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Assassinato do cão Orelha revela redes online de tortura de animais

Assassinato do cão Orelha revela redes online de tortura de animais

Assassinato do cão Orelha revela redes online de tortura de animais

Assassinato do cão Orelha revela redes online de tortura de animais

A morte do cachorro comunitário Orelha, em uma área nobre de Florianópolis (SC), destacou a crueldade contra animais e reacendeu o debate sobre a atuação de redes online que promovem a tortura. Quatro jovens estão sendo investigados pela polícia, suspeitos de participação no ataque que resultou na morte do animal e em outro ato violento contra um cão conhecido como Caramelo, que sobreviveu a uma tentativa de afogamento na Praia Brava.

Embora não haja evidências diretas da ligação dos suspeitos com grupos virtuais organizados, especialistas alertam que casos como o de Santa Catarina não surgem isoladamente. Plataformas online têm sido utilizadas para disseminar práticas extremas, em que a violência se torna um símbolo de identidade e reconhecimento, inclusive entre jovens e adolescentes.

Ao comentar sobre o incidente, a primeira-dama Janja da Silva afirmou que o episódio “é um alerta doloroso sobre uma geração exposta, desde cedo, a discursos e conteúdos digitais que trivializam a violência e transformam o sofrimento em entretenimento”. Para pesquisadores e promotores, a situação requer uma atenção especial por parte das famílias e das instituições.

Entre as práticas associadas a esses ambientes está o zoosadismo, caracterizado pela agressão intencional a animais por prazer ou para exibição online. O procurador de Justiça Fábio Costa Pereira, do Ministério Público do Rio Grande do Sul (MP-RS), afirmou à Deutsche Welle que “a violência contra animais é apenas uma parte de um contexto mais amplo, de um conjunto de comportamentos que servem como indicadores de processos de radicalização”.

Orelha em cuidados veterinários após ser agredido. Foto: Reprodução

Investigações jornalísticas internacionais revelaram que essas redes também movimentam dinheiro. Em 2023, a BBC expôs um esquema global no qual pessoas pagavam por vídeos de macacos sendo torturados e mortos na Indonésia. No ano seguinte, a CNN revelou grupos que lucravam com a mutilação e morte de gatos, utilizando plataformas como Telegram, X e YouTube.

A disseminação desse conteúdo preocupa organizações de proteção animal. Uma coalizão internacional reportou ter recebido denúncias de mais de 80 mil links suspeitos em 2024, contendo vídeos que envolvem milhares de indivíduos de 53 espécies distintas. Apenas 36% desse material foi removido, sendo o Facebook e o Instagram os principais locais de hospedagem, de acordo com a pesquisa realizada.

No Brasil, os maus-tratos a animais são considerados crime, com penas que podem chegar a cinco anos de prisão em situações envolvendo cães e gatos. Dados do Conselho Nacional de Justiça apontam que, desde 2021, houve um aumento de 1.400% nos processos desse tipo. Ainda assim, novos episódios continuam a surgir, como a morte do cachorro comunitário Abacate, baleado no Paraná, ressaltando a gravidade estrutural do problema.

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