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Flávio é o maior – Meio

Flávio é o maior – Meio

Flávio é o maior – Meio

O Partido Liberal deu 15 dias para Flávio Bolsonaro. A notícia talvez pareça surpreendente. O prazo é pra quê? Vejam bem: tem alguma dúvida de que Flávio Bolsonaro se tornou o mais importante personagem do maior escândalo de corrupção da história do Brasil?

Deixa eu repetir: Flávio Bolsonaro é o maior personagem do maior escândalo de corrupção da história do Brasil.

Vamos sustentar esses números? Os dois grandes escândalos de corrupção da Nova República, antes do Master, são o Mensalão e o Petrolão. Nas contas do Tribunal de Contas da União, endossadas pelo Ministério Público e pela Polícia Federal, o Mensalão custou 101,6 milhões de reais.

O Petrolão foi muito maior do que isso. Nas contas da Polícia Federal, foram desviados 42 bilhões de reais entre 2004 e 2014. Num espaço de dez anos. A empresa conseguiu recuperar pouco mais de 6 bilhões.

Vamos dar de barato que o presidente Lula de fato ganhou de presente, das empreiteiras, o sítio em Atibaia e o tríplex no Guarujá. Isso jamais ficou comprovado, mas tem indício o suficiente de que a coisa estava encaminhada. No total, triplex mais sítio, estamos falando de 3,4 milhões de reais.

E o caso do Banco Master? É a maior fraude bancária da história. De longe a maior. A conta com a qual o Banco Central trabalha, hoje, é de um calote de 47,3 bilhões de reais. O buraco do Master é quase 200 vezes maior do que o do Mensalão. E 25% maior do que o Petrolão. Com uma diferença não irrelevante, tá? O Petrolão ocorreu num arco de dez anos. O Master foi em sete. Do Petrolão a gente já fechou o número total. Do Master, bem, a conta ainda está sendo feita.

Já concordamos que é o maior desvio documentado da história da República? Muito bom. Agora precisamos confirmar se o personagem mais importante dessa história, o que ganhou mais, é mesmo Flávio Bolsonaro.

O ministro José Antonio Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, vendeu uma participação do resort Tayayá pra gente ligada a Daniel Vorcaro, o banqueiro do Master. No total, o aporte que ele recebeu foi de 3,3 milhões de reais. A essa altura, a gente tem de dizer: só isso. Até Guido Mantega ganhou mais, coitado do Toffoli.

Viviane Barci de Moraes, a advogada casada com o ministro Alexandre de Moraes, assinou um contrato de 129 milhões com o Banco Master. É grana, viu?

Mas e Flávio Bolsonaro? Quanto que ele pediu? 134 milhões de reais. A gente conhece o contrato do escritório Barci de Moraes e temos o áudio do Flávio pedindo. Ou seja, por tudo o que sabemos até agora, quem levou a maior bolada? Flávio Bolsonaro, o filho Zero Um de Jair Bolsonaro.

Podemos até reconhecer, olha só, que ele não ganhou tudo que lhe foi prometido. Vá, é verdade. O coitado só ganhou 61 milhões de reais. Vamos lembrar que o presidente Lula foi preso sob a acusação de ter ganho na forma de propina um sítio e um apartamento que, somados, davam menos quatro milhões?

Lula nega que ganhou o sítio. Flávio confirma que ganhou o dinheiro. Menos de 4 milhões de um lado, mais de 60 milhões do outro. Que Flávio Bolsonaro é o personagem mais importante do maior escândalo de corrupção documentado na República é fato.

Então o PL vai esperar 15 dias pra fazer o quê? Os políticos do Partido Liberal não estão nem aí pra corrupção, gente. Eles estão preocupados é com eleição. E, agora, precisam testar o que deseja o eleitor que costuma votar na família Bolsonaro. Existem quatro hipóteses na mesa.

A primeira é de que este eleitor é só antipetista puro. Se for, ele não está nem aí pro fato de Flávio ser o mais moderado, o mais vacinado e o mais corrupto dos Bolsonaros. Nada disso é relevante. Basta ganhar de Lula. Enquanto for quem tem mais chances de ganhar, vai nele.

Segunda hipótese: o que importa são os costumes. O problema é religioso. Aí, o limite moral é mais importante do que o financeiro, a performance em cultos evangélicos conta muito. Mas também conta não mentir, ser honesto e tudo o mais. Performar é mais importante do que ser íntegro de fato?

A terceira, libertarianismo. Estado pequeno, mercado com as rédeas, agenda de reforma. Qual a relevância de corrupção se o presidente eleito oferecer esse pacote completo? Agora, se for corrupto demais, aí via Centrão dificulta qualquer agenda séria de reforma.

E, por fim, a quarta. Lealdade tribal. A família como centro. É a hipótese Donald Trump, que diz que pode descer na Quinta Avenida, matar alguém com um tiro, e o eleitor continuará votando nele.

Esses quatro eleitores existem. O que ninguém sabe é qual a proporção de cada um. O PL quer tempo pra esperar que o Datafolha saia, a Quaest saia, a nossa Meio/Ideia saia. O que o PL vai descobrir nos 15 dias é qual dessas hipóteses é majoritária na base. E daí decide.

