Líder da ultradireita mundial, Orbán é derrotado após 16 anos de poder na Hungria – Meio
A extrema-direita global sofreu um revés significativo neste domingo. Viktor Orbán, primeiro-ministro húngaro, admitiu a derrota nas eleições do país, com um resultado que promete ter repercussões em Washington e Moscou. O autoproclamado defensor da “democracia cristã iliberal” governou o país por 16 anos e é considerado um aliado por conservadores americanos alinhados ao movimento MAGA, a ponto de Donald Trump e seu vice JD Vance gravarem mensagens de campanha em seu apoio. Também é um amigo do Kremlin e um declarado antagonista dos líderes da União Europeia em Bruxelas. Orbán, que tem exercido um governo com crescente autoritarismo desde 2010, e seu partido Fidesz, foram derrotados por Peter Magyar, membro de centro-direita do Parlamento Europeu, e seu partido Tisza naquela que é possivelmente a votação mais importante do país desde o fim da era comunista.
Peter Magyar foi membro do partido de Orbán por mais de duas décadas, atuou como diplomata em Bruxelas e ocupou altos cargos em agências estatais. Porém, tornou-se o principal adversário do primeiro-ministro após romper com o Fidesz em 2024. Naquele ano, Magyar fundou o Tisza, um movimento político que conquistou 30% dos votos na Hungria durante as eleições para o Parlamento Europeu. A vitória no domingo foi impulsionada pela indignação pública generalizada com a corrupção e pela preocupação com o lento crescimento econômico. Magyar prometeu melhorar as relações com a União Europeia, que reteve fundos de desenvolvimento para a Hungria em meio a alegações de que Orbán minou as instituições democráticas.
O Tisza também assegurou supermaioria no parlamento húngaro, o que lhe dará o poder de fazer emendas à constituição do país. A expectativa, dentro e fora da Hungria, é que o novo governo reverta mudanças feitas por Viktor Orbán que enfraqueceram a independência dos tribunais, alteraram o sistema eleitoral e restringiram os direitos das minorias.
Com o legado de autocratização do país, Judiciário aparelhado, mídia controlada por aliados, e de atritos com a União Europeia, a derrota de Orbán gerou reações imediatas no bloco. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, declarou: “A Hungria escolheu a Europa. A Europa sempre escolheu a Hungria”. As medidas antidemocráticas de Orbán têm causado preocupações à UE há anos, mas a crise se intensificou após a invasão da Ucrânia pela Rússia. Devido ao mecanismo que requer unanimidade para certas decisões do bloco, Budapeste sob Orbán ganhou considerável influência ao ser frequentemente o único país contrário a medidas mais severas contra Moscou.
Rui Tavares observou: “Orbán previu desde o início a possibilidade de voltar à oposição, deixando um campo de batalha muito mais complexo do que da primeira vez (2002-2010). A dinâmica não será de partido contra partido, mas de cidadãos e Parlamento contra as armadilhas deixadas por Orbán.”

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