Movimento ultraconservador da Igreja Católica que desafia o Papa cresce no Brasil
Igreja da Fraternidade Sacerdotal São Pio X em São Paulo. Foto: BBC
A Fraternidade Sacerdotal São Pio X, movimento ultraconservador, tem aumentado sua presença no Brasil com missas em latim, celebrações conduzidas com o padre de costas para os fiéis e manutenção de ritos anteriores às reformas do Concílio Vaticano 2º. O grupo está presente em diferentes estados e reúne um número crescente de seguidores.
A congregação rejeita as mudanças implementadas entre 1962 e 1965, quando o Vaticano passou a permitir o uso de línguas locais nas celebrações e incentivou maior participação dos fiéis. Para o grupo, essas alterações representaram uma ruptura com a tradição da Igreja Católica.
Fundada em 1970 pelo arcebispo francês Marcel Lefebvre, a Fraternidade surgiu em oposição às reformas e chegou a ser excomungada após a nomeação de bispos sem autorização do Vaticano. Apesar disso, continuou a se expandir internacionalmente e hoje mantém atuação em diversos países, incluindo o Brasil.
No país, o movimento chegou inicialmente por meio de vínculos com grupos tradicionalistas no Rio de Janeiro e se consolidou em capelas distribuídas principalmente nas regiões Sudeste, Sul e Nordeste. Segundo pesquisadores, a expansão acompanha o avanço de setores conservadores no catolicismo.
O Papa Leão XIV durante celebração na Basílica de São Pedro, no Vaticano. Foto: Andreas Solaro/AFP
A Santa Sé considera ilegítimas as ordenações realizadas sem autorização papal e já advertiu que novas sagrações poderão resultar em excomunhão. O impasse mantém o grupo em situação canônica irregular, apesar de sua continuidade de funcionamento.
Especialistas afirmam que o caso é raro dentro da Igreja Católica. “Uma coisa que acontece uma ou duas vezes por século”, disse o historiador Vinícius Couzzi Mérida ao comentar a gravidade da excomunhão no contexto eclesiástico.
O grupo, no entanto, segue em expansão e reforça o debate interno no catolicismo entre tradição e modernização, mantendo práticas litúrgicas anteriores ao Vaticano 2º e ampliando sua base de fiéis no país.


