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‘Instrumentos financeiros dão tranquilidade para mitigar risco neste momento geopolítico’, diz presidente da Suzano | Empresas

‘Instrumentos financeiros dão tranquilidade para mitigar risco neste momento geopolítico’, diz presidente da Suzano | Empresas

‘Instrumentos financeiros dão tranquilidade para mitigar risco neste momento geopolítico’, diz presidente da Suzano | Empresas

Num momento de volatilidade gerada pelo conflito no Oriente Médio e pelas oscilações cambiais, a Suzano afirma que sua estratégia de proteção financeira tem garantido maior previsibilidade de resultados durante o período. Ao Valor, o presidente da companhia, Beto Abreu, afirmou que a combinação de disciplina nas políticas financeiras com o uso de derivativos tem contribuído para reduzir a exposição do negócio a choques externos.

Hoje, a Suzano conta com cerca de US$ 5,6 bilhões em fluxo de caixa operacional protegido por “hedge”, a uma taxa média de R$ 5,97 a R$ 6,90 por dólar. A proteção também se estende ao petróleo, um dos principais vetores de custo da indústria, especialmente no transporte marítimo.

De acordo com Marcos Assumpção, vice-presidente executivo de finanças e de relações com investidores, a companhia estruturou operações de “hedge” quando os preços estavam em patamares mais baixos e mantém atualmente quase 100% dos contratos de bunker protegidos. No trimestre, isso fez com que a companhia obtivesse um ajuste de caixa positivo de R$ 48 milhões.

Em relação aos preços de celulose, a avaliação da empresa é que os impactos da instabilidade geopolítica variam de acordo com a região. Na Europa, produtores enfrentam pressão imediata nos custos de energia, especialmente o gás natural, o que pode levar a fechamento de capacidade ou a repasses de preços. Esse movimento abre espaço para aumentos nesses mercados, assim como na América do Norte.

Já na Ásia, especialmente na China, o aumento da oferta de celulose de fibra longa tem pressionado a diferença de preço (“spread”, na sigla em inglês) entre a celulose de fibra curta e a de fibra longa, dificultando a implementação de novos reajustes, disse Assumpção.

No campo operacional, os executivos destacaram avanços de eficiência mesmo em um trimestre sazonalmente mais fraco, marcado por paradas para manutenção. A companhia registrou redução de 7% nos custos na comparação com o trimestre anterior e afirma ter conseguido absorver integralmente a inflação. Em 12 meses, o volume de vendas atingiu recorde de 12,7 milhões de toneladas, impulsionado pela entrada do projeto Cerrado.

Para os próximos meses, a expectativa da companhia é de continuidade da volatilidade, sem uma reversão rápida dos fatores de incerteza global. Nesse ambiente, a estratégia da Suzano é seguir operando com disciplina financeira e instrumentos de proteção, apostando na diversificação geográfica e na eficiência operacional para atravessar o período de turbulência. “Os números mostram a resiliência do negócio”, disse Abreu.

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