Agora, e se Flávio Bolsonaro tiver de sair porque o estrago foi grande demais? Aí, gente, aperta os cintos porque este ano a política brasileira vai mudar radicalmente.

Eu sou Pedro Doria, editor do Meio.

Quatro hipóteses sobre quem é o eleitor que pode salvar Flávio. Antipetista puro, religioso, libertário, leal à tribo. O PL pediu quinze dias pra descobrir qual pesa mais. Esse é o problema deles.

Quem assiste o Meio já tem o mapa. Conhece esse jogo. Ele está todo no primeiro episódio de Nós, Brasileiros — uma reportagem em vídeo que mostra os cinco tipos de brasileiros que dividem o país, hoje. Quem são, no que acreditam, em quem votam, e por que os partidos não conseguem mais conversar com nenhum deles direito. O segundo episódio está pra estrear. Os dois, no streaming do Meio.

Não dá pra entender 2026 sem entender quem é cada um desses cinco. O PL vai descobrir tarde. Você pode descobrir hoje.
Quinze pratas. Meio Premium.

Aliás… Este aqui? Este é o Ponto de Partida.

Repara os movimentos dentro da direita bolsonarista. O PL está vazando por aí que tem um plano B, com a senadora Tereza Cristina. Tem quem fale em Michelle Bolsonaro. É teste. Querem ver pesquisas com esses nomes, comparar com Flávio. Ver quem sobe, ver quem desce.

Ronaldo Caiado, presidenciável do PSD, fala em responsabilidade, mas escolhe ser vago. Romeu Zema, não, Zema foi na jugular. Rompeu total. Como romperam alguns influenciadores bolsonaristas, Rodrigo Constantino, Caio Coppola, Alexandre Garcia. Os vídeos que eles soltaram são de queimar as caravelas, queimar as pontes, não tem mais volta. O que todos têm em comum? Costumam falar com a parcela mais libertária desse eleitorado. Sua aposta é de que esse público não vai tolerar corrupção nesse nível.

Nikolas Ferreira, o deputado estrela das redes? Ele passou as últimas semanas gritando Master nas redes. Aí, bem, aí desapareceu. Está se fazendo de morto. Seu principal público é o evangélico. Ou será o antipetista? Ele precisa descobrir. Está calculando.

E tem aquela longa fila de rostos travados, aquele Sergio Moro com cara de peixe morto mal sustentando o corpo na ausência de qualquer espinha dorsal, né? Esse é um que não tem a mais vaga ideia do que fazer. Quer ter poder, quer ser governador, abandonou o Jair, sentiu que se ferrou, aí decidiu se atracar nas botinas do Flávio. Fazer o quê? Ele não sabe. É moralista, ou é antipetista?

Sexta-feira tem Datafolha, aí vai ter Meio/Ideia, vai ter Quaest. Na Atlas, a queda do Flávio foi de seis pontos. E a Atlas é a pesquisa na qual Flávio aparecia melhor. O Mais beneficiado quando ele sai? Zema. O cara que saiu primeiro. Quinze dias é o tempo das pesquisas. Se Flávio segue caindo, o PL vai precisar trocá-lo. Se trocar, acabou Bolsonaro.

Numa eleição em que a direita é Tereza Cristina, Ronaldo Caiado e Romeu Zema, o eleitor que não é de esquerda e não quer golpe votará em Lula? Numa eleição sem Bolsonaro na direita, o que é a direita brasileira? Aécio Neves já está falando em se candidatar. Joaquim Barbosa vai sentindo a temperatura da água.

Cada um desses nomes define a direita de um jeito diferente. Aquele eleitor, o eleitor que prefere que não seja Lula na ausência de Bolsonaro, quase 60% do eleitorado, de repente terá uma oportunidade.

Existem duas razões para o PT estar em silêncio. A primeira e mais óbvia é que, quando seu adversário comete erros, deixa ele. Regra número zero de qualquer campanha eleitoral. A segunda razão é a seguinte. A turma lá no Planalto sabe que Lula cresce contra Bolsonaro. Não é só o antipetismo que tem espaço nessa eleição. O antibolsonarismo, também. Sem o antibolsonarismo, Lula tem menos voto.

Flávio sangrando, para Lula, é melhor do que corrida sem Flávio. Sem Flávio a eleição vira tábula rasa, é um jogo sem definição, todo mundo se apresentando ao Brasil. Um país que não conhece praticamente nenhum dos candidatos postos. A oposição ao PT já foi tucana, é bolsonarista. Pode perfeitamente vir a ser outra coisa.

Muito cá entre nós, o bolsonarismo é histérico, golpista, miliciano e corrupto que não acaba mais. Flávio sangrando, para Lula, é melhor do que corrida sem Flávio. Para o Brasil, não. Para o Brasil, melhor mesmo é essa corrida sem qualquer Bolsonaro. É um jeito de começar a virar a página.

E faz muito tempo que a gente precisa virar essa página.

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