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Hamas confirma acordo para desmilitarização e reconstrução de Gaza

Hamas confirma acordo para desmilitarização e reconstrução de Gaza

Hamas confirma acordo para desmilitarização e reconstrução de Gaza

O grupo palestino Hamas confirmou ter alcançado um acordo com mediadores do Egito, Estados Unidos, Catar e Turquia para entregar suas armas e viabilizar a reconstrução da Faixa de Gaza. Isso ocorreu após as ações consideradas genocidas e a violação contínua do cessar-fogo por Israel, resultando em milhares de vítimas na Palestina e na devastação da região.

De acordo com a Al Jazeera, será formada uma Força Internacional de Estabilização, composta por cinco mil militares de diversas nacionalidades e supervisionada por um general dos Estados Unidos. O plano será implementado nas próximas semanas e abrangerá também outros grupos atuantes na região, como Fatah e a Jihad Islâmica.

Além disso, está em andamento outra negociação envolvendo o Hamas, a Autoridade Palestina e a Cisjordânia.

A Força Internacional de Estabilização terá três principais atribuições. Inicialmente, irá treinar uma nova força policial palestina. Em seguida, ocupará uma zona entre os militares israelenses e a população de Gaza, à medida que os israelenses iniciarem a retirada.

Por fim, supervisionará o processo de desarmamento, que incluirá o desmantelamento da extensa rede de túneis em Gaza. Estima-se que a desmilitarização possa levar de 200 a 300 dias.

Ghazi Hamad, membro da equipe de negociação do Hamas, afirmou à Al Jazeera que “o Hamas não avançará com qualquer etapa do acordo de paz para Gaza caso as forças de ocupação israelenses não cumpram as obrigações estipuladas no acordo”.

Ele destacou que as negociações foram desafiadoras e que o Hamas buscou alcançar a melhor solução possível. “O Hamas permanece firme em seus objetivos nacionais, que visam proteger os direitos do povo palestino”, declarou.

Nesta sexta-feira, está prevista uma reunião na capital egípcia, Cairo, reunindo mediadores do Egito, Estados Unidos, Catar e Turquia para assegurar o comprometimento de todas as partes com o acordo.

Em uma publicação nas redes sociais, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, descreveu o acordo como um passo “histórico” em direção à paz e afirmou que, após o desarmamento, Gaza será governada por um novo governo palestino.

Antecedentes

No dia 6 de julho, o Hamas anunciou a dissolução do comitê que administrava a Faixa de Gaza há quase duas décadas.

“Ao não mais liderar a Faixa de Gaza, o Hamas dá um passo significativo para eliminar qualquer pretexto da ocupação israelense, que continua suas agressões e ações de extermínio”, declarou o porta-voz do Hamas, Hazem Qassem, à AFP.

“Estamos ansiosos pela rápida entrada no NACG [Comitê Nacional para a Administração de Gaza], e o Hamas está pronto para transferir suas responsabilidades governamentais ao comitê a fim de garantir seu êxito”.

O NACG é composto por tecnocratas palestinos encarregados de supervisionar uma possível administração civil do enclave. Esse grupo faz parte das medidas estabelecidas pelo Conselho de Paz, uma iniciativa lançada em outubro de 2025 pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Genocídio

A campanha genocida conduzida por Israel desde outubro de 2023 já resultou em quase 73.300 mortes e mais de 173.900 feridos, conforme dados do Ministério da Saúde de Gaza.

Desde o cessar-fogo firmado em outubro do ano passado, pelo menos 1.127 pessoas foram mortas na Palestina, além de milhares de feridos e soterrados nos escombros das áreas bombardeadas diariamente por Israel.

A continuidade da ocupação militar israelense do enclave agravou a crise de saúde na região, onde a destruição de dezenas de centros médicos resultou no colapso dos serviços de saúde e na disseminação acelerada de doenças infecciosas graves.

O Programa Mundial de Alimentos (PMA) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) estimam que cerca de 1,4 milhão de habitantes da Faixa de Gaza estão enfrentando a fome.

Esse número representa 67% da população total do enclave e, embora demonstre uma leve melhora em comparação com os 1,6 milhão de afetados (77%) registrados no final de 2025, mostra que a situação ainda é crítica.

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