“É Argentina, é Milei, é Bolsonaro!”: brasileiros choraram na Mooca após derrota para a Espanha
Brasileiro torcedor da Argentina lamenta derrota para a Espanha
A Espanha conquistava o bicampeonato mundial no MetLife Stadium, em Nova Jersey, enquanto, a 7 844 quilômetros dali, um pedaço de São Paulo mergulhava em um luto improvável.
Na Rua da Mooca, brasileiros vestidos com a camisa da Argentina deixaram o local arrasados depois da derrota por 1 a 0 na prorrogação.
No bar Moocaires, fundado por argentinos em 2007, e no posto de gasolina vizinho, transformado em arquibancada improvisada durante o Mundial, bandeiras argentinas tremulavam nas calçadas, vendedores ambulantes ofereciam camisas de Lionel Messi e da Albiceleste, tambores (!?!) davam o ritmo da festa e copos de Fernet com Coca-Cola circulavam.
Segundo o Globo, eles cantavam músicas da torcida argentina, vibravam com cada defesa de Emiliano Martínez, chamavam Messi de “maior da história” e vaiavam os espanhois.
A relação desse pessoal com a seleção argentina deixou de ser apenas futebol há alguns anos. Ela mistura idolatria por Lionel Messi, rejeição à Seleção Brasileira, ódio por si mesmos, admiração pelo presidente argentino Javier Milei e, por extensão, identificação com Bolsonaro. Vira-latismo, em suma.
Os vídeos nas redes sociais são impagáveis. Marmanjos, famílias, se debulhando em lágrimas por um time racista com apoiadores que se referem aos brasileiros como “macacos”.
Uma das explicações para essa paixão é o fenômeno dos “Enzos”. Na cultura pop, o termo “Enzo” passou a ser utilizado para classificar um estereótipo de comportamento, geralmente associado a jovens da Geração Z ou posteriores, superprotegidos, mimados, adeptos de certas tendências digitais e de direita.
CONFIRA: Muito choro e sofrimento foi registrado na Mooca, em SP, onde BRASILEIROS se reuniram para torcer pela Argentina. A tristeza tomou conta de todos. pic.twitter.com/8JXx0kXLSC
— Primeiro Front (@PrimeiroFront) July 19, 2026
Durante mais de uma década, jovens brasileiros cresceram jogando a franquia FIFA, da EA Sports. Nesse universo virtual, Lionel Messi era praticamente imbatível.
Sempre foi o jogador com maior nota do game, protagonista das capas internacionais entre FIFA 13 e FIFA 16 e peça obrigatória de qualquer time competitivo no modo Ultimate Team.
Adolescentes conquistaram Copas do Mundo virtuais com a Argentina. Montaram equipes recheadas de jogadores argentinos para aumentar a “química” do elenco e aprenderam a idolatrar Messi. Pelé não está no PlayStation.
Mas, se no videogame Messi decidia partidas sozinho, na final da Copa o roteiro foi outro. O camisa 10 desapareceu e ainda tentou cavar uma expulsão de maneira vergonhosa do lateral-esquerdo Cucurella.
A Argentina passou mais de 90 minutos sem chutar a gol, totalmente dominada pela Espanha, que obrigou Emiliano Martínez a trabalhar durante toda a partida. Depois do gol espanhol, vieram o silêncio e o choro na Mooca.
Leandro Paredes agrediu um atleta espanhol e a equipe deu as costas durante a celebração da Espanha em campo. Uma vergonha.
Na Mooca e no desconforto de seus lares, brasileiros lamentaram a perda de uma Copa do Mundo que nunca foi deles.
Em Buenos Aires (Mooca-SP) pic.twitter.com/yc0kqcBWnk
— Baptista Miranda (@Baptistamiran) July 20, 2026


