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Lobista ligado a Epstein avisou bilionário que se reuniria com donos da Globo, diz documento

Lobista ligado a Epstein avisou bilionário que se reuniria com donos da Globo, diz documento

Lobista ligado a Epstein avisou bilionário que se reuniria com donos da Globo, diz documento

Título: Lobista relacionado a Epstein informou bilionário sobre reunião com proprietários da Globo, conforme documento

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos concluiu a revisão dos registros ligados a Jeffrey Epstein e começou a liberar o material publicamente nesta sexta-feira (30). O acervo é extenso: mais de 3 milhões de páginas, cerca de 2 mil vídeos e 180 mil imagens. A publicação encerra meses de disputas entre o governo americano, juízes federais e parlamentares sobre o formato e o ritmo da divulgação.

Entre os documentos já divulgados, há um e-mail de 2013 em que o financista britânico Ian Osborne avisa a Epstein que estava no Brasil para se encontrar com representantes da Rede Globo e do banco Itaú, além do empresário Eike Batista. A mensagem não detalha o conteúdo dessas reuniões, apenas menciona a agenda de Osborne no país.

Na troca de mensagens, Epstein pergunta a Osborne onde ele está, e a resposta é: “No Brasil. Ontem falei em uma conferência de tecnologia aqui; hoje com Eike; amanhã e domingo com as famílias Marino (Itaú) e Marinho (Globo), duas das três mais ricas e poderosas daqui”.

A família Marinho controla o Grupo Globo, fundado por Roberto Marinho em 1965. Após sua morte em 2003, os filhos Roberto Irineu, João Roberto e José Roberto Marinho assumiram o comando. Eles estão entre os mais ricos do Brasil, com patrimônio conjunto estimado em cerca de US$ 9 bilhões em 2024.

Já a família Villela Marino é uma das famílias fundadoras e principais acionistas do Itaú Unibanco, atuando por meio da holding Itaúsa. Ricardo Villela Marino (CEO das operações na América Latina) e Rodolfo Villela Marino (diretor da Itaúsa) são os principais representantes da nova geração, herdeiros de Milu Villela e netos de Eudório Libânio Villela.

Quem é Ian Osborne

Osborne é apontado em um processo judicial em Londres como um articulador nos bastidores com acesso a círculos empresariais, políticos e midiáticos de alto nível. O caso envolve o ex-CEO do banco britânico Barclays, Jes Staley, e revelou trocas de mensagens entre Osborne e Epstein sobre uma iniciativa informal chamada “Project Jes”, com o objetivo de favorecer a nomeação de Staley para o comando do banco anos antes de sua efetiva posse em 2015.

Ao longo de sua carreira no mercado financeiro, Osborne construiu reputação como alguém com conexões entre bilionários, executivos de tecnologia, políticos e grandes grupos de mídia. Ele fundou a Hedosophia, uma empresa de investimentos que participou de investimentos em companhias como Spotify e Alibaba, conforme pessoas familiarizadas com o fundo. Além disso, atuou como conselheiro e relações públicas de figuras influentes do Vale do Silício e de governos.

As mensagens apresentadas no processo mostram Osborne e Epstein discutindo estratégias para influenciar pessoas bem posicionadas no governo britânico, na imprensa econômica e dentro do próprio Barclays. A ideia era criar um ambiente favorável à escolha de Staley para o cargo máximo do banco após a saída do então CEO, em meio ao escândalo da manipulação da taxa Libor.

Email de Ian Osborne para Epstein, mencionando os Marinhos e Eike Batista

Osborne teria sugerido abordar autoridades políticas e reguladoras e afirmado que poderia ajudar “nos bastidores” do processo. Ele, o Barclays e executivos citados nas mensagens negaram comentar o conteúdo quando procurados pela imprensa internacional.

Relação com Epstein

Jeffrey Epstein, que faleceu em 2019 enquanto aguardava julgamento por acusações de tráfico sexual, mantinha uma ampla rede de contatos entre empresários e figuras públicas. O material agora divulgado reforça que Osborne fazia parte desse círculo e que os dois trocavam mensagens sobre negócios e influência corporativa.

Nesse conjunto de comunicações, surgiu a referência ao Brasil e às reuniões com famílias associadas ao controle da Globo e do Itaú, além de Eike Batista. Os documentos não indicam irregularidades envolvendo esses grupos brasileiros, apenas mencionam que seus nomes surgem na agenda relatada por Osborne a Epstein.

O caso de Jes Staley segue em disputa judicial no Reino Unido. A autoridade financeira britânica baniu o executivo do mercado e aplicou multa milionária, sob a alegação de que ele teria enganado o regulador sobre a natureza de sua relação com Epstein. Staley contesta a decisão.

Com a liberação gradual dos arquivos pelo governo dos EUA, novos detalhes sobre as conexões internacionais de Epstein e de seus interlocutores ainda podem vir à tona.

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