×

Gustavo Nazareno transforma orixás em modelos que vestem alta costura: ‘Opulência faz parte da religião’

Gustavo Nazareno transforma orixás em modelos que vestem alta costura: ‘Opulência faz parte da religião’

Gustavo Nazareno transforma orixás em modelos que vestem alta costura: ‘Opulência faz parte da religião’

Nem passa pela cabeça de Gustavo Nazareno um dia trabalhar com moda. “Jamais. Prefiro ser um admirador. Várias pessoas tentam me empurrar para isso, mas é uma coisa que não tenho vontade”, conta. O artista — um dos nomes da arte contemporânea brasileira com projeção internacional e trabalhos que transitam pelo universo das religiões de matriz africana — tem, no entanto, os seus clientes fixos. Divindades como Exu e Pombagira são, para ele, como modelos na passarela, à maneira de Naomi Campbell e Debra Shaw.

O artista se referencia em designers como Alexander McQueen, John Galliano, Issey Miyake e Rei Kawakubo. Desses criadores, extrai tanto a simplicidade quanto a opulência que aparecem em pinturas como as apresentadas na exposição “Como cultivar uma flor de uma supernova”, em cartaz na Opera Gallery, em Paris, até quarta-feira (15). Assim, a vestimenta, em sua prática, é central na narrativa: “Uso a roupa para contar história, o que é mais ou menos o que o designer propõe dentro da moda”.

Feitos a óleo ou como desenhos em carvão, o trabalho se assemelha a retratos de campanhas de moda ou a fotografias de Irving Penn (1917-2009), que redefiniu a linguagem dos editoriais com composições simples e fundos neutros.

A associação com moda faz sentido: antes da produção das telas, o artista constrói a composição vestindo manequins com roupas desenhadas e costuradas por ele próprio. O que surge desse processo são imagens carregadas de dramaticidade, em que a moda se revela dentro de sua imaginação visual. Ele pensa desde adornos com plumagem na cabeça de seus personagens míticos até roupas ora volumosas, ora mais justas. “É meio narcisista, mas fico muito contente quando obtenho sucesso em um trabalho, que vejo a roupa e falo: ‘Uau, não preciso nem de um fundo aqui’”.

Créditos