também alerta que, mesmo em governos que se dizem aliados, há poucas medidas efetivas, principalmente no cuidado integral em saúde para pessoas trans e travestis. Promessas não cumpridas transformam direitos em meras palavras. A pauta não deve ser utilizada como mero chamariz. É crucial tornar-se política pública real.
O secretário de Diversidade do Acre, Murilo Netto, reforça que a mensagem mais urgente é clara. Vidas trans são importantes e necessitam de proteção imediata. Isso requer políticas públicas eficazes em saúde, segurança, educação e empregabilidade. Reconhecer a existência não é suficiente. É imprescindível garantir dignidade, proteção e oportunidades reais.
Para Paulo Ovídio, secretário da Setorial de Diversidade do Cidadania Nacional, o papel do Cidadania nessa agenda é evidente. O partido assume a defesa da população trans como um compromisso democrático contínuo. Não se trata apenas de discurso ou gestos simbólicos, mas de ação política concreta. O Cidadania continuará pressionando por políticas públicas, defendendo recursos, ampliando a representação e assegurando que a visibilidade só faz sentido quando se traduz em direitos, cidadania e uma vida digna para todas as pessoas trans.


