×

Imigrante vive há seis meses no aeroporto de Belém

Imigrante vive há seis meses no aeroporto de Belém

Imigrante vive há seis meses no aeroporto de Belém

Fatmata Sesay, cidadã de Serra Leoa, com blusa azul e bolsa a tiracolo. Foto: Reprodução.

A imigrante Fatmata Sesay, de 57 anos, cidadã de Serra Leoa, vive há cerca de seis meses no Aeroporto Internacional de Belém depois de tentar viajar ao Panamá para reencontrar o filho. Ela morava em São Paulo, trabalha como ambulante e tem visto brasileiro de imigrante regular.

Fatmata comprou uma passagem ao Panamá, mas não conseguiu entrar no país porque não cumpria exigências legais para a viagem. Segundo o relato do promotor de Justiça Nadilson Portilho Gomes, ela teve o passaporte retido e acabou enviada de volta à capital paraense.

A Justiça Federal determinou que o governo do Pará e o Ministério das Relações Exteriores garantam assistência consular para regularizar os documentos necessários à viagem. Procurado, o Itamaraty ainda não havia se manifestado; o governo estadual afirmou que atendeu a imigrante em diferentes ocasiões e “segue atuando para garantir a continuidade das ações integradas de apoio”.

O Ministério Público do Pará comprou uma passagem para Fatmata viajar ao Panamá nesta segunda-feira, 22, mas o embarque não ocorreu. “Ainda não conseguimos toda a documentação necessária por ser fim de semana e ela ainda precisa se vacinar”, disse Nadilson Portilho Gomes. “Vamos fazer tudo para ela conseguir viajar o mais breve possível.”

O promotor afirmou que Fatmata nasceu em Serra Leoa em uma família muito pobre e conseguiu juntar dinheiro em São Paulo para tentar encontrar o filho. “Trabalhando em São Paulo como ambulante, ela conseguiu arrecadar o dinheiro para uma passagem para o Panamá em busca de encontrar o seu filho. Ocorre que ela comprou a passagem sem observar as exigências legais daquele país e foi deportada”, disse.

Segundo Nadilson Portilho Gomes, Fatmata ainda precisa atualizar a carteira de vacinação, obter comprovante de renda e conseguir os vistos antes de remarcar a viagem. O novo passaporte dela já saiu, de acordo com as informações repassadas ao Ministério Público.

O Ministério Público Federal afirma que a ambulante “encontra-se em situação de vulnerabilidade social” e dorme nas dependências do aeroporto desde dezembro de 2025. A concessionária Norte da Amazônia Airports, que administra o terminal, disse que acionou os órgãos públicos quando tomou conhecimento do caso e alegou que, “em razão das limitações legais, não foi possível atuar além das medidas de suporte já adotadas”.

A Prefeitura de Belém informou que Fatmata faz as refeições diárias no centro de atendimento à população de rua, entrou no CadÚnico e recebe Bolsa Família. O município disse que encaminhou a migrante ao acolhimento noturno, mas ela se recusa a ir; o MPF pediu à Justiça Federal multa de R$ 170 mil aos governos municipal, estadual e federal por omissão no atendimento a migrantes e classificou a situação como “abandono institucionalizado”.

Créditos