Instituto Veritá apaga relatórios após ser investigado por esquema de pesquisas fraudulentas
Instituto Veritá apaga relatórios após ser investigado por esquema de pesquisas fraudulentas
O Instituto Veritá, que vinha sendo mencionado em pesquisas eleitorais no Maranhão e em outros estados, removeu todos os relatórios de estudos realizados em 2026 do seu site. A medida ocorreu após o Ministério Público Eleitoral (MPE) identificar indícios de um suposto esquema organizado para produzir e divulgar pesquisas fraudulentas no país.
De acordo com as investigações, um dos casos aconteceu no Rio Grande do Norte, onde pesquisas colocaram o candidato Álvaro Dias (PL) como líder na disputa pelo Governo do estado. Um parecer do procurador eleitoral auxiliar Kleber Martins de Araújo, juntado a um processo no Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Norte (TRE-RN), aponta que as irregularidades não estariam restritas a uma única pesquisa. Ao analisar levantamentos registrados entre abril e julho, o MPE afirma ter identificado repetição de problemas metodológicos, participação recorrente dos mesmos profissionais e possíveis conexões entre institutos e empresas contratantes.
O documento destaca que foram registradas 26 pesquisas sobre a disputa pelo Governo do Estado entre 3 de abril e 13 de julho. Desse total, 19 apontaram o candidato Allyson na liderança e 7 colocaram Álvaro à frente. O parecer indica que todas as sete pesquisas favoráveis ao candidato do PL apresentavam irregularidades documentadas, mencionando o Veritá como um dos institutos envolvidos.
A investigação também aponta que, no Maranhão, o Veritá chegou a divulgar pesquisas apontando o ex-prefeito Eduardo Braide (PSD) com mais de 50% das intenções de voto na disputa pelo Governo do Estado. O instituto já prestou serviços para a Prefeitura de São Luís.
Paralelamente às investigações eleitorais, o procurador encaminhou uma notícia-crime para apuração na esfera penal, envolvendo possíveis crimes de divulgação de pesquisa fraudulenta, embaraço à fiscalização e falsidade ideológica eleitoral. As penas podem chegar a até cinco anos de reclusão, dependendo da infração.
Ao acessar o site do Veritá, a página destinada à publicação dos relatórios de pesquisas eleitorais exibe apenas a mensagem “nenhuma pesquisa publicada ainda”. A suspeita é que os dados tenham sido removidos para evitar o acesso da Justiça Eleitoral e do Ministério Público aos materiais que fundamentaram os levantamentos contestados.
O caso reforça a importância de o eleitor verificar a procedência das pesquisas eleitorais, especialmente neste período de campanha, quando levantamentos mal elaborados ou fraudulentos podem interferir na percepção do eleitorado e distorcer o cenário real da disputa.
Fonte: Blog do Thales Castro



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