A “russificação” do Brasil – DAGOBAH
Poder e corrupção na decadente república brasileira
Lê-se nos jornais que a empresa J&F, dos irmãos Joesley e Wesley Batista, investiu R$ 25,9 milhões na empresa que adquiriu as cotas do resort Tayayá, pertencentes a Dias Toffoli do STF, em 2025. Quem lê tem a sensação de que o cenário se assemelha à realidade russa. Uma aliança entre Oligarcas, STF, PGR, Governo e PT se estabelece como única força soberana. E, tudo indica, não está disposta a abrir mão desse poder.
Sim, pode parecer exagero, mas não é. Observa-se um processo de “russificação” do Brasil. Abaixo estão apenas algumas evidências:
- O STF não esclarece as relações financeiras duvidosas de Toffoli (indicado por Lula para a corte) com o Master, reveladas no escândalo envolvendo seu resort Tayayá.
- O STF não justifica a anulação por Gilmar da decisão da CPI do Crime Organizado de quebrar o sigilo do fundo Arleen, administrado pela Reag (envolvida no escândalo Master e com conexões com organizações do crime organizado) e que adquiriu as cotas da família Toffoli no Tayayá.
- O STF não explica os 130 milhões destinados ao escritório da esposa de Moraes, conforme contrato com o Master.
- O STF não dá explicações sobre a transferência de R$ 18 milhões do Banco Master e da JBS (ou J&F) dos irmãos Batista para uma empresa de consultoria (com faturamento de apenas 25 mil reais) que, posteriormente, fez pagamentos ao filho do ministro Kássio Nunes Marques.
- O PT não justifica o contrato de 1 milhão por mês com o Master para Mantega, ex-ministro da Fazenda do PT (indicado para aquela organização do crime organizado de Vorcaro pelo líder do PT no Senado, Jaques Wagner).
- O PT não esclarece o contrato de 5 milhões do Master com o filho de Lewandowski (ex-membro da suprema corte indicado por Lula e ex-ministro da Justiça do seu terceiro governo).
- O PT não esclarece as relações (e os negócios) de Jerônimo, governador petista da Bahia, com o Master, por meio de Augusto Lima.
- O PT não justifica as conexões do filho de Lula (Lulinha) com o Careca do INSS, nem o suposto pagamento mensal que ele recebia do responsável pelo desvio de dinheiro dos aposentados.
- O STF não explica por que Flávio Dino cancelou a quebra de sigilo de Lulinha na CPI do INSS.
Está complicado. Mas o que realmente há de semelhante com a Rússia nisso tudo?
Na Rússia autocrática, desde o início do século, houve uma aliança estratégica entre 1) os oligarcas – grandes empresários (muitos corruptos) associados ao Estado ou favorecidos pelo governo – 2) a FSB (ex-KGB) e 3) os partidos sob o controle do ditador Putin e o judiciário totalmente alinhado (ou subordinado) ao governo. Esta foi a forma encontrada por eles para permanecer no poder: máfia! Putin está no comando há mais de 25 anos e planeja permanecer (ou ser substituído por um indicado) pelo menos até a década de 2030.
No Brasil, Joesley e Wesley Batista representam os oligarcas acima da lei, inclusive atuando em funções estatais (negociando com governos estrangeiros; como a Venezuela e os Estados Unidos, como se fossem chefes ou representantes informais, mas com plenos poderes, da nossa diplomacia). Financiam (e corrompem) grupos empresariais e políticos infiltrados em todos os poderes, privatizando entidades públicas. E há muitos outros atuando de maneira semelhante, em âmbito nacional e internacional, como o banqueiro André Esteves, detido em 2015 (em Bangu 8) e posteriormente perdoado pelo STF (com o arquivamento do inquérito contra ele em 2018) com os votos majoritários de Ricardo Lewandowski, Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes e… Dias Toffoli! No caso dos irmãos Batista, por estarem acima da lei, suas dívidas, determinadas por decisões judiciais, foram perdoadas pelo STF (notavelmente pelo mesmo Toffoli, um ex-advogado da CUT e do PT que foi elevado, ainda jovem e inexperiente, ao cargo de supremo magistrado por Lula – é crucial nunca esquecer). Isomorfismo: máfia!
O aparelhamento merece destaque. Além do advogado da CUT e do PT ter se tornado ministro do STF: o advogado pessoal de Lula também se tornou ministro do STF; o amigo da família de Lula em São Bernardo, ligado ao sindicalismo do ABC, virou ministro do STF; o aliado político de Lula e do PT, ex-militante petista e militante do Partido Comunista do Brasil até junho de 2021, se tornou ministro do STF. E o chefe da segurança de Lula assumiu a chefia da Polícia Federal (a mesma Polícia Federal que não explicou como o Sicário, principal operador mafioso de Vorcaro, se suicidou estando sob sua custódia, detido em uma cela monitorada por câmeras).
Grandes veículos de comunicação influenciados pela tropa petista na mídia e por colunistas partidários (ex-jornalistas, alguns oportunistas, outros desertores, que se tornaram propagandistas oficiais) atuam como se estivessem no Pravda. Existem canais de TV que às vezes se assemelham à TV estatal russa.
O PT, por sua vez, desempenha, na prática, funções semelhantes à FSB. Lula (não por acaso admirador de Putin e aliado da Rússia – líder do eixo autocrático contra as democracias liberais) é o supremo líder populista que se alia ao STF (aparelhado por indicações políticas) e a uma PGR sem firmeza (subordinada ao STF e ao governo), formando uma coalizão para intimidar, coagir e reprimir opositores, dificultando ou impedindo a alternância de poder – violando assim o princípio democrático da alternância e renovação.
A resistência à tentativa de golpe de Estado articulada pelo governo anterior não justifica tais ações. Passaram-se cerca de 40 meses, não há mais ameaça iminente de golpe, no entanto, o espectro político de Bolsonaro é utilizado diariamente para que a coalizão no poder se apresente como a eterna “salvadora da democracia”. O suposto golpe agora, segundo essa coalizão, seria a derrota de Lula nas eleições de 2026. Como se a substituição eleitoral de governos não fosse um elemento intrínseco às democracias.
Assim, esperam eleger Lula, pela quarta vez, em 2026 e, se tudo correr como planejado, estabelecer um sucessor em 2030 e além.


