Flávio Bolsonaro pede ‘valores americanos’ no Brasil e diz que pai foi vítima da ‘tirania da covid’
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) parece ter se desvinculado da imagem de “moderado” que vinha adotando em Brasília para viabilizar suas ambições presidenciais. Em um evento da extrema direita no Texas, nos Estados Unidos, o filho mais velho de Jair Bolsonaro (PL) revelou um radicalismo que, em muitos aspectos, ultrapassa a truculência de seu pai. Com um discurso subserviente e negacionista em relação à perda de 700 mil vidas para a covid-19, o pré-candidato à Presidência escancarou seu lado mais perigoso.
Em frente a uma plateia norte-americana, o senador não apenas defendeu o ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado a 27 anos por tentativa de golpe, mas também colocou as riquezas estratégicas do solo brasileiro como moeda de troca política, pedindo intervenção externa na soberania nacional.
Submissão e proposta das riquezas nacionais
De forma clara, Flávio Bolsonaro demonstrou subserviência a Donald Trump ao solicitar que o “mundo livre” e o governo dos Estados Unidos exerçam “pressão diplomática” sobre as instituições brasileiras. Ele defendeu que as eleições de 2026 no Brasil sigam “valores de origem americana”, o que sugere um convite à interferência estrangeira no processo democrático brasileiro.
Em 2025, tal interferência ocorreu nas eleições em Honduras e na Argentina. No primeiro caso, Trump utilizou as redes sociais para apoiar o candidato de direita Nasry “Tito” Asfura e intimidar os concorrentes. Já no país vizinho ao Brasil, houve significativo apoio financeiro ao governo de Javier Milei.
Para atrair a atenção dos líderes em Washington, Flávio destacou o potencial mineral do Brasil como um ativo estratégico, ressaltando as reservas de minerais críticos e terras raras, fundamentais para a indústria tecnológica e militar global, sugerindo uma possível aliança com os interesses dos EUA sob uma gestão bolsonarista renovada.
O retorno do negacionismo: “Tirania da Covid”
Quase cinco anos após o início da crise sanitária global, Flávio Bolsonaro evidenciou que o clã não absorveu lições da história. Enquanto seu pai, no auge da crise, minimizava a gravidade da doença, o filho agora tenta reescrever o passado.
Flávio afirmou sem rodeios que Jair Bolsonaro lutou contra a “tirania da covid”. Tal declaração desrespeita as vítimas da pandemia, ao rotular de “tirania” as medidas de proteção à vida e os protocolos científicos, ignorando que a maioria das 700 mil mortes no Brasil ocorreu sob a gestão negligente de seu genitor.
Lawfare e teorias da conspiração
Mantendo a linha do extremismo, o senador acusou a prisão de seu pai como resultado de lawfare, e criticou a administração de Joe Biden, sem apresentar provas, de ter interferido nas eleições de 2022 para favorecer o atual presidente Lula. Flávio foi além ao reclamar da revogação do visto de um assessor de Trump, alegando que o Brasil estaria “expulsando diplomatas”, sem mencionar que o tal assessor buscava realizar uma inspeção política na prisão de Bolsonaro e se reunir secretamente com o ministro presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kássio Nunes Marques.
Ao solicitar “pressão externa” e oferecer as riquezas minerais do Brasil aos estrangeiros, Flávio Bolsonaro deixa claro que seu patriotismo é limitado pelo seu projeto de poder. Se o pai era o símbolo da controvérsia, o filho se apresenta como o arquiteto de uma entrega nacional ainda mais profunda, envolta em um radicalismo que desafia a realidade e a soberania do Brasil.
Violação de recomendações do STF
A participação de Flávio Bolsonaro ocorreu na Conferência Política de Ação Conservadora (CPAC, na sigla em inglês), o principal encontro da extrema direita nos Estados Unidos, e contou com a presença de seu irmão, Eduardo. Durante o evento, Eduardo afirmou estar gravando para mostrar ao pai, desrespeitando as restrições impostas pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Jair Bolsonaro está proibido de acessar redes sociais, telefones celulares ou qualquer meio de comunicação externa, inclusive por intermédio de terceiros. As informações são do Mídia Ninja.


