BOMBA: distribuidora de livros “exclusiva” do PL? Empresa do Piauí fatura milhões sem licitação em prefeituras aliadas de Josimar Maranhãozinho no Maranhão
Uma empresa jovem, um caminho meteórico até cofres públicos maranhenses e um detalhe curioso: quase todos os contratos no Maranhão passam por prefeituras ligadas ao Partido Liberal (PL) do deputado federal Josimar Maranhãozinho. Coincidência? O enredo chama atenção — e merece lupa.
A Connectt Distribuidora LTDA, sediada na localizada na Avenida Odilon Araújo, nº1193, Bairro Cristo Rei, Teresina-PI, foi aberta em 20 de março de 2023. Em 29 de fevereiro de 2024, houve alteração societária onde adionando Jades Dantas de Carvalho, que ficou como unico sócio, logo depois, em 25 abril 2024, a empresa começou a fechar contratos em série com prefeituras maranhenses. O padrão se repete: administrações do PL e bases políticas associadas ao deputado Josimar Maranhãozinho.
Nada aqui é ilegal por si só — convém registrar. O ponto é o desenho: concentração de contratos, mesmo partido, mesmas bases e contratações diretas como regra.
O fio condutor dos contratos
Levantamentos em diários oficiais e portais de transparência indicam que todos os contratos da Connectt no Maranhão foram firmados com prefeituras comandadas pelo PL (com uma exceção pontual de outro partido), muitas delas bases eleitorais centrais do grupo político do deputado e de sua esposa, a deputada Detinha.
Prefeituras com contratos
- Zé Doca – Flavinha Cunha (PL)
- Centro do Guilherme – Auricélio (PL)
- Aldeias Altas – Kedson Lima (PL)
- Boa Vista do Gurupi – Dilcilene Oliveira (PL)
- Santa Luzia do Paruá – Vilson Ferraz (PL)
- Morros – Paraíba (PL)
- São Francisco do Maranhão – Francisco do Posto (PL)
- Cândido Mendes – Facinho (PL)
- São João dos Patos – Dr. Alexandre (Avante)
O mapa político ajuda a entender por que a sequência chama atenção: Zé Doca e Centro do Guilherme são apontadas como principais bases do grupo.
Licitação? Quando dá, pula
Outro ponto recorrente é o modelo de contratação. A maioria dos vínculos ocorreu por inexigibilidade — instrumento legal, sim, mas excepcional. Na prática, significam contratação direta, sem a concorrência ampla típica de uma licitação tradicional.
Aqui não se afirma irregularidade. Mas o uso reiterado desses caminhos, sempre pelos mesmos entes e mesma empresa, costuma acender alertas em órgãos de controle, justamente por reduzir competição e transparência.
Empresa nova, faturamento rápido
Não é crime uma empresa recém-criada vencer contratos públicos. O estranhamento surge quando o crescimento acelerado coincide com alinhamento partidário total e mecanismos de contratação simplificados. Em jornalismo, isso tem nome: padrão.
O que dizem os registros — e o que eles não dizem
Os documentos públicos mostram datas, valores e modalidades. O que não mostram é o critério de escolha quando não há disputa aberta. Quem recomendou? Por quê? Houve pesquisa de mercado? As atas aderidas eram compatíveis com a realidade local?
Perguntas legítimas. Respostas, nem sempre.
Transparência não é ataque
Vale reforçar: esta matéria se baseia em informações públicas e não acusa crime. Aponta fatos, conexões políticas e um modelo de contratação que, pela repetição e pelo alinhamento partidário, merece fiscalização. Transparência protege o gestor correto e expõe o que precisa ser corrigido.
Se tudo estiver dentro da lei, ótimo. Que se explique. Porque, do jeito que está, a impressão é de que a Connectt virou a “distribuidora oficial” de um partido no Maranhão. E, em tempos de dinheiro público curto, impressões custam caro.


