Projeto cria política nacional de atendimento a pessoas com síndrome de Dravet – Notícias
Projeto cria política nacional de atendimento a pessoas com síndrome de Dravet
03/03/2026 – 16:15
Renato Araújo/Câmara dos Deputados
Denise Pessôa: pacientes enfrentam desafios no acesso a medicamentos
O Projeto de Lei 6188/25 estabelece, no Sistema Único de Saúde (SUS), a Política Nacional de Atenção Integral às Pessoas com Síndrome de Dravet.
O projeto, sob análise na Câmara dos Deputados, propõe medidas para identificação precoce, tratamento adequado, acompanhamento interdisciplinar e inclusão dos indivíduos afetados.
A síndrome de Dravet é uma forma rara de epilepsia (distúrbio neurológico) que se manifesta antes do primeiro ano de vida da criança.
As convulsões associadas à síndrome podem durar mais de cinco minutos e geralmente estão acompanhadas de febre alta.
Esta condição pode resultar em atrasos no desenvolvimento, dificuldades na comunicação, além de desafios com equilíbrio e mobilidade.
Diretrizes
A política nacional incluirá as seguintes diretrizes:
- Reconhecimento da síndrome de Dravet como prioridade nas ações de saúde pública, assistência social e direitos das pessoas com deficiência;
- Acesso universal e gratuito a medicamentos essenciais para o tratamento;
- Aceleração na avaliação, registro e incorporação de medicamentos ainda não aprovados no país pelo SUS, seguindo normas regulatórias e evidências científicas;
- Oferta de terapias interdisciplinares, aconselhamento genético e acompanhamento regular dos pacientes;
- Atualização contínua dos profissionais de saúde da rede pública para identificar e tratar a doença; e
- Promoção da integração social e suporte às famílias.
Cadastro nacional
O projeto também prevê a criação de um registro nacional das pessoas com síndrome de Dravet para planejamento e organização da assistência, respeitando os princípios da Lei Geral de Proteção de Dados.
A implementação da política nacional será integrada às estruturas já existentes do SUS e da rede de cuidados a doenças raras.
Além disso, garante-se ao cuidador principal do paciente acesso prioritário a programas de orientação, capacitação e apoio psicossocial.
O Poder Executivo pode estabelecer parcerias com instituições científicas, organizações de apoio a pessoas com doenças raras e entidades da sociedade civil para implementar as ações propostas.
Desafios
A autora da proposta, deputada Denise Pessôa (PT-RS), aponta que os portadores da síndrome de Dravet enfrentam obstáculos no diagnóstico precoce, escassez de profissionais qualificados e limitações na disponibilidade de terapias essenciais.
A deputada destaca as dificuldades no acesso a medicamentos como estiripentol, fenfluramina e canabidiol, o que resulta em desigualdades e litígios judiciais.
Denise Pessôa enfatiza que a política nacional “busca maior equidade, melhoria da assistência e aprimoramento no planejamento dos cuidados de saúde”.
Próximos passos
O projeto será avaliado, em caráter conclusivo, pelas comissões de Saúde; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.
Para se tornar lei, o projeto precisa ser aprovado pela Câmara dos Deputados e pelo Senado.
Reportagem – Marcelo Oliveira
Edição – Ana Chalub


