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Moraes determina prazo para PGR se pronunciar sobre calúnia de Flávio contra Lula

Moraes determina prazo para PGR se pronunciar sobre calúnia de Flávio contra Lula

Moraes determina prazo para PGR se pronunciar sobre calúnia de Flávio contra Lula

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, deu 15 dias para a Procuradoria-Geral da República se manifestar sobre o inquérito em que a Polícia Federal concluiu que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) cometeu calúnia contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A decisão foi assinada nesta segunda-feira (28), após a PF enviar seu relatório final ao STF na última sexta-feira, encerrando a fase investigativa de um caso aberto a partir de uma publicação do senador nas redes sociais em janeiro deste ano.

Moraes dá prazo à PGR

Com a conclusão das investigações, Moraes encaminhou formalmente o inquérito à PGR e abriu prazo de 15 dias para que o órgão se posicione. A decisão foi assinada nesta segunda-feira, logo após o recebimento do relatório final da Polícia Federal pelo Supremo.

O encaminhamento à PGR é etapa obrigatória do rito: como Flávio Bolsonaro possui foro por prerrogativa de função, é à Procuradoria que cabe avaliar o material produzido pela PF e definir os próximos passos. A manifestação da PGR será devolvida a Moraes, que conduzirá o processo a partir daí.

Conclusão da PF e origem do caso

No relatório enviado ao STF, a Polícia Federal sustentou que Flávio Bolsonaro extrapolou os limites da crítica política ao atribuir falsamente ao presidente Lula a prática de tráfico internacional de drogas, tráfico internacional de armas e lavagem de dinheiro. Para os investigadores, a publicação não configurou mera opinião, mas a imputação direta de condutas criminosas ao chefe do Executivo.

O caso tem origem em uma postagem feita pelo senador no X em janeiro deste ano, após a captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro pelos Estados Unidos. Na legenda de uma montagem com a foto de Maduro, Flávio escreveu: “Lula será delatado. É o fim do Foro de São Paulo: tráfico internacional de drogas e armas, lavagem de dinheiro, suporte a terroristas e ditaduras, eleições fraudadas…”. Segundo a PF, ao afirmar que Lula “será delatado”, o senador pressupõe a participação do presidente nos crimes listados na sequência, fazendo referência ao instituto da colaboração premiada.

Com base nessa análise, a PF indiciou Flávio Bolsonaro pelo crime de calúnia, previsto no Código Penal, com agravante por se tratar de ofensa dirigida ao presidente da República e praticada por meio que facilita a divulgação.

Próximos passos e defesa

Diante do inquérito, a PGR tem três caminhos: apresentar denúncia contra Flávio Bolsonaro, solicitar novas diligências à PF ou requerer o arquivamento do caso. Qualquer que seja a decisão, ela será encaminhada a Moraes para os desdobramentos processuais cabíveis.

A defesa do senador já se antecipou e contestou a conclusão da investigação. Em manifestação apresentada ao Supremo, os advogados afirmaram que o inquérito foi concluído “em tempo recorde” e sem a realização de oitivas ou diligências que considerariam relevantes. A defesa também levantou “dúvidas legítimas” sobre a condução do procedimento e declarou esperar que a investigação não tenha sido orientada por interesses políticos. A argumentação segue o roteiro habitual de figuras públicas investigadas: questionar o rito para deslegitimar o resultado, sem necessariamente rebater o mérito das conclusões da PF.

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