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Mulher mais votada da história de Pinhais (PR), vereadora Miss Preta enfrenta episódio de racismo na Câmara Municipal

Mulher mais votada da história de Pinhais (PR), vereadora Miss Preta enfrenta episódio de racismo na Câmara Municipal

Mulher mais votada da história de Pinhais (PR), vereadora Miss Preta enfrenta episódio de racismo na Câmara Municipal

Mulher mais votada da história de Pinhais (PR), vereadora Miss Preta enfrenta episódio de racismo na Câmara Municipal

“Eu fui eleita pelo voto, não por cotas”. A declaração foi feita pela vereadora Jane Carteira (Solidariedade) durante um debate com a vereadora Miss Preta (PT), única representante negra da Câmara de Pinhais, a qual obteve a maior quantidade de votos no município, localizado no Paraná.

Em resposta ao incidente, Miss Preta, também vice-presidente do PT no Paraná, registrou um boletim de ocorrência por racismo contra Jane Carteira na quarta-feira (18). O caso também foi comunicado ao Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, com pedido formal de investigação dos acontecimentos.

Em comunicado, Carteira afirmou que “em nenhum momento” teve a intenção de “ofender ou prejudicar a vereadora ou qualquer outra pessoa”.

Em entrevista ao Brasil de Fato PR, Miss Preta destaca que o episódio faz parte de uma série de ataques coordenados que ela considera dirigidos contra o exercício de seu mandato. Ela afirma: “Os ataques ao meu mandato não são isolados. Eles são reflexo de um sistema e de uma estrutura legislativa que ainda não estão preparados para lidar com uma vereadora jovem, negra, que fiscaliza, cobra e questiona. Isso incomoda e incomoda muito […] Tenho convicção de que, se esse mesmo trabalho fosse realizado por um homem branco, ele não estaria enfrentando tudo o que eu enfrento dentro da Câmara Municipal de Pinhais.”

Recentemente, em 9 de março, durante a inauguração da Galeria Lilás, Miss Preta solicitou a palavra e foi impedida de se manifestar pelo presidente da Câmara, vereador Anderson Pioco (PSD).

Nessa mesma sessão de terça-feira, a vereadora relata ter sido alvo de ataques verbais por parte de outro vereador, comportamento que ela caracteriza como violência política de gênero. Boletins de ocorrência foram registrados em relação às condutas atribuídas tanto ao vereador Tielo Staes (Republicanos) quanto ao presidente da Casa, Anderson Pioco.

A legislação eleitoral brasileira não estabelece cotas raciais para a eleição de vereadores. O sistema adotado é o proporcional, no qual os candidatos conquistam seus mandatos de acordo com os votos recebidos nas urnas. Na eleição municipal de 2024, a vereadora Miss Preta foi eleita com 1.608 votos.

Ataques anteriores

Em março de 2025, ainda como pré-candidata, a vereadora denunciou à polícia ataques racistas recebidos nas redes sociais. Em um vídeo publicado na época nas redes sociais, a vereadora condenou as ofensas e afirmou que “o racismo não pode ficar impune”. Na ocasião, ela registrou um boletim de ocorrência na Delegacia de Polícia Civil do município, que abriu um inquérito para investigar o caso.

Na semana seguinte, a vereadora recebeu novas ameaças e ofensas racistas, dessa vez enviadas por outro perfil do Instagram. Em uma nova mensagem, ela foi chamada de “negra suja” e “macaca fedida”. O autor também afirmou que Miss Preta deveria renunciar ao mandato e a ameaçou de morte, fazendo referência ao assassinato da vereadora Marielle Franco. “A milícia tem que colocar Edna no caixão, mas não faz porque são burros”, dizia um trecho da mensagem, acompanhada de emojis de caixão.

Na ocasião, a parlamentar ressaltou que as mensagens recebidas têm o intuito de desumanizá-la e reforçar estereótipos racistas. “Não conseguirão me silenciar. Levarei essa luta até as últimas consequências para que os responsáveis sejam devidamente punidos pela justiça”, afirmou.

Outro lado

Em comunicado, a vereadora Carteira afirmou que “em nenhum momento” teve a intenção “de ofender ou prejudicar a vereadora ou qualquer outra pessoa”. Ela acrescentou: “Minha fala ocorreu no contexto de defesa da legitimidade do processo eleitoral”.

Em relação à frase, Carteira explicou que se referia ao sistema eleitoral vigente e que utilizou novamente a tribuna para corrigir e complementar sua fala anterior, esclarecendo o tema das sobras eleitorais, com o intuito de evitar qualquer interpretação equivocada.

“Reafirmo meu respeito a todos os colegas parlamentares, bem como meu compromisso com os princípios da igualdade, da dignidade da pessoa humana e do combate a qualquer forma de discriminação. Lamento que minha manifestação tenha sido interpretada de maneira diferente da intenção original e reforço minha total disposição para o diálogo respeitoso e transparente”, concluiu.

Créditos