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Análise: 1ª a pedir ajuda e 1ª a decolar, como a Latam agora voa mais alto

Análise: 1ª a pedir ajuda e 1ª a decolar, como a Latam agora voa mais alto

Análise: 1ª a pedir ajuda e 1ª a decolar, como a Latam agora voa mais alto

A Latam Airlines Group consolidou-se como a principal força da aviação na América do Sul, deixando concorrentes para trás ao emergir fortalecida de um setor devastado pela pandemia. O que era inicialmente uma crise existencial se transformou em um ponto de virada estratégico.

Seis anos após passar pelo Chapter 11 nos Estados Unidos, a companhia está experimentando uma recuperação excepcional: suas ações subiram 54% no último ano, o melhor desempenho entre empresas globais do setor, mesmo com a correção recente nas últimas semanas.

No mercado de crédito, os bonds em dólar com vencimento em 2030 e 2031 alcançaram patamares históricos em 2026, gerando um retorno de 7,40% apenas no último trimestre.

Rentabilidade da ação da Latam Airlines no período de 1 ano, ticker LTM negociado na NYSE • TradingView

O contraste com os concorrentes é evidente. Avianca, Gol Linhas Aéreas Inteligentes e Azul Linhas Aéreas Brasileiras, todas também passaram pelo Chapter 11 nos últimos anos, ainda lutam para se recuperar aos níveis operacionais pré-pandemia.

A Latam optou por um caminho diferente: levantou cerca de US$ 5 bilhões em ações e títulos conversíveis em 2022, fortaleceu seu balanço com mais eficácia do que os concorrentes e reduziu aproximadamente US$ 1 bilhão em custos anuais.

No Brasil, Azul Linhas Aéreas e Gol Linhas Aéreas, juntamente com a Latam, dominam o mercado aéreo do maior país da região, mas continuam enfrentando desafios financeiros.

A Azul demorou até 2025 para entrar com o Chapter 11 e saiu do processo apenas na semana passada, após captar até US$ 950 milhões em novo capital. Em termos de ações, possui uma alavancagem significativa, com dívida líquida equivalente a 5,7 vezes o Ebitda.

A Gol, que concluiu sua reestruturação no ano passado com até US$ 1,85 bilhão em financiamento, não tem registrado lucro anual há quase uma década e opera com uma alavancagem superior a seis vezes o Ebitda.

Quadro das aéreas fora do Brasil

Fora do Brasil, a Avianca apresenta um cenário relativamente mais equilibrado. Após se reestruturar em 2021 e captar US$ 1,7 bilhão em novos recursos, a companhia colombiana redesenhou seu modelo para adotar um padrão low cost, reduziu sua frota e reconfigurou as cabines para aumentar a densidade por voo.

O resultado é uma relação dívida líquida/Ebitda inferior a três vezes, ainda alta, porém gerenciável dentro do setor.

Por sua vez, a Latam está em um momento diferente. A empresa acaba de anunciar dois anos consecutivos de lucros recordes, confirmando a confiança depositada por credores como JPMorgan Chase e Goldman Sachs, que estruturaram mais de US$ 2 bilhões em dívida no processo de saída da recuperação judicial.

Com uma geração de caixa consistente, expansão de rotas e aumento da frota, a companhia reduziu sua alavancagem para 1,5 vezes o Ebitda — abaixo da meta de duas vezes e bem menos do que as 4,2 vezes registradas em 2019.

Apesar disso, o potencial adicional de valorização dos bonds pode ser limitado. Os títulos com vencimento em 2030 e 2031 têm opções de resgate nos próximos dois anos, e o título de 2030 já pode ser refinanciado a partir de outubro, o que pode restringir ganhos adicionais.

Por outro lado, uma recompra antecipada fortaleceria ainda mais o perfil de crédito da empresa.

Atualmente, os títulos em dólar com vencimento em 2030 são negociados com yield de 7,462%, enquanto os de 2031 oferecem retorno de 7,312%. Esses níveis refletem uma empresa já considerada como recuperada, mas com prêmio comprimido.

Títulos privados da Latam Airlines compilados pela FINRA negociados nos EUA. • TradingView

A expansão da Latam no Brasil

A Latam Airlines Group planeja acelerar sua expansão, com foco especial no Brasil, ocupando o espaço deixado por concorrentes enfraquecidos.

Em setembro, firmou um acordo para adquirir até 74 aeronaves narrowbody da Embraer. As primeiras entregas estão programadas para o segundo semestre de 2026 e devem possibilitar a abertura de 35 novos destinos.

A definição das rotas e das cidades brasileiras atendidas pelo primeiro lote será realizada nos próximos meses.

A administração prevê manter o ritmo operacional, com estimativa de Ebitda entre US$ 4,2 bilhões e US$ 4,6 bilhões em 2026, superando os US$ 4,1 bilhões registrados no ano anterior.

A receita também deve crescer, passando de aproximadamente US$ 14,5 bilhões projetados para 2025 para algo entre US$ 15,5 bilhões e US$ 16 bilhões este ano, impulsionada pela expansão da capacidade e maior eficiência operacional.

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