Construtora Canorte acumula contratos milionários e falta de transparência na prefeitura de Matinha
A atuação da Construtora Norte Canorte no município de Matinha tem despertado o interesse de órgãos de fiscalização, lideranças políticas locais e da população em geral. Em um período de pouco mais de um ano, a construtora já faturou mais de R$ 4,3 milhões em contratos públicos, firmados em duas gestões distintas, levantando preocupações sobre a concentração de contratos, continuidade administrativa e critérios de contratação.
Entrada no apagar das luzes de uma gestão
A Norte Canorte chegou a Matinha em 2024, último ano da gestão da ex-prefeita Linielda de Eldo. Durante esse período, a empresa recebeu R$ 1.427.778,64, principalmente para realizar serviços de pavimentação asfáltica. O montante significativo, contratado no final do mandato, gerou críticas nos bastidores políticos e questionamentos sobre as prioridades administrativas e o planejamento a longo prazo.
Continuidade e ampliação na nova gestão
Com a posse do prefeito Nilton Everton, em 2025, a Norte Canorte não apenas manteve os contratos existentes, como também expandiu consideravelmente suas atividades no município. Apenas no último ano, os repasses totalizaram R$ 2.894.974,90, elevando o valor total recebido para R$ 4.322.753,54 em aproximadamente 12 meses.
Entre os serviços contratados encontram-se:
- Pavimentação asfáltica na zona rural de Matinha;
- Construção de quadra coberta com vestiário, seguindo o padrão do FNDE;
- Reforma e ampliação da Escola Municipal Clodomir Teixeira Millet;
- Construção de uma escola de 12 salas (padrão FNDE), sendo o contrato mais substancial, no valor de R$ 6.136.274,75, com término previsto para 18 de setembro de 2026.
Além disso, chama atenção a falta de transparência em relação aos contratos divulgados no portal de transparência do município e do TCE, dificultando a fiscalização tanto da população quanto dos órgãos competentes. Apenas o contrato de construção da escola foi encontrado nos referidos portais.
Legalidade não afasta questionamentos
É relevante ressaltar que, até o momento, não há decisão judicial que aponte irregularidades nos contratos firmados com a Norte Canorte. No entanto, especialistas em administração pública ouvidos pela reportagem destacam que a elevada concentração de valores em uma única empresa, aliada à continuidade contratual entre duas gestões diferentes, requer uma transparência adicional.
A legislação permite as contratações, desde que observados os princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência. O problema surge, segundo analistas, quando a repetição frequente de uma mesma empresa se torna a regra, e não a exceção, especialmente em municípios de pequeno porte como Matinha.
O que a população quer saber
Residentes e líderes comunitários exigem respostas claras para questões como:
- Quais critérios técnicos colocaram a Norte Canorte à frente de outras concorrentes?
- Houve efetiva competição nos processos licitatórios?
- A execução das obras corresponde integralmente aos valores pagos?
Essas indagações não representam acusações, mas refletem o direito da sociedade de fiscalizar a utilização dos recursos públicos.
Transparência como obrigação
Em um contexto de maior escrutínio sobre os gastos públicos, casos como o de Matinha evidenciam a importância de portais de transparência atualizados, fiscalização por parte dos órgãos de controle e prestação de contas minuciosa. A crítica aqui não busca prejulgar, mas sim enfatizar a responsabilidade administrativa, especialmente quando cifras milionárias estão em jogo.
Afinal, os recursos são públicos, e o interesse primordial deve ser sempre o da população.


