Moraes vota para tornar Malafaia réu, e pastor pergunta ‘que moral’ ministro tem pra julgar
Por Isadora Albernaz
O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), votou nesta sexta-feira (6) para aceitar uma denúncia contra Silas Malafaia e tornar o pastor réu por calúnia, injúria e difamação por ter chamado generais de “frouxos” durante uma manifestação bolsonarista em abril de 2025.
Em entrevista, o pastor alegou ser vítima de “perseguição” por parte de Moraes e questionou “que moral esse indivíduo tem para julgar alguém?”.
“Nenhuma, ele [Moraes] deve ser afastado imediatamente e sofrer um impeachment. Estão aí os crimes dele que estão sendo expostos do seu envolvimento com [Daniel] Vorcaro [proprietário do Master] e do dinheiro substancial que a esposa dele recebeu para obter poder e influência. Isso é vergonhoso.”
Vorcaro trocou mensagens de WhatsApp com Moraes no dia em que foi preso, em 17 de novembro de 2025, conforme reportagem do jornal O Globo que teve acesso a nove mensagens trocadas entre os dois via WhatsApp entre as 7h19 e as 20h48 daquele dia. Em uma das conversas, o então banqueiro pergunta: “Alguma novidade? Conseguiu ter notícia ou bloquear?”. O ministro negou ter recebido as mensagens.
O jornal também revelou que Vorcaro contratou o escritório da esposa de Moraes, Viviane Barci, por R$ 3,6 milhões mensais, valor que ultrapassa a prática do mercado.
“Ele [Moraes] quer silenciar, como sempre fez, seus opositores. Mas eu não tenho medo dele, por isso estou falando”, completou o pastor ao mencionar o magistrado.
O julgamento de Malafaia pelo ataque aos generais ocorre no plenário virtual do Supremo, no qual não há debate e os ministros apenas depositam os votos. Moraes é o relator do caso e foi o único a votar até o momento.
Caso os demais ministros da Primeira Turma sigam Moraes, uma ação penal que avaliará se Malafaia é culpado ou não será iniciada na corte. Além de Moraes, compõem o colegiado Flávio Dino (presidente), Cristiano Zanin e Cármen Lúcia.
No caso de condenação pelo crime de injúria, Moraes solicita ainda um agravamento da pena devido ao comentário ter sido feito contra um funcionário público, em razão de suas funções, e na presença de várias pessoas e por ter sido divulgado nas redes sociais.
Malafaia foi denunciado pela PGR (Procuradoria-Geral da República) em 18 de dezembro de 2025. O caso teve início em uma representação feita pelo comandante do Exército, general Tomás Paiva, após um discurso do pastor na avenida Paulista.
Em 6 de abril do ano passado, do alto do carro de som, o líder religioso atacou o Alto Comando do Exército, mas sem citar nomes. “Cadê esses generais de quatro estrelas, do Alto Comando do Exército? Cambada de frouxos, cambada de covardes, cambada de omissos. Vocês não honram a farda que vestem. Não é para dar golpe, não, é para marcar posição”, afirmou.
O ato foi convocado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para pressionar por anistia aos envolvidos nos ataques golpistas de 8 de janeiro de 2023.
Em seu voto, Moraes destacou que a PGR descreve “detalhadamente” as ofensas de Malafaia. A denúncia afirma que o líder religioso proferiu “palavras negativas”, indicando injúria, além de ter demonstrado “vontade livre e consciente de imputar” crime de prevaricação, o que pode configurar calúnia.
“Em resumo, portanto, da denúncia claramente se depreende as indicações precisas de quando as declarações consideradas caluniosas e injuriosas – devidamente transcritas na peça acusatória – foram feitas pelo denunciado, diante de milhares de pessoas e também compartilhadas em seu perfil da rede social Instagram”, escreveu o ministro.
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, encaminhou o caso para Moraes sob o argumento de haver “estrita conexão entre as condutas denunciadas” e as investigações dos inquéritos das fake news e das milícias digitais.
Malafaia afirmou que o caso deveria ser enviado à Primeira Instância. “O que tem a ver liberdade de expressão numa manifestação com inquérito de fake news? Esse é o jogo, é o conluio entre eles. [Gonet] Mandou para Alexandre de Moraes, para Alexandre de Moraes me denunciar por calúnia, injúria e difamação. Eu não tenho prerrogativa de função no STF, eu não tenho foro”, disse.
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