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Histórias da era do petróleo (3)

Histórias da era do petróleo (3)

Histórias da era do petróleo (3)

Inicialmente vamos renovar um convite fundamental. 

O Brasil tem avançado em seu desenvolvimento. Porém ainda temos um grande percurso a percorrer. Quais são os caminhos? Vide no site “Conferência da Soberania” os eventos programados e participe. 

Seguimos falando da Era do Petróleo, que desde 1850 e mais incisivamente desde o início do século 20, influencia a vida no planeta, através dos meios de transporte e de produção.

Na Segunda Guerra Mundial o petróleo participou do início ao fim, sendo decisivo. Vamos falar destas histórias iniciadas na edição (1) desta série.

1 – Judeus ajudaram Hitler na obtenção de petróleo – nesta história usamos a ajuda da premiada obra O Petróleo – Uma história mundial de conquistas, poder e dinheiro, de Daniel Yergin, que reescreveu a história internacional mostrando a participação do petróleo em cada período.

Corria o ano de 1932, em Munique, Hitler já era o grande líder do Partido Nacional Socialista, ou seja, dos nazistas, e estava em franca campanha para assumir o poder. Com o fortalecimento do parlamento (Reichstag), foi nomeado chanceler pelo presidente Paul Von Hindenberg. Desde o início foi eliminando a oposição e tornando o parlamento inútil. A depressão estava forte e em agosto de 1934 faleceu o presidente Hindenberg, e Hitler unificou os poderes, declarando-se Führer (Líder) da Alemanha, perseguindo e eliminando membros do Partido Comunista, judeus e negros.

Hitler conhecia a enorme dependência e dificuldade alemã na obtenção do petróleo, o que dificultava completamente suas pretensões de transformar a Alemanha numa grande potência, especialmente com grandes rodovias, bem como a sua loucura de colocar a “Alemanha acima de todos”.

Voltando a 1932, em Munique, existia um gigante conglomerado químico alemão, que os nazistas denunciavam como “lordes financeiros internacionais” e “judeus donos do dinheiro”.

Tratava-se do grupo I.G. Farben, que mostrou a Hitler como era possível produzir petróleo com carvão mineral, deixando-o completamente hipnotizado em duas horas e meia de conversa.

O que I.G. Farben demonstrou a Hitler foi o que o alemão Friedrich Bergius havia descoberto em 1913, ou seja, a hidrogenação do carbono, obtendo combustíveis líquidos, também chamados de combustíveis sintéticos, como a gasolina e o óleo diesel.

Esta descoberta chamada de processo Bergius, era então detida por outra empresa, Fischer-Tropsch, de quem I.G.Farben comprou a patente.

Na época, o carvão mineral representava 90% dos recursos energéticos alemães, que I.G.Farben utilizou para auxiliar Hitler a desenvolver a Alemanha, incluindo o desenvolvimento, a partir de 1934, de um “carro do povo”, traduzindo para o alemão “Volkswagen”.

I.G. Farben auxiliou amplamente Hitler também durante a guerra, inclusive financeiramente e fornecendo mão-obra escrava. Mas antes retirou todos os judeus entre seus quadros dirigentes e funcionários.

Em 1945 a Alemanha, juntamente com a Itália e o Japão, que formavam o “Eixo”, perderam a guerra para os demais países, principalmente EUA e URSS, denominados “Aliados”.

Os Aliados fecharam a I.G.Farben, que foidividida entre seus fundadores: Bayer, Basf e Hoechst.

A solução que Hitler tinha para o abastecimento de petróleo o limitava muito, sempre tentou atingir reservas petroleiras maiores. Ao atacar a URSS, além de “acabar com os comunistas” seu grande objetivo era alcançar, entre outras, as reservas petroleiras do Cáucaso Soviético, de Baku no Azerbaijão, além de atacar o norte da África, chegar ao Canal de Suez e alcançar o Oriente Médio.

