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Após críticas, Delcy Rodríguez defende resposta do governo aos terremotos na Venezuela | Mundo

Após críticas, Delcy Rodríguez defende resposta do governo aos terremotos na Venezuela | Mundo

Após críticas, Delcy Rodríguez defende resposta do governo aos terremotos na Venezuela | Mundo

A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, rejeitou nesta quinta-feira as acusações de que seu governo demorou a reagir à destruição provocada por dois terremotos que mataram mais de 2.000 pessoas, após dias de críticas generalizadas à resposta oficial.

Civis de todos os perfis — incluindo sobreviventes, familiares, paramédicos voluntários e equipes estrangeiras de resgate — deslocaram-se para as áreas atingidas pelo desastre, especialmente para o Estado de La Guaira, no norte do país, o mais afetado, desde que os terremotos de magnitude 7,2 e 7,5 atingiram a região em 24 de junho.

Muitas das pessoas que escavam os escombros, assim como organizações internacionais de ajuda humanitária, afirmam que a resposta do governo foi lenta e ineficaz, com atraso na entrega de alimentos e suprimentos médicos e falta contínua de maquinário pesado para remover os destroços durante as operações de busca.

“Foi uma tragédia natural em uma escala que jamais imaginamos, embora soubéssemos que um evento sísmico poderia ocorrer em nosso país”, disse Rodríguez em sua primeira entrevista coletiva desde que assumiu o poder em janeiro, depois que os Estados Unidos depuseram seu antecessor, Nicolás Maduro. “Não esperamos um, dois ou três dias. Agimos imediatamente.”

Segundo ela, 4.000 agentes foram mobilizados de imediato, número que subiu para 14 mil no dia seguinte e alcançou os atuais 19 mil. Rodríguez afirmou ainda que decretou estado de emergência para ativar os protocolos de resposta.

“Fizemos tudo o que estava ao nosso alcance, e continuaremos fazendo tudo o que estiver ao nosso alcance e mais”, disse, acrescentando que visitou crianças hospitalizadas que perderam membros e lamentavam a morte de familiares.

“Passei por experiências muito dolorosas”, afirmou Rodríguez.

Um homem está no topo de uma montanha de escombros três dias após dois terremotos atingirem La Guaira, Venezuela, no sábado, 27 de junho de 2026 — Foto: AP/Matias Delacroix

Resposta liderada por civis

A televisão estatal mostrou regularmente Rodríguez reunida com autoridades militares e de segurança, enquanto soldados e policiais patrulhavam as principais estradas de La Guaira e, em alguns casos, organizavam o trânsito.

Ainda assim, segundo testemunhas da Reuters, a resposta ao desastre tem sido liderada por civis, muitos deles voluntários.

Pessoas passaram dias tentando retirar parentes dos escombros usando as próprias mãos, pás e picaretas, auxiliadas por bombeiros, equipes da Defesa Civil, grupos estrangeiros de resgate, estudantes de medicina e enfermagem, civis que normalmente trabalham como professores e veterinários e, ocasionalmente, algum soldado.

Militares que passaram dias trabalhando ao lado de civis nas seis torres desabadas de um grande conjunto habitacional público em La Guaira disseram à Reuters que se voluntariaram para atuar no local.

Rodríguez afirmou que o número de mortos chegou a 2.595 e que o governo ainda não encerrará as operações de busca e resgate.

Ela não informou quantas pessoas continuam desaparecidas. Uma lista não oficial, mas amplamente utilizada na internet, havia sido reduzida para cerca de 38.500 nomes na noite de quinta-feira, depois de atingir quase 60 mil nos dias imediatamente posteriores aos terremotos.

Um enviado da Organização das Nações Unidas (ONU) informou nesta semana que está adquirindo 10 mil sacos para cadáveres para a Venezuela, enquanto o Serviço Geológico dos Estados Unidos estimou que o número de mortos pode ultrapassar 10 mil.

Rodríguez criticou o que chamou de “laboratórios midiáticos” por criarem uma percepção de caos, dizendo que eles agiam por motivação política.

“A primeira narrativa desenvolvida nesses laboratórios midiáticos foi: ‘todo mundo para La Guaira’, para criar caos e dificultar as operações de busca e resgate”, afirmou, sem dar mais explicações.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial ofereceram ajuda financeira e linhas de crédito para os esforços de reconstrução, disse Rodríguez. Segundo ela, a Venezuela está criando um fundo de reconstrução de 200 milhões de dólares com o FMI, e os recursos serão destinados a empresas contratadas submetidas a auditoria para reconstruir moradias.

Um restaurante McDonald’s está sendo usado como centro de saúde temporário e centro de reunificação de animais de estimação após os terremotos que atingiram La Guaira, Venezuela, na quinta-feira, 2 de julho de 2026 — Foto: AP/Matias Delacroix

Resgates continuam sob desconfiança das forças de segurança

Nos dias imediatamente após os dois terremotos, grande parte da água, dos alimentos e de outros suprimentos básicos que chegaram a La Guaira foi transportada por milhares de civis, muitos deles em motocicletas.

Agora, voluntários administram abrigos para quem perdeu suas casas. Eles recebem algum apoio oficial, mas estabelecem suas próprias regras e criaram seu próprio sistema de registro dos moradores.

Em um dos principais centros médicos que atendem a área afetada, um hospital no município de Vargas, funcionários e moradores disseram que o fluxo de pacientes diminuiu em comparação com os dias imediatamente após os terremotos.

A cerca de seis quilômetros dali, um hospital de campanha da Marinha do Brasil, que começou a funcionar na segunda-feira, havia atendido 180 pessoas até quinta-feira, segundo o comandante Leonel Mariano. A estrutura, distribuída em cinco tendas próximas à praia, conta com unidade de terapia intensiva, centro cirúrgico, ortopedia, pediatria, clínica geral e farmácia.

“Estamos organizando ônibus para trazer pessoas dos abrigos até aqui”, disse Mariano. “Ainda não realizamos nenhuma cirurgia, mas tivemos alguns casos de terapia intensiva e alguns casos graves.”

Médicos transformaram uma unidade do McDonald’s em La Guaira em um centro de atendimento improvisado, onde cerca de 200 pacientes são atendidos por dia desde a abertura, na sexta-feira. O local oferece atendimento de emergência, medicamentos doados, farmácia e uma unidade veterinária, instalada na antiga área de sorvetes do restaurante.

Em meio à devastação, episódios de sobrevivência oferecem esperança às famílias que continuam procurando parentes desaparecidos.

O vigilante Hernan Alberto Gil foi retirado com vida dos escombros do centro comercial Galerías Playa Grande, de nove andares, na madrugada de quinta-feira, após dias de trabalho de equipes de resgate de El Salvador, Chile, Estados Unidos, Portugal, México, Costa Rica e Venezuela.

“Sou grata a Deus por tê-lo mantido vivo por tantos dias”, disse Gusbimar Gonzalez, esposa de Gil. “Ele suportou tudo como um guerreiro.”

Equipes mexicanas de resgate retiraram com vida uma cadela chamada Sarita de um prédio desabado, depois que seu dono alertou os socorristas sobre ruídos sob os escombros. O animal foi localizado por uma equipe militar de busca e resgate e por um cão farejador chamado Kai, sendo depois reunido ao proprietário, que disse que o resgate lhe deu esperança de que sua filha desaparecida possa ser encontrada viva.

A presença das forças de segurança em prédios desabados provocou, em alguns momentos, revolta entre moradores.

Alguns venezuelanos manifestaram indignação nas redes sociais, compartilhando vídeos que mostrariam agentes de segurança vasculhando os escombros e levando roupas, eletrodomésticos e dinheiro.

A Reuters não verificou a autenticidade desses vídeos, mas o Ministério do Interior informou que quatro peritos da polícia científica foram detidos e afastados de suas funções por “apropriação de bens patrimoniais encontrados entre os escombros”.

Os equipamentos de resgate transportaram um homem sacado dos escombros de um edifício que derrubou nos terremotos que sacudiram La Guaira, Venezuela, no domingo 28 de junho de 2026 — Foto: AP/Matias Delacroix

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