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Escola modelo da USP reduz horário de aulas dos alunos por falta de profissionais

Escola modelo da USP reduz horário de aulas dos alunos por falta de profissionais

Escola modelo da USP reduz horário de aulas dos alunos por falta de profissionais

Por Isabela Palhares

A Escola de Aplicação da USP precisou implementar um plano de emergência, reduzindo o período de aulas do 1º ao 5º ano do ensino fundamental devido à carência de profissionais para atender os alunos com deficiência.

Reconhecida como um modelo de educação inclusiva e humanista, a escola verificou um aumento no número de matrículas de alunos com deficiência e transtornos nos últimos anos. Contudo, esse aumento não foi acompanhado pela contratação de profissionais especializados para lidar com essas crianças e adolescentes.

De acordo com informações apuradas pela Folha, desde o ano anterior, a direção da escola enviou diversos comunicados à reitoria solicitando a contratação desses profissionais, porém os pedidos não foram atendidos. Mesmo quando os pais buscaram auxílio judicial e obtiveram decisões favoráveis para obter esse suporte previsto em lei, a universidade contestou e não realizou as contratações.

No momento, a escola dispõe apenas de dois professores de educação especial para atender aproximadamente 40 estudantes que necessitam desse suporte.

Situada na Cidade Universitária, zona oeste da cidade, a Escola de Aplicação está vinculada administrativamente à Faculdade de Educação. A unidade conta com cerca de 700 alunos, do 1º ano do ensino fundamental ao 3º ano do ensino médio.

Tanto a escola quanto a faculdade não têm autonomia para contratar novos profissionais, sendo necessário solicitar e aguardar a autorização da reitoria da USP. Questionada pela Folha sobre a possibilidade de novas contratações, a reitoria não forneceu resposta.

“A USP, por meio da Escola de Aplicação e seus órgãos centrais, tem se empenhado arduamente para viabilizar as condições necessárias ao pleno funcionamento das atividades, adotando medidas administrativas e acadêmicas para minimizar eventuais impactos sobre os estudantes e suas famílias”, afirmou a universidade em comunicado.

Além dos professores especializados que atuam em sala de aula, a escola também solicitou a contratação de profissionais de apoio para oferecer suporte em higiene, alimentação e locomoção dos alunos com deficiência. Estima-se que pelo menos dez alunos necessitam do acompanhamento individual desses profissionais.

Devido à ausência da contratação desses profissionais especializados, a escola tem contado com estagiários para auxiliar no suporte a esses alunos. Conforme o calendário oficial da USP, esses estagiários iniciariam seus estágios somente em março.

Com o intuito de garantir o atendimento adequado e seguro a todas as crianças, a escola comunicou aos pais que reduziria o horário das aulas para as turmas do 1º ao 5º ano durante o mês de fevereiro, resultando em uma redução de 1h30 na carga horária diária dos alunos.

Anualmente, a escola disponibiliza 60 novas vagas para o ingresso de alunos do 1º ano. Em 2026, 25% dos matriculados apresentam algum tipo de diagnóstico que os torna elegíveis para a educação especial, demandando o acompanhamento de profissionais especializados.

Para efeito de comparação, nas redes públicas em todo o país, cerca de 5,6% dos estudantes estão matriculados na educação especial, conforme dados do Censo Escolar. O índice na Escola de Aplicação é consideravelmente superior à média nacional, pois se tornou uma referência em atendimento de qualidade a crianças e adolescentes com deficiência.

Em relato à Folha, pais de alunos manifestaram preocupação com a falta de contratação de profissionais especializados, temendo que o ensino, atualmente reconhecido pela excelência na inclusão, seja prejudicado.

Nesta segunda-feira (9), durante uma reunião com os pais dos alunos dos primeiros anos do ensino fundamental, o diretor da escola, Fábio Bezerra de Brito, informou ter conseguido antecipar a chegada dos estagiários para o dia 23 de fevereiro. Dessa forma, a redução do horário das aulas ocorrerá somente até a próxima sexta-feira (13).

“Estamos cientes de que essa não é a solução ideal, estamos em busca da contratação de professores de educação especial e de profissionais efetivos para atuar com esses alunos. Nos últimos anos, a escola tem conseguido suprir essa demanda com a ajuda dos bolsistas, porém, em 2026, essa situação se tornou mais desafiadora”, declarou durante a reunião, que foi transmitida online.

Originalmente concebida como uma escola modelo, por ser vinculada a uma das principais faculdades de formação de professores do país, a Escola de Aplicação enfrentou uma crise significativa devido à falta de contratação de profissionais. As famílias também reclamam do que consideram uma falta de comprometimento por parte da reitoria. Apesar de ser uma instituição pública, a escola não oferece, por exemplo, merenda aos estudantes.

Em nota, a reitoria reconheceu a importância de garantir um atendimento adequado a todos os estudantes e afirmou estar agindo de forma responsável e estruturada para ampliar o suporte à Escola de Aplicação.

“Dentre as medidas adotadas, a Pró-Reitoria de Graduação criou o Programa de Iniciação e Aperfeiçoamento da Docência, que prevê a concessão de 30 bolsas especificamente direcionadas à Escola de Aplicação. O objetivo é fortalecer o acompanhamento pedagógico e contribuir para um atendimento qualificado dos estudantes, ao mesmo tempo em que promove a formação prática de futuros professores.” Os bolsistas iniciarão suas atividades logo após o carnaval.

Também foi ressaltado que os estagiários estão sob supervisão pedagógica. Além disso, a reitoria afirmou estar cumprindo todas as decisões judiciais e tomando as providências necessárias dentro dos parâmetros legais e administrativos que regem a instituição pública.

A reitoria atribuiu o aumento significativo de alunos que demandam atendimento educacional especializado à qualidade do trabalho realizado na escola. “Esse crescimento é real e reflete, em parte, o fato de que muitos desses alunos não têm sido acolhidos por outras escolas da rede pública, somado ao reconhecimento geral do sério trabalho realizado na USP, o que tem motivado suas famílias a escolher a Escola de Aplicação.”