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ACIG estreia coluna de opinião e critica contraste entre marketing oficial da prefeitura e a realidade das ruas em Grajaú – Portal do Sampaio

ACIG estreia coluna de opinião e critica contraste entre marketing oficial da prefeitura e a realidade das ruas em Grajaú – Portal do Sampaio

ACIG estreia coluna de opinião e critica contraste entre marketing oficial da prefeitura e a realidade das ruas em Grajaú – Portal do Sampaio

A Associação Comercial, Industrial e Agropecuária de Grajaú (ACIG), em suas redes sociais,  lançou oficialmente nesta sexta-feira (1º), sua coluna de opinião, com o objetivo de ampliar o debate público sobre temas relevantes para o desenvolvimento do município e da região.

OPINIÃO

Não é de hoje que moradores de diversos bairros denunciam ruas tomadas por crateras, lama, poeira excessiva e obras mal planejadas ou inacabadas, que dificultam o dia a dia de quem precisa trabalhar, estudar ou acessar serviços públicos.

O contraste entre a publicidade oficial de inauguração de obras de pavimentação e a realidade vivida nas ruas — marcadas por buracos, desníveis, lama e poeira — reforça a percepção de que as decisões sobre onde e quando asfaltar seguem mais critérios políticos e de marketing do que um planejamento técnico consistente de mobilidade urbana.

É contraditório e pouco responsável priorizar novos asfaltos em Grajaú quando a malha viária já existente se encontra esburacada, remendada e, em muitos pontos, praticamente intransitável. Esse cenário evidencia falhas no planejamento e na definição de prioridades do município. Em vez de ampliar vitrines de obras novas, a prefeitura deveria concentrar esforços na manutenção qualificada do que já existe, pois é isso que efetivamente impacta a segurança, a economia local e a confiança da população.

Manutenção antes da expansão

A engenharia de pavimentação é clara: pavimento bem mantido dura mais, custa menos e é mais seguro do que aquele em que se empurra com a barriga o reparo dos danos. Estudos técnicos destacam que a manutenção preventiva e corretiva de vias (reparo rápido de buracos, recuperação de base, tratamento de fissuras) prolonga a vida útil do asfalto e evita intervenções muito mais caras no futuro.

Quando um município prioriza novos quilômetros de asfalto sem garantir orçamento, cronograma e equipe para cuidar da malha já existente, ele cria um passivo oculto: em pouco tempo, esse “asfalto novo” também estará destruído, repetindo o ciclo de buracos, poeira e lama que hoje já afeta tantos bairros de Grajaú.

Impactos para segurança e economia local

Vias esburacadas aumentam o risco de acidentes, especialmente com motociclistas e ciclistas, que são maioria no trânsito de cidades médias e pequenas; quedas, danos a veículos e dificuldade de frenagem em pista irregular são consequências diretas da ausência de manutenção adequada.

Para um município que é polo econômico regional e busca atrair investimentos em comércio, indústria e serviços, como deveria ser o caso de Grajaú, infraestrutura viária mínima e previsível é condição básica: empresário não investe onde caminhão quebra, cliente não consegue chegar e a cidade vive em permanente estado de “obra inacabada”. Isso também se aplica ao Governo do Estado.

Planejamento, eficiência e prioridades públicas

Do ponto de vista da boa governança, a administração municipal deveria pautar-se por critérios de eficiência, economicidade e planejamento: nenhum gestor responsável inicia frente de obra nova sem garantir que consegue conservar, em padrão minimamente satisfatório, aquilo que já está sob sua responsabilidade. Em linguagem simples, a lógica deveria ser: primeiro consertar e manter bem o que já existe, depois expandir, e não o contrário.

A opção política de multiplicar anúncios de novos asfaltos enquanto a cidade ainda convive com crateras antigas comunica uma mensagem perigosa: a de que aparência de obra rende mais dividendos políticos do que a qualidade efetiva do serviço prestado ao cidadão. Isso corrói a confiança nas instituições, fortalece a descrença na capacidade do poder público de planejar a longo prazo e alimenta um ciclo de improvisos que, no fim, sai mais caro para todos.

O que seria um caminho mais responsável

Um caminho mais sério passaria por:

  • Elaborar e divulgar um plano municipal de pavimentação e manutenção, com diagnóstico público das ruas, critérios técnicos de prioridade (fluxo de veículos, acesso a serviços essenciais, riscos de acidentes) e cronograma claro de intervenção.
  • Vincular qualquer novo projeto de pavimentação a estudo prévio de impacto e de custo de manutenção futura, para evitar obras cenográficas que em poucos anos se desintegram, voltando tudo à estaca zero.
  • Integrar pavimentação com drenagem e saneamento básico: asfalto sem drenagem adequada é convite à erosão, buracos e alagamentos, como a própria população de Grajaú já relata em vários pontos da cidade.
  • Melhorar a fiscalização das empresas, exigindo qualidade na execução, cumprimento de prazos e planejamento por trechos (quadra a quadra).

Defender que a prefeitura cuide primeiro da pavimentação já existente não é ser contra o progresso, mas justamente o contrário: é exigir que o progresso não seja apenas uma camada fina de piche sobre um problema estrutural, e sim fruto de planejamento sério, respeito ao dinheiro público e compromisso real com a qualidade de vida de quem vive e produz em Grajaú.

ASSOCIAÇÃO COMERCIAL, INDUSTRIAL E AGROPECUÁRIA DE GRAJAÚ/MA

*Este espaço destina-se à apresentação de ideias oriundas das discussões do empresariado, com o objetivo de influenciar o debate público e contribuir para o desenvolvimento do município de Grajaú e da região.

Créditos