Guerra destruiu demanda de 5 milhões de barris/dia de óleo e aumentou uso de carvão
NESTA EDIÇÃO. Consumo de petróleo e gás no mercado global foi substituído por carvão devido à alta nos preços desde o início do conflito no Oriente Médio.
Descarbonização da aviação está sob risco com atraso de SAF e barreiras europeias.
Voltalia garante conexão para data centers em Pecém.
Reuniões Climáticas da ONU marcam o início das negociações para a COP31.
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Guerra destruiu demanda de 5 milhões de barris/dia de óleo e aumentou uso de carvão
A alta nos preços do petróleo e do gás decorrente da guerra no Oriente Médio causou uma destruição de demanda equivalente a um consumo entre 4 e 5 milhões de barris/dia de petróleo apenas em abril.
- Os cálculos são do Goldman Sachs, que aponta que a queda no consumo está sendo maior do que o esperado.
- A Agência Internacional de Energia (IEA) já afirma que 2026 terá a maior retração na demanda global por petróleo desde a pandemia.
Mas, na contramão dos esforços para a transição energética, parte do consumo de petróleo e gás natural foi substituído por carvão.
A Rystad Energy projeta que a escassez de óleo e gás no mercado fará a demanda por carvão crescer 70 milhões de toneladas este ano apenas na Ásia.
- As usinas térmicas na região eram altamente dependentes do gás natural liquefeito (GNL) dos países do Golfo Pérsico, que teve as exportações praticamente zeradas com o fechamento do Estreito de Ormuz.
- Segundo a Rystad, o déficit no suprimento de GNL este ano deve chegar a 35 milhões de toneladas, em grande parte devido aos impactos dos ataques à planta industrial de Ras Laffan, no Qatar.
- A consultoria calcula que cerca de 90 terawatts-hora (TWh) de geração vão migrar para o carvão.
- Em maio, as importações de carvão da Coreia do Sul subiram 50% na comparação anual, enquanto no Japão esse aumento foi de 20%.
Na prática, os dados indicam que ainda não se concretizou a expectativa de que a menor disponibilidade de petróleo e gás no mercado global levaria a uma corrida mais acelerada para fontes renováveis.
- “O que estamos vendo não é um retorno do carvão, mas sim um choque de realidade para a transição energética da região Ásia-Pacífico”, explica o analista de pesquisa de carvão da Rystad Energy, Tonmit Talukdar.
O conflito completou 100 dias e segue sem sinais de fim. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirma que segue em negociações com o Irã, mas os últimos dias foram marcados por uma nova escalada, com ataques diretos entre Irã e Israel.
- Na segunda-feira (8/6), o petróleo Brent com entrega para agosto encerrou em alta de 1,25%, cotado a US$ 94,25 por barril (Valor Econômico).
Descarbonização em (ainda mais) risco. A trajetória da aviação global rumo à neutralidade de carbono até 2050 está ameaçada pelo ritmo insuficiente de expansão da produção de combustível sustentável de aviação (SAF) e pela forma como os governos estão regulando o mercado, alertou a Iata no domingo (7).
SAF de etanol. A JetBio obteve os direitos sobre uma área em Paulínia (SP) onde pretende desenvolver a maior unidade de produção de SAF do mundo a partir da rota Alcohol-to-Jet (ATJ).
- A companhia espera tomar a decisão final de investimento no primeiro trimestre de 2027 e iniciar a produção em 2030.
Acesso à rede. A Voltalia assinou contrato com o Operador Nacional do Sistema (ONS) para obter 322 megawatts (MW) de capacidade de conexão à rede no Complexo de Pecém (CE) para instalação de data centers.
- A companhia está em negociações avançadas com diversos operadores desses projetos.
Transição justa. O Programa Energias da Amazônia, política pública do Ministério de Minas e Energia, concluiu duas novas interligações à rede elétrica no Pará em maio. Com isso, 60 mil habitantes da região passaram a ter acesso à energia elétrica limpa.
- O programa visa reduzir o uso de óleo diesel na geração de energia na região amazônica.
Preparativos para a COP. Começaram em Bonn, Alemanha, na segunda (8/6) as tradicionais Reuniões Climáticas da ONU de junho, momento em que os negociadores articulam a agenda para a próxima Conferência das Nações Unidas sobre o Clima (COP31), marcada para novembro deste ano, na Turquia.
Sim, elas existem. Está aberta a temporada de indicações para fortalecer, reconhecer e impulsionar a presença de mulheres em posições estratégicas e de alta liderança no setor de energia.
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