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Brasil entra na era da quarta idade e desafia famílias

Brasil entra na era da quarta idade e desafia famílias

Brasil entra na era da quarta idade e desafia famílias

O envelhecimento da população brasileira está avançando rapidamente ao longo das últimas décadas, evidenciando um aumento significativo na quantidade de pessoas com 80 anos ou mais, uma faixa etária muitas vezes referida como quarta idade. De acordo com projeções do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o país está passando por uma transição demográfica caracterizada pela diminuição das taxas de natalidade e pelo aumento da expectativa de vida, o que resulta em um maior número de idosos em idades avançadas.

O conceito de quarta idade tem sido adotado por especialistas na área do envelhecimento para descrever a fase da vida que se inicia após os 80 anos, período em que a longevidade se torna mais notável e desafiadora tanto social quanto em termos de saúde. A Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG) destaca que o crescimento desse grupo etário representa uma das mudanças demográficas mais relevantes no país, demandando atenção especial quanto à organização do cuidado e à implementação de políticas voltadas para a população idosa.

O cenário observado no Brasil reflete uma tendência global. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a população mundial com 60 anos ou mais deverá atingir cerca de 2 bilhões de pessoas até 2050. A OMS também aponta que o grupo etário que mais cresce é o de indivíduos com 80 anos ou mais, o que tem impulsionado discussões acerca de políticas de saúde, modelos de cuidado de longo prazo e estratégias de apoio familiar em diversos países.

Estudiosos do envelhecimento populacional ressaltam que viver por mais tempo traz consigo novas demandas relacionadas à saúde e à rotina diária. Artigos científicos publicados na revista Ciência & Saúde Coletiva, da plataforma SciELO (Scientific Electronic Library Online), indicam que o aumento da longevidade está associado à maior prevalência de doenças crônicas e à necessidade de um acompanhamento mais constante em idades avançadas.

As políticas públicas destinadas à população idosa têm buscado ampliar o cuidado a esse grupo. Informações disponíveis no portal oficial do Ministério da Saúde destacam que a promoção da saúde e um acompanhamento contínuo são estratégias fundamentais para preservar a autonomia, prevenir complicações e melhorar a qualidade de vida na terceira idade.

O aumento da população em idades avançadas tem impacto direto na estrutura familiar. Com mais pessoas vivendo por mais tempo, cresce a demanda por um acompanhamento diário por parte de filhos, cônjuges e outros familiares. Um levantamento divulgado pela Agência de Notícias do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revela que o envelhecimento populacional tem ampliado o número de familiares envolvidos diretamente no cuidado de idosos no país.

Estudos também indicam que o cuidado com idosos no Brasil ocorre principalmente no âmbito familiar. Uma pesquisa publicada na Revista Brasileira de Enfermagem (REBEn), disponível na plataforma SciELO (Scientific Electronic Library Online), mostra que a maior parte dos cuidados diários com idosos é realizada por familiares, especialmente mulheres, como esposas, filhas ou noras, evidenciando que o suporte familiar continua sendo a principal forma de assistência à população idosa no país.

Na prática, essa mudança demográfica já está impactando o cotidiano das famílias brasileiras, que precisam se ajustar a uma realidade na qual pais e avós vivem mais tempo e podem necessitar de um acompanhamento mais próximo em sua rotina.

De acordo com Bruno Butenas, fundador da empresa de cuidado domiciliar Geração de Saúde, o aumento da população acima de 80 anos já está alterando a forma como muitas famílias organizam o acompanhamento dos pais e avós em sua rotina.

“O Brasil está passando por uma mudança demográfica significativa. Cada vez mais pessoas estão atingindo os 80 ou 90 anos, o que requer novas abordagens na organização do cuidado dentro das famílias”, afirma.

“Após os 80 anos, questões como mobilidade dentro de casa, administração de medicamentos, alimentação e monitoramento da saúde ganham maior importância. Um acompanhamento adequado auxilia na redução de riscos e contribui para que o idoso mantenha sua autonomia e qualidade de vida”, explica.

Com o crescimento da quarta idade, pesquisadores e organizações ligadas ao envelhecimento destacam que o debate sobre formas de cuidado de longo prazo tende a se expandir. O aumento da longevidade destaca a necessidade de estratégias que promovam a autonomia, segurança e qualidade de vida para uma população que está vivendo cada vez mais.

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