Com o cessar-fogo, como ficam as medidas para lidar com a alta do barril?
NESTA EDIÇÃO. Subsídios para combustíveis terão fim gradual a partir de julho.
Petrobras aprova novo mecanismo de pisos e tetos para atenuar reajuste do gás natural.
Consumo de energia cai até 21% no jogo do Brasil e geração renovável tem corte de 20 GW.
RS quer usar recursos de privatização de companhia de mineração para financiar transição justa do carvão.
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Com o cessar-fogo, como ficam as medidas adotadas pelo governo para lidar com a alta do barril?
O governo vai iniciar, a partir desta quarta-feira (01/7), o fim gradual das medidas adotadas para lidar com a alta global dos preços do petróleo devido à guerra no Oriente Médio, começando pela retirada do subsídio de R$ 0,36 ao diesel.
- Esse subsídio, pago num modelo de “cashback”, foi adotado em junho e equivale à desoneração de impostos federais que valeu nos três primeiros meses da guerra.
- A Petrobras confirmou na terça (30) que vai reduzir o preço do diesel no mesmo valor da reoneração. Ou seja, na prática, o combustível vendido às distribuidoras não terá alteração de preço.
- Resta, ainda, uma subvenção adicional de R$ 1,12 por litro de diesel, que segue em vigor por enquanto.
Em coletiva de imprensa, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, indicou também que deve começar nos próximos dias a reduzir a subvenção para a gasolina, de R$ 0,44 por litro.
- Ainda está em análise a continuidade dos alívios ao gás liquefeito de petróleo (GLP), o “gás de cozinha”, e do querosene de aviação (QAV).
- Hoje, as medidas têm validade até 31 de julho.
Durigan já vinha sinalizando que poderia rever as medidas adotadas para lidar com a guerra, após o alívio nas cotações internacionais do barril de petróleo com o acordo temporário de paz entre Estados Unidos e Irã.
Além dos subsídios, há ainda uma série de medidas cujo futuro segue em avaliação. É o caso do imposto de 12% sobre a exportação de petróleo, que foi judicializado.
- A medida provisória que instituiu a cobrança expira no início de julho, mas a equipe econômica cogita renovar a medida.
Outros efeitos. Durigan indicou que o projeto de lei concebido pelo governo para usar o excedente de arrecadação do petróleo para segurar os preços dos combustíveis (PLP 114/2026) perdeu o objeto.
- O destino do projeto será definido em reunião nesta quarta (01) entre representantes dos ministérios da Fazenda e do Planejamento e o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos/PB).
Enquanto isso, ANP trabalha. A diretoria da agência fez uma reunião extraordinária na terça (30) para deliberar sobre a regulamentação dos critérios de abusividade nos preços dos combustíveis.
- Essa foi uma das tarefas atribuídas à agência para garantir a eficácia das medidas adotadas pelo governo federal para lidar com a crise global.
- Confira a reprise da reunião na íntegra no YouTube da agência eixos.
Nos EUA, ameaças a postos. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, cobrou uma redução imediata no preço da gasolina no país. Ele afirmou que os combustíveis continuam caros apesar da queda no valor do petróleo no mercado internacional e disse que não aceitará aumentos motivados por especulação.
- “É totalmente ilegal. Se os revendedores não fizerem isso, grandes problemas virão!”, escreveu em publicação no Truth Social.
Antes tarde do que nunca. A Petrobras aprovou um mecanismo de proteção à volatilidade nos preços do gás natural, a partir da adoção de pisos e tetos, de modo a atenuar os impactos da alta global.
- Segundo estimativas da estatal, com a solução, o reajuste da parcela da molécula para as distribuidoras em agosto deve sair de um aumento potencial de 22% para 6%.
Barreira no mercado livre de gás. A Agenersa, a agência reguladora do Rio de Janeiro, aprovou a aplicação de novas multas à Naturgy por descumprir a regulação estadual e impor barreiras ao mercado livre de gás natural.
Demanda de energia em alta. O consumo nacional de energia elétrica atingiu 48.021 gigawatts-hora (GWh) em maio de 2026, alta de 2,1% em relação ao mesmo mês em 2025, segundo a Resenha Mensal do Mercado de Energia Elétrica da EPE.
- É o segundo aumento mensal consecutivo, puxado por comércio e residências.
Brasil x Japão. A significativa redução do consumo de energia elétrica durante o jogo do Brasil na Copa na tarde de segunda-feira (29/6), combinada com a elevada geração solar distribuída no horário da partida, iniciada às 14h, levou o ONS a restringir cerca de 20 GW de geração de energia renovável.
- Esse montante corresponde à capacidade instalada combinada das usinas de Belo Monte e de Tucuruí.
Opinião: Ao igualar hidrelétricas a eólicas e solares na ordem de corte, a Aneel pode abandonar o princípio de menor custo operativo e contradizer a própria regulação, escreve o diretor de Regulação e Inovação da Serena, Bernardo Bezerra.
Acesso a crédito restrito. As dificuldades enfrentadas por comercializadoras de eletricidade materializadas em pedidos de recuperação judicial têm feito com que bancos estejam restringindo a oferta de crédito a companhias do segmento. (Valor Econômico)
Transição do carvão. Uma parte “substancial” dos recursos da privatização da Companhia Riograndense de Mineração (CRM) serão usados para financiar a transição justa da exploração de carvão no Rio Grande do Sul, disse à eixos o governador do estado, Eduardo Leite (PSD).
- Segundo o governador, uma das estratégias é fomentar novas economias em regiões dependentes do combustível fóssil.
Minerais críticos no Mercosul. Durante a 68ª Cúpula de Chefes de Estado do bloco, em Assunção, o Paraguai apresentou um “Mapa do Caminho para o Plano de Minerais Críticos do Mercosul“, iniciativa que pretende orientar a cooperação entre os países na exploração, processamento e agregação de valor desses recursos. Entenda o que está em jogo com a diálogos da transição.
Biometano na Friboi. A JBS informou que a Âmbar Energia, empresa de energia do grupo J&F, vai investir R$ 65 milhões para ampliar a produção de biometano nas plantas da Friboi de Campo Grande II (MS), Lins (SP) e Andradina (SP).
- A expansão tem potencial de adicionar mais de 14 milhões de metros cúbicos de biometano por ano.
Onda de calor na Europa. Com impacto mais intenso nas regiões central e norte do continente, o fenômeno, marcado por temperaturas mais de dois graus acima da média por pelo menos três dias, registrou temperaturas inéditas no norte da Espanha, na França, em todo o Reino Unido, na Alemanha, na Polônia, na Dinamarca, na Lituânia, na Letônia e na Suécia, de acordo com a revista científica Nature.
Opinião: Setor elétrico precisa aproveitar janela de um novo ciclo eleitoral para construir uma agenda transversal, capaz de ultrapassar governos e interesses específicos, escreve a vice-presidente da Abrace Energia, Daniela Coutinho.
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