Pré-candidatos ao Senado em Alagoas, Lira e Calheiros fazem posts para reivindicar mérito da isenção do IR
Rivais em Alagoas e pré-candidatos ao Senado pelo estado, o senador Renan Calheiros (MDB-AL) e o deputado federal Arthur Lira (PP-AL) voltaram a disputar a autoria do projeto de lei de isenção do Imposto de Renda, sancionado no ano passado. Após os embates no Congresso Nacional e a instalação de outdoors para divulgar a aprovação da medida, desta vez os parlamentares utilizaram as redes sociais em busca de reivindicar os efeitos eleitorais positivos. Enquanto Lira foi o relator da proposta na Câmara dos Deputados, Renan relatou a matéria no Senado, ambos escolhidos pelo governo pelo fato de manterem boa relação com opositores.
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Nesta terça-feira, Lira publicou fotos para “comemorar” que os brasileiros “estão pagando menos imposto”. Em uma das fotografias, ele destacou a isenção para quem recebe até R$ 5 mil mensais e, em outra, ressaltou os descontos aos que possuem renda de até R$ 7.350 por mês.
“Bom mesmo é saber que o brasileiro está pagando menos imposto. Com o Imposto de Renda Zero milhões de brasileiros aí recebem até 5 mil reais não vão mais pagar Imposto de Renda. Isso é mais dinheiro no bolso do trabalhador”, escreveu Lira.
No mesmo dia, Renan fez um post mencionando a Missão Artemis II, da Nasa, que realizou um sobrevoo lunar nesta semana. Com o questionamento sobre “o que há no lado oculto da Lua”, uma imagem feita por inteligência artificial mostra o senador segurando um cartaz com a frase “IR zero para quem ganha até R$ 5 mil já é realidade no Brasil”.
“Enquanto muita gente olha pra lua… Tem mudança importante acontecendo aqui na Terra. Imposto Renda Zero pra quem ganha até R$ 5 mil já é realidade no Brasil! Mais justiça pra quem mais precisa”, escreveu o senador.
Lira e Renan aparecem como os principais nomes da disputa ao Senado. Em fevereiro, o senador argumentou que Lira deveria permanecer na Câmara por não ter experiência suficiente em “ajudar o estado” para dar o salto no Congresso. No mês anterior, durante uma agenda na cidade de Pariconha, interior de Alagoas, Renan também se irritou quando foi perguntado sobre Lira durante a inauguração de uma escola e de um posto de saúde, conforme mostrou a newsletter “Jogo Político”, do GLOBO.
“Com o Arthur Lira eu não vou fazer aliança nem no sertão, nem em lugar nenhum de Alagoas. O Arthur Lira, se você recordar nos últimos anos, ficou contra todos os interesses do nosso estado. Foi presidente da Câmara e no momento que tinha mais poder não ajudou Alagoas. Perseguiu o estado, por isso é que ele não vai ter a satisfação de subir no mesmo palanque que eu”, respondeu ao Portal Ítalo Timóteo.
No dia da votação do projeto de isenção do IR no Senado, em novembro do ano passado, Calheiros fez questão de criticar o texto relatado por Lira. Segundo ele a proposta, contém “jabutis” (trechos inseridos em um projeto que não tem a ver com o objetivo original), mas concedeu parecer favorável ao texto diante da urgência de sua aprovação.
“O projeto da Câmara veio com muitos erros, diversos jabutis maliciosamente inseridos, o relator incluiu isenções tributárias brindando privilégios e comprometendo a arrecadação e neutralidade do projeto. Segundo dados da consultoria do Senado, o substitutivo da Câmara traz déficit”, disse durante seu discurso.
Lira, por sua vez, disse em nota disparada logo após a aprovação, que o “projeto foi alvo de politicagem, com críticas infundadas e estimativas equivocadas”. “Ao final, o Senado reconheceu que o projeto do deputado Arthur Lira é neutro fiscalmente, premissa basilar que norteou os trabalhos na Câmara dos Deputados”.
Dias antes da votação, Lira instalou outdoors divulgando em Alagoas a aprovação do projeto do IR por unanimidade na Câmara. Nos cartazes, a medida foi descrita como fruto do “trabalho” do deputado, que aparece na imagem de divulgação abraçando moradores. A assessoria nega que a divulgação tenha sido direcionada ao adversário político.
Sob relatoria de Lira, o projeto de lei foi aprovado na Câmara por votação unânime: todos os 493 votos computados foram a favor, indicando adesão total até mesmo da oposição.