Como sabemos, os alemães sofreram profundamente nas gélidas terras soviéticas, até serem derrotados na maior e mais sangrenta batalha de todas, a de Stalingrado. A partir desta batalha, o exército vermelho promoveu a virada, até marchar vitoriosamente sobre Berlim.

1.1 – Eventos e consequências em torno do petróleo durante a Guerra.

As batalhas em torno do petróleo, especialmente envolvendo o Estreito de Ormuz, na atual guerra EUA/Israel x Irã, não são novas.

Na Segunda Guerra Mundial, eram motivo de disputa todo o tempo, especialmente na parte final da Guerra, quando frotas inteiras foram paralisadas. Em vários países houve forte crise no transporte civil, que limitou-se a transportar suprimentos essenciais. Vejamos alguns exemplos durante a Guerra:

(i) Os aliados bombardeavam as estações que produziam o combustível sintético na Alemanha, o que provocou grande escassez de petróleo. Isto afetou o poderio de guerra da Alemanha, a ponto de paralisar a força aérea Luftwaffe; ao final da guerra nem os blindados tinham combustível;

(ii) Os bloqueios de petróleo eram constantemente usados pela Alemanha. Para superar esta situação,  países europeus integrantes dos Aliados construíram grandes oleodutos, ainda que limitados tecnicamente. Chegaram a implantar o sistema Pipe-lines Under the Ocean (Pluto) sob o Canal da Mancha.

(iii) O Leste dos EUA dependia do petróleo importado por navios, que eram atacados pelos submarinos alemães. Os EUA socorreram-se construindo oleodutos internos;

(iv) Os EUA bloquearam a entrada de petróleo no Japão, que foi socorrer-se para o sudeste asiático, como as Índias Orientais Holandesas, atual Indonésia. Neste contexto, o Japão também atacou Pearl Harbor, impedindo o avanço da frota norteamericana. Depois os EUA usaram este “motivo” para lançar as bombas atômicas em Hiroshima e Nagasaki. No final da Guerra, os navios de guerra japoneses sequer conseguiam mover-se por falta de combustível;

(v) A URSS adotou uma geopolítica e orientação militar forte para proteger suas reservas de petróleo, fator central de sua vitória sobre os alemães;

Além do uso do carvão mineral para produzir combustíveis, o xisto também foi utilizado para produzir petróleo, como ocorre até hoje em São Mateus do Sul, no Paraná.

Também o etanol teve um papel importante; a Alemanha usava-o em seus mísseis V-2, bem como decretou a mistura de álcool na gasolina. O Brasil chegou a usar 40% de etanol na gasolina naquela época. Os EUA usavam-o em usos industriais e em motores de torpedos.

Vista da cidade de Pístola, onde funcionou um dos hospitais de campanha utilizados pela FEB durante a Segunda Guerra Mundial, na Itália, 1944/1945. Pístola, Itália / Acervo Casa de Oswaldo Cruz

2 – O Brasil buscou solução no Gasogênio

O Brasil também procurou manter-se numa “neutralidade pragmática” até a frota mercante brasileira ser atacada por submarinos alemães/italianos, além de forte pressão dos EUA. Em 22 de agosto de 1942 declarou guerra ao Eixo, a seguir enviando 25000 “pracinhas”, soldados da FEB – Força Expedicionária Brasileira – a lutarem na Itália.

Mesmo os países não envolvidos diretamente na Guerra, sofreram duramente com a falta de abastecimento de petróleo e a inflação. Havia rotas comerciais marítimas interrompidas, havia falta de navios-tanque e a prioridade era o abastecimento das frotas de guerra.

Fonte: Youtube

Esta situação também chegou ao Brasil, que, além de álcool, também socorreu-se do “gás pobre”, com o apoio do Ministério da Agricultura. Este combustível era produzido num equipamento chamado gasogênio acoplado a carros, tratores e ônibus e que usava como matéria prima a queima de madeira e carvão vegetal. 

**Este é um artigo de opinião e não necessariamente representa a linha editorial do Brasil do Fato.

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