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Pesquisa mostra que americanos passam a simpatizar mais com palestinos que com israelenses

Pesquisa mostra que americanos passam a simpatizar mais com palestinos que com israelenses

Pesquisa mostra que americanos passam a simpatizar mais com palestinos que com israelenses

Título: Pesquisa aponta que americanos estão mais inclinados a simpatizar com palestinos do que com israelenses

Pela primeira vez desde que começou a mensurar essa percepção, o Gallup constatou uma maior empatia dos americanos pelos palestinos em relação aos israelenses no contexto do conflito no Oriente Médio. Os resultados da pesquisa foram divulgados recentemente.

De acordo com o levantamento, 41% dos entrevistados demonstram maior simpatia pelos palestinos, enquanto 36% afirmam apoiar mais os israelenses. Um ano antes, a situação era distinta: 46% demonstravam maior apoio a Israel e 33% aos palestinos. Durante o período de 2001 a 2025, Israel mantinha consistentemente uma vantagem, geralmente com uma diferença de dois dígitos.

Essa mudança ocorre em um momento em que a Faixa de Gaza enfrenta desafios significativos para se reconstruir após dois anos de conflito entre Israel e o Hamas. O embate teve início após o ataque do grupo em 7 de outubro de 2023, resultando na morte de cerca de 1.200 pessoas em Israel. Desde então, mais de 72 mil palestinos perderam a vida, de acordo com informações do Ministério da Saúde de Gaza. Grande parte do território foi devastada. A reconstrução tem sido lenta, prejudicada por bloqueios e confrontos esporádicos, mesmo após um cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos em outubro.

Repercussões políticas nos EUA

A mudança de percepção da opinião pública ocorre às vésperas das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, as quais têm potencial para redefinir o controle da Câmara e do Senado.

Embora a política externa raramente seja um fator decisivo nas eleições americanas, analistas apontam que a condução da guerra em Gaza pelo então presidente Joe Biden teve impacto na corrida presidencial de 2024. Por outro lado, o presidente Donald Trump enfrenta críticas em relação ao seu chamado “Conselho de Paz”, uma proposta para supervisionar a reconstrução de Gaza.

No campo democrata, 65% afirmam simpatizar mais com os palestinos, em comparação com 17% que apoiam Israel. A virada mais significativa ocorreu entre os independentes: atualmente, 41% desse grupo declaram maior simpatia pelos palestinos, enquanto 30% preferem Israel. No ano anterior, 42% dos independentes apoiavam Israel, contra 34% que apoiavam os palestinos.

Entre os republicanos, o apoio a Israel diminuiu em dez pontos percentuais desde 2024, atingindo o nível mais baixo desde 2004, conforme apontado pelo Gallup.

Divergências internas e lobby pró-Israel

Donald Trump e seus aliados no Congresso buscam retratar o Partido Republicano como o mais alinhado a Israel. No entanto, surgiram discordâncias dentro do movimento Maga. O apresentador Tucker Carlson e a ex-deputada Marjorie Taylor Greene criticaram o que consideram um apoio irrestrito dos Estados Unidos ao governo israelense.

No campo democrata, alguns parlamentares, como o deputado Seth Moulton, anunciaram que não aceitarão doações do American Israel Public Affairs Committee (Aipac) nesta eleição.

O Aipac, principal grupo de lobby pró-Israel nos Estados Unidos, destinou aproximadamente US$ 37,8 milhões em doações e atividades políticas durante o último ciclo eleitoral, conforme dados do OpenSecrets, entidade que monitora o financiamento político no país.

Líderes republicanos associam essa mudança de percepção ao aumento do antissemitismo. Em dezembro, Trump afirmou que o lobby pró-Israel já foi o mais influente em Washington, mas teria perdido força. Já o senador Ted Cruz alertou para um aumento do antissemitismo na ala conservadora durante o segundo semestre de 2025 e destacou os riscos políticos dessa tendência.

Apesar da alteração de opinião em relação ao conflito, estrategistas acreditam que o voto nas eleições de meio de mandato será determinado principalmente por questões domésticas. Pesquisas indicam que o custo de vida e o desempenho econômico lideram as preocupações do eleitorado, relegando as questões internacionais a um plano secundário